O preço da liberdade | Por Roque do Carmo Amorim Neto

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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O preço da liberd.ade
O preço da liberd.ade

Fazer escolhas é uma das mais importantes características do ser humano. Algumas pessoas começam a fazer escolhas muito cedo, outras muito tarde. Isto depende do ambiente e da educação que receberam. Apesar destas diferenças culturais, todos fazemos escolhas. Algumas fáceis como responder à pergunta “Que camiseta vestirei hoje?”, outras difíceis e importantes: “Devo me casar com esta pessoa?”

Talvez para crianças e adolescentes que vêem adultos agindo e sendo independentes, isto possa ser um sonho. Já alguns adultos talvez prefiram ser crianças novamente e não ter que tomar decisões. A lição que aprendemos quando nos tornamos adultos ou, melhor, nos tornamos adultos exatamente quando aprendemos que a liberdade tem um preço. Escolher, decidir, guiar a própria vida implica conseqüências, e temos que assumi-las.

Lembro minha primeira grande escolha. Tinha 13 anos e pedi permissão aos meus pais para fazer o Ensino Médio em outra cidade, e morar na casa de minha tia. Eles não estavam seguros e tentaram me mostrar algumas conseqüências. Eu estava tão confiante que eles acabaram permitindo que eu fosse. A primeira semana foi incrível, cheia de novidades e descobertas interessantes. Entretanto, no primeiro final de semana comecei a pagar o preço de minha escolha. Na casa de minha tia não havia máquina de lavar ou alguém que o fizesse por mim. Dediquei várias horas do sábado para lavar e passar toda minha roupa. No domingo, minha tia sugeriu que eu fosse passear pela cidade. Isso era uma boa idéia, pensei. Fui andar pelo centro comercial. Nos primeiros minutos comprei um sorvete, depois uma camiseta, em seguida um par de tênis e, finalmente, alguns livros.

Voltei para casa quase sem dinheiro. Durante a terceira semana fora de casa, liguei para minha mãe e contei a ela o que tinha acontecido. Ela apenas disse: “Agora, você deve esperar até o final do mês”. Os dias que se seguiram não foram fáceis.

Algumas escolhas são apenas educativas, porque de fato não sofremos as conseqüências, como foi no exemplo que acabei de citar. Minha tia, a comida, a escola estavam lá para mim. Aprendi que não poderia gastar toda minha mesada no começo do mês e que deveria planejar minhas despesas. Algumas vezes lembrava o tempo em que vivia na casa de meus pais. Não me preocupava com dinheiro, bastava apenas pedir o que precisava ao meu pai ou à minha mãe. Obviamente eu podia voltar para a casa deles a qualquer momento. Fácil demais! Todavia, permaneci na casa de minha tia e aprendi com isto.

Ao contrário, em algumas situações não podemos voltar atrás, porque temos apenas uma chance e ninguém mais pode fazer isto por nós. Não há retorno… Não importa se a pessoa se arrependeu de jogar-se da ponte. Seus pés apenas agitam-se no ar. Se não tem sorte e ninguém a ajuda, é o fim. E talvez esta seja a pior lição, pois a pessoa não vai tirar nenhum aprendizado dela.

Fazer escolhas tem um preço, mas também tem lucros. No meu exemplo, a vantagem foi a possibilidade de estudar em uma escola melhor. Entretanto, muitas vezes ficamos intrigados por não entender as razões de certas escolhas. Talvez o único a conhecer os motivos seja quem toma a decisão. Ou nem esta pessoa conheça o que realmente a motiva. No caso de mulheres que sofrem violência doméstica, uma razão poderia ser os filhos. Elas precisam da ajuda do homem para criar os filhos. Entretanto, algumas vezes acontece que as crianças se tornam adultos e suas mães continuam ali, sofrendo. Se você pergunta porque continuam ali, muitas delas dirão: “Já me acostumei!”, ou simplesmente “Não sei!”.

Tudo isto me intriga. Não tenho uma resposta, nem ao menos uma hipótese. Apenas fico fascinado quando observo pessoas pagando por suas opções. Às vezes o preço parece justo, e imagino que elas aprenderam alguma lição que será útil para seu desenvolvimento pessoal. Outras vezes o preço é levar uma vida inteira sem a energia e o encanto que poderiam ter.

O grande ponto é que na vida nós aprendemos a fazer opções fazendo opções. Não existe rascunho, nem a tecla “delete”. Você deve apenas ir adiante. O tempo não para. Um avião tem que partir, uma criança está sendo concebida. A vida exige respostas e por vezes nem mesmo sabemos qual é a pergunta. Todavia, com o tempo podemos aprender e ensinar a outros a grande lição: liberdade tem um preço, escolhas têm conseqüências. Estejamos atentos, porque como no mundo dos negócios, a dívida pode ser maior que o lucro. E assim, perdemos tempo e energia, mas se formos espertos, pelo menos aprenderemos alguma lição, embora amarga.

Perder tempo e energia não é o maior problema, porque a vida continua. O grande problema aparece quando o preço da escolha é a qualidade da nossa vida. Não a perdemos de uma vez por todas, como quem se joga de uma ponte. Entretanto, descobriremos que fizemos uma estúpida negociação e que pagaremos com aquilo que é o mais importante, o sentido de nossa vida. Estou seguro de que este também é o caso de pessoas envolvidas em estúpidos acidentes e que perderam a capacidade de se locomover, porque decidiram beber e dirigir em alta velocidade, sem usar o cinto de segurança

Liberdade tem um preço e um dia, a conta baterá à porta. Estejamos prontos para fazer a escolha certa!

Aguardo seus comentários!

*Por Roque do Carmo Amorim Neto Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (2008). Especialista em Gestão Escolar pelas Faculdades Integradas de Botucatu (2006) e em Psicopedagogia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (2008). Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Tem experiência na área de Educação, Filosofia, Pastoral Juvenil e Orientação Vocacional.

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