O grito dos excluídos e o povo brasileiro | Por Carlos Lima

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

A história do Brasil, como é do nosso conhecimento, esta edificada sobre grandes contrastes estruturais.

 De um lado, se mantém uma progressiva concentração de terra, de renda e de riqueza, que é tão bem manipulada pelo setor financeiro e especulativo. De outro lado, amplia-se a exclusão de amplos setores da população e, por tabela, agravam-se também as dívidas sociais, notadamente o desemprego, a falta de terra e a precariedade dos serviços públicos, mesmo reconhecendo que o governo de Lula tem se empenhado em apresentar outra visão dos fatos.

 Ninguém pode desconhecer que há séculos mãos visíveis e invisíveis vêm se apropriando das riquezas do nosso país. Esse esquema se repete desde o Brasil era colônia, passando pelo Império e chegando à República. Vejamos: O pau-brasil, o açúcar, o algodão, o cacau, o café, o ouro, a borracha, agora o petróleo, ou melhor, todas as riquezas tiveram o mesmo destino, sabe qual: Os mercados internacionais. A economia brasileira nasceu e se consolidou atrelada ao sistema capitalista: Primeiro mercantil, depois industrial e agora financeiro. A lógica do tripé, latifúndio, trabalho escravo e a monocultura de exportação, sobrevivem até os nossos dias, sendo que nosso estado é o terceiro no país em trabalho escravo.

Como resultado temos um povo empobrecido, miserável, vivendo sobre uma terra  rica em recursos naturais, em potencial energético e em força humana. Galeano, em momento de profunda inspiração disse que parecemos mendigos sentados em montanhas de ouro. Ele tem razão.

Podemos afirmar com toda convicção que as classes dominantes desse país funcionam como condutores entre os trabalhadores e os mercados mundiais. Fazendo com que os riscos daqueles que especulam no mercado financeiro possam ser transferidos para o conjunto da população, com a intermediação do governo e das elites nacionais.

O superávit primário é a garantia de que podem investir sem problemas, pois sua fatia não será tomada. Os custos recaem sobre a precariedade das políticas públicas e, conseqüentemente, sobre a qualidade de vida da população. Esta situação não é desconhecida por nós, trabalhadores e trabalhadoras na área de educação, comunicação e outros setores da sociedade. Devemos procurar sempre estarmos antenados com a conjuntura do país, na esperança de que, de alguma maneira, possamos, com o nosso trabalho, ajudar a construir o futuro dentro de uma perspectiva transformadora.

Por isso apoiamos e defendemos a participação dos excluídos no desfile de sete de setembro. O Grito dos Excluídos nos remete a outros gritos. Gritos dos que sofreram e sofrem com a trajetória humilhante e acidentada do nosso país.

Não que nesse dia de comemoração pela Independência, os gritos de dor e revolta, os gritos de luta e resistência, gritos do campo e da cidade, os gritos dos índios, negros e populares, sejam mais ouvidos, sofram menor repressão por aqueles que sempre estão a serviço dos poderosos com a intenção de desmantelar os movimentos de libertação econômica e social. Até mesmo num governo que teve origem nas lutas dos trabalhadores, que manteve erguida por muito tempo a bandeira do combate as desigualdades sociais. Deixou-se seduzir pelo poder e pelo acumulo de capital.

Na contramão dessas contradições, entretanto, a resistência popular não tem desistido. Não precisamos lembrar aqui Canudos, Palmares, Cabanas, Ligas Camponesas, revolta das chibatas e tantos outros episódios que falam por si e por sua força simbólica. Embora subjugado pelas armas, humilhado pela corrupção e vergado pelo peso da miséria e do trabalho, o povo brasileiro não se deixa abater, sempre renasce das cinzas, como Fenix.

O Grito dos Excluídos vem mudando o significado do dia 07 de setembro. Este também deve ser o dia em que o povo, o trabalhador, os excluídos devam ir as  ruas, praças e campos, para expressar seus sofrimentos, desejos, anseios e também suas utopias pela igualdade de uma sociedade mais justa. O Grito dos excluídos é reconhecido e compreendido nos vários setores sociais, além de ser vivido e construído pelos próprios excluídos. E você onde está?

*Por Carlos Antonio de Lima, brasileiro, natural de Caruaru, Estado de Pernambuco, nasceu no dia 22 de dezembro de 1951. Jornalista e radialista. Atualmente Tesoureiro da Academia Feirense de Letras, membro do MCC – Movimento do Cursilho de Cristandade da Arquidiocese de Feira de Santana, âncora do programa jornalístico Jornal da Povo, da Rádio Povo, emissora que pertence ao Sistema Pazzi de Comunicação e chefe de Redação e Divulgação da Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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