O diamante e o pré-sal | Por Emiliano José

Emiliano José é jornalista, escritor e professor aposentado da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Emiliano José é jornalista, escritor e professor aposentado da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O pré-sal é um diamante. Uma jóia de fino trato. Capaz de redimir o Brasil. A ser tratado com carinho. Zelo. Zelo e cuidado nas mãos de um ourives de fina sensibilidade. Mãos hábeis. Coração amoroso. Generoso. Capaz de pensar sobretudo no povo brasileiro.

Não se deve pensar o diamante apenas como território do negócio, dos lucros dos empresários, do capital mundial. O ourives olha para o fundo do mar onde está o diamante e deixa a imaginação percorrer os séculos de dominação a que foram submetidas as multidões empobrecidas do Brasil – escravos, proletários, empregados, desempregados, homens e mulheres que esculpiram esta fantástica Nação.

E ao deixar a imaginação navegar pelos séculos, ao lembrar a exploração da Metrópole, o genocídio escravocrata, a mão-de-obra proletária entregando a mais-valia, os milhões de desempregados, os subjugados dos campos, os marginalizados das cidades, os negros, os brancos pobres, ele, o ourives, vindo do coração dessa gente, nascido dela, do meio dela, sabe o que fazer com o diamante, cuja riqueza não pode ser desperdiçada, apesar dos arrufos de aves agourentas. Esse diamante é do povo brasileiro.

Não nos enganemos com os arrufos. Entre tucanos e corvos, sempre vivemos acossados por quem sempre pretendeu entregar diamantes a outros povos. Essas aves nunca olharam para as profundezas do Brasil, nunca souberam como é o chão da fábrica, a terra calcinada do sertão, a periferia das grandes cidades. No limite, pretenderam ter um pé na cozinha. Nunca se embrenharam na vida do nosso povo. Diamantes, quando nas mãos deles, devem ser entregues ao mundo privado e, de preferência, a nações estrangeiras.

O ourives sabe de tudo isso. E olha para o diamante, emitindo luzes do fundo do mar. Educação, saúde, habitação, melhorias para o campo, infra-estrutura, dinheiro para melhorar a vida do povo de nossa terra. Das multidões do Brasil. E não se impressiona com arrufos de tucanos e corvos. Que ultimamente só fazem arrufar, depois de quase terem destruído o Brasil e seus diamantes. O ourives compreende. Lula sabe.

*Por Emiliano José | Jornalista e Deputado Federal (PT da Bahia).

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