Economia regional no centro dos debates do Legislativo baiano

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Dois secretários de Estado, dirigentes de empresas públicas e entidades de classe, pequenos empresários de diversos setores, além dos deputados, representantes das forças militares e populares. Esse foi o universo da sessão especial realizada na tarde de ontem na Assembleia Legislativa para discutir a preservação da economia regional das pequenas e médias indústrias baianas, atacados e distribuidores do comércio. A complexidade do tema era tal, que o presidente da Ebal, Reub Celestino, considerou que na realidade se tratavam de três importantes assuntos: a economia regional, o setor atacadista e pequenos produtores e empresas.

Walter Pinheiro, secretário do Planejamento, e James Correia, da Indústria e Comércio, prestigiaram a sessão proposta pelo deputado Zé Neto (PT). A Fazenda esteve representada pelo subsecretário Carlos Alberto Batista. Em sua fala, Correia afirmou que, quando assumiu a pasta, há três semanas, tomou um susto. Segundo ele, uma das duas superintendências que compõem o organograma simplesmente não existe: a de Comércio e Serviço, “que foi completamente desmontada, foi tratada com total descaso”, e foi aplaudido ao anunciar que hoje haverá um superintendente dedicado a mudar o quadro. “Vamos viver uma nova era”, afirmou, citando a reunião que terá hoje com o secretário Roberto Muniz para discutir a criação do Polo Atacadista.

PLANEJAMENTO

O secretário do Planejamento, por sua vez, apontou para a necessidade de um foco maior na economia regional. Para ele, o Estado passou muito tempo neglicenciando ou até fazendo uma política oposta ao incentivo da produção local. Citou exemplos de Estados Unidos, Europa e Argentina, em que os grandes varejistas só são autorizados nas saídas das cidades. “É importante que os municípios tenham políticas que enfrentem esta situação”, defendeu.
“Não estou aqui propondo nada que impeça que a Wal-Mart ou Carrefour (por exemplo) venham para cá”, disse Pinheiro, explicando que o que defende é que os pequenos tenham condições favoráveis para se desenvolver. A respeito do comércio interestadual, o secretário seguiu a mesma lógica e disse que não está propondo que se impeça a vinda de produtos externos, mas quer que a Bahia tenham a mesma reciprocidade. “A Bahia não pode vender vários produtos no Paraná não porque uma lei impeça, mas por causa de barreiras tributárias”, citou.

LOGÍSTICA

O primeiro a se pronunciar foi Zé Neto, que inovou ao discursar da cadeira em que presidia os trabalhos. Ele explicou que tomou a iniciativa de trazer ao Legislativo “um dos maiores problemas que temos enfrentado silenciosamente no curso desses anos todos na Bahia, especialmente nas duas últimas décadas”. Para ele, o estado carece atualmente de uma melhor logística e de polos de distribuição para desenvolver sua economia. O parlamentar citou o projeto de instalação de um desses polos, em Salvador, dimensionado inicialmente para 50 empresas e que hoje já conta com 100 interessadas.
Neto elogiou as organizações de classe, como Asdab (Associação dos Distribuidores e Atacadistas da Bahia) e Abase (Associação Baiana de Supermercados), que têm avançado em busca de soluções em câmaras setoriais juntamente com o Estado. Como exemplo, ele citou a situação do produtor de leite, que não tem a quem entregar, defendendo que se desenvolva uma cadeia produtiva do leite, propiciando a colocação no mercado, a exemplo do que ocorre em outros estados.

COMPETIÇÃO

Os representantes de diversos setores, a exemplo de Teobaldo Luís da Costa, presidente da Abase, reclamaram das dificuldades dos pequenos produtores e comerciantes competirem com os produtos de outros estados, que contam com incentivos fiscais e uma cadeia produtiva mais racional, a exemplo de Minas Gerais. Israel Andrade (Asdab) apontou que a Bahia é apenas o oitavo estado do país em faturamento do setor atacadista, ficando atrás de economias menores, como Goiás e Santa Catarina. Segundo ele, mesmo aquém da capacidade, a sua categoria contribui com 13,09% da arrecadação tributária e poderá ampliar essa participação se incentivos fiscais se associarem à seriedade, trabalho e empenho dos empresários.
Mário Piton, presidente do Sindicato dos Panificadores, por sua vez, apontou dois problemas pelos quais passa esse segmento: a concorrência com outros estados, onde a farinha de trigo – principal insumo desta indústria – tem alíquota zero de ICMS, enquanto na Bahia é de 30%, e a competição com as grandes redes de supermercados, às quais chegou a acusar de prática de dumping. As categorias de trabalhadores estiveram representadas na mesa por Jaelson Dourado, presidente do Sindicato dos Comerciários, e Antonio Suzert, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Supermercado.
Compareceram ainda Isabel Ribeiro, coordenadora da Unidade de Apoio à Rede de Atendimento do Sebrae, Marcelo Oliveira, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Desenbahia e os deputados Luiz Augusto (PP), Fátima Nunes (PT), Bira Corôa (PT), Álvaro Gomes (PCdoB), Misael Neto (DEM), José Nunes (DEM), Jurandy Oliveira, Nelson Leal (PSL) e João Bonfim.

 *Com informação da ASCOM/ALBA.

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