Direto de Pequim

Nosso correspondente em Pequim (China), Albérico Ricardo Passos da Motta, relata suas impressões daquele distante país. Albérico Ricardo é engenheiro com pós-graduação em meio ambiente.

 Pequim impressiona e surpreende. Ruas largas, trânsito intenso, mas relativamente organizado para a quantidade de carros. Pessoas e cliclistas compõem a paisagem das ruas. Os ciclistas são muitos. Apesar de terem as suas próprias ciclovias, inevitavelmente, eles cruzam com freqüência as vias dos carro. As bicicletas são de vários tipos e épocas. Existem as mais modernas, que são motorizadas (não é motocicleta, e sim bicicleta motorizada), as de carga, que puxam algum carrinho-caçamba e tem aqueles modelos mais velhos parecidos com os que eram usados por operários na época do comunismo radical, talvez as remanescentes da época da China antiga.

Senhoras, moças, homens, todos são os ciclistas. De manhã cedo ou no fim da tarde preenchem e ilustram o cenário das ruas da cidade. A quantidade de carros é muito grande. São todos de modelo moderno. Não vi nenhuma daquelas velharias típicas dos países comunistas tradicionais. Aliás, vi uma (acredite) Ferrari. Se já é impressionante ver uma Ferrari, imaginem isso em um país comunista. Comunista?

Apesar da potencial receita para um caos, reina uma aparente harmonia nas ruas. Não que eles sejam comportadíssimos. Existe uma espécie de guarda de trânsito para disciplinar os ciclistas, que nem sempre são tão obedientes. Além disso, os carros às vezes invadem o seu espaço ou pressionam sutilmente as pessoas ou ciclistas, nos pontos de cruzamento. Entretanto, seguramente, dirigem de forma mais disciplinada e sem a agressividade e arrogância selvagem típica de alguns motoristas baianos que, para mim, se camuflam ou travestem de civilizados.

A arquitetura dos prédios (mais modernos, suponho) também impressiona bastante. Alguns projetos são extremamente audaciosos em termos de forma geométrica e de desafios estruturais. Não estou considerando os projetos feitos na época dos jogos olímpicos. Esses, então, são o supra-sumo da ousadia e criatividade, em termos de arquitetura. O estádio olímpico é um desses exemplos; um colosso! Simula um ninho de pássaro.

O sistema de metrô, como em toda megalópole, é importantíssimo para a cidade. A quantidade de linhas existente é muito grande. Os equipamentos são modernos; devem ter sido instalados recentemente. São bem sinalizados externamente. No interior dos carros existem diagramas unifilares do traçado da linha em que o usuário está, com uma indicação luminosa dos trechos percorrido e a percorrer. A sinalização é feita em chinês e (felizmente) também em inglês. No metrô, me chamou a atenção o fato de não existirem anúncios ou propagandas de produtos. Nenhum mesmo. Não precisava ser igual à intensa e desorientadora poluição visual do interior dos carros do metrô do Japão mas, nenhum anúncio tampouco…….Possuem, contudo, algumas telas de TV, de cristal líquido, com programas diversos para entretenimento da galera.

A comida é diferente para nós, ocidentais. Parece um pouco com a comida dos restaurantes chineses em Salvador, mas só um pouco. Comem muito noodles, sopa, arroz, é claro, e vegetais. Os vegetais são cozidos, mas tem sempre um molho esperto para dar sabor e, assim, se tornarem mais atrativos. Vi, no menu de um dos lugares que almocei, que no cardápio tinha sabe o quê? Jely fish, ou seja, água viva. Tinha um aspecto até atrativo, se olhássemos com boa vontade, talvez em função de um dos molhos que citei previamente. Contudo, era jely fish. Agora costumo prestar atenção em tudo que ponho no meu prato para não por, sem querer, jely fish. Ah, ainda não vi os insetos famosos que são usados como alimentos. Parece estranho, mas se considerarmos que para alimentar mais de um bilhão de pessoas, deve-se ter alguma criatividade e menos restrições, então…

Parecem que eles trabalham desde mais jovens. Pode-se ver a meninada trabalhando como guarda de segurança, nas estações de metrô e outros locais públicos além de no comércio. Toda estação de metrô tem vários desses guardas, dois deles cuidam de um equipamento de inspeção de bagagens por raios X, similar ao usado pela polícia nos aeroportos.

A comunicação é uma barreirona, às vezes, te deixa completamente ilhado. Uma estratégia que pode, ocasionalmente, funcionar, é perguntar a um mais jovem com cara de universitário. As possibilidades que ele entenda e fale inglês são maiores.

Outro big problem, pelo menos para mim, é o efeito das 11 horas de fuso horário. De fato, estou no futuro. Ocorre que, tenho acordado de madrugada e perco o sono. Durante o dia, tenho tido um sono terrível. Imaginem assistir a conferência com sono. É claro! Nesse horário deveria estar dormindo, aí no Brasil. Já havia experimentado isso anteriormente, na primeira semana de um período que passei no Japão.

Os chineses são muito amáveis e atenciosos com estrangeiros. Aliás, em alguns momentos, você vira uma atração a parte, pois eles acham graça do sua postura de desconhecimento do local e da cultura.

Um dos principais pontos turísticos são a praça da Paz Celestial (Tian na men square). Ficou famosa em todo mundo depois que o governo esmagou o protesto estudantil e da população há dez anos atrás, matando várias pessoas. Na ocasião, uma das suas avenidas de acesso foi palco da famosa cena em que um estudante barra uma coluna de tanques de guerra. Outro desses pontos é a cidade proibida que tem a foto de um de seus líderes na entrada (Deng Xao Ping, acho). Ambas ficam lotadas de turistas durante todo o dia. Ainda não conheci a muralha, mas está nos planos.

A conferência começou e já está efervescente. Já deu para perceber algumas das principais tendências mundiais em termos de membranas para tratamento de água e efluentes.

Por enquanto é só!

Um abraço,

Albérico Ricardo Passos da Motta

Sobre Juarez Duarte Bomfim 747 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: juarezbomfim@uol.com.br.