ALBA outorga título de Cidadão Baiano à Aécio Neves, governador de Minas Gerais

Governador Aécio Neves (PSDB-MG).
Governador Aécio Neves (PSDB-MG).

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, foi agraciado, hoje (03/09/2009), com o título de Cidadão Baiano, em sessão especial ocorrida no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

A concessão do título foi proposta pelos líderes partidários do PR, Elmar Nascimento, do PMDB, Leur Lomanto Jr., e do Democratas, Paulo Azi. Antes da solenidade, as 15h, Aécio concederá entrevista coletiva, no plenarinho da Casa.

Discurso de agradecimento de Aécio Neves foi marcado por forte tom político

Um pronunciamento político marcou o discurso de agradecimento do governador Aécio Neves. Em quase 40 minutos, ele dedicou pouco menos de 10 para agradecer aos proponentes, “três mosqueteiros que tiveram a ousadia de transformar este mineiro em cidadão baiano”, e uma grande parte das autoridades presentes. Em outros seis minutos falou do avô, Tancredo Neves, lembrou as origens de sua família, no norte daquele estado, onde “seus habitantes se identificam como baianeiros”, e partiu para a história baiana e seus vultos. O restante de sua fala dedicou a uma ampla apreciação da situação nacional, enquanto prestou uma espécie de contas de sua administração.

“Olho a história e constato que, se os nossos grandiosos desafios básicos não mudaram, outros graves se avolumam e ganham escalada ainda maior”, disse Aécio, trazendo o pronunciamento para os dias de hoje. Ele começou revelando preocupação com o meio ambiente e logo tratou da fome no mundo. Para ele, as crises enfrentadas no mundo têm criado uma relação de interdependência entre as nações. “Temos o imperativo ético, moral e de sobrevivência de buscarmos uma autêntica e necessária solidariedade global”, definiu.

Desenvolvimento

O homenageado acredita que o país tem tido “um período contínuo de avanços”, citando desde o governo de Itamar Franco até o atual, do presidente Lula, que “de forma responsável, mantém intocados esses pilares e permite, abençoado por um longo período de expansão econômica, a extensão dos programas sociais, hoje incorporados de forma definitiva à realidade econômica e social do Brasil”. Neste momento, citou os programas sociais e de saúde do governo Fernando Henrique Cardoso, além de outros aspectos de desenvolvimento do país.
“Estamos desenvolvendo no Brasil projetos fascinantes em todos os setores do conhecimento, sobretudo no campo da bioquímica e biogenética”, disse, afirmando que a busca de paternidade para essa ou aquela conquista não contribui para o país. “Hoje somos um só governo e um só partido, sejam eles quais forem”, completou. Depois de citar os avanços conquistados no país, Aécio lamentou que ainda se jogue no lixo 32 milhões de toneladas de alimentos por ano. O desperdício de água e a precariedade de saneamento básico também foram apontados, antes de o governador criticar a situação energética nacional.

Pré-sal

“Se crescermos a um patamar superior a 5%, pode não haver energia para suprir a demanda nos próximos anos”, disse, citando em seguida outras mazelas brasileiras, como a violência, a precariedade das estradas e da educação. “Quem sabe, os recursos do pré-sal possam significar uma luz no túnel para que possamos finalmente planejar e fortalecer a educação em todo o Brasil?”, anteviu, defendendo que é preciso “compartilhar com todos os municípios, estados, regiões e a sociedade organizada os nossos desafios centrais”. Aécio se mostrou favorável a que os royalties da nova camada de petróleo beneficiem a todos e não apenas aos estados onde forem furados os poços.
Ao classificar de concentradora no nível federal a atual política tributária, o homenageado admitiu que o problema não começou agora, mas classificou a carga de impostos como “uma das mais altas e perversas do mundo. Contraditoriamente, os 10% mais pobres comprometem 33% de seus rendimentos com tributos, enquanto os 10% mais ricos pagam apenas 23%”, comparou.
“Entendo que só seremos capazes de finalmente atravessar a fronteira para um outro patamar, o pleno desenvolvimento, se nos permitirmos enfrentar as grandes questões nacionais com um sentido novo de responsabilidade compartilhada”, disse, considerando este o ponto crucial a ser enfrentado. Para ele, o Estado gasta muito e mal os recursos, citando a Fundação Getúlio Vargas, segundo a qual as fraudes e corrupção provocam anualmente perda de R$ 3,5 bilhões. Enquanto isso, “não conseguimos investir sequer 1% do PIB”, sendo o país latino-americano que menos investe proporcionalmente.

Choque

Voltando-se para o seu governo em Minas Gerais, Aécio disse que “o choque de gestão que desenvolvemos nos princípios de governança jamais teve o objetivo de apenas sanear as contas públicas”, ressaltando que aquele estado deixou para trás uma década e meia de déficits para garantir investimentos, que este ano chegarão a R$ 11 bilhões. Ele citou ainda a atração de investimentos e garantiu que o estado se tornou o segundo pólo gerador de empregos do país.

Outros aspectos da sua administração não foram esquecidos. O homenageado falou sobre investimento em estradas, comunicações, energia, saneamento e redução da mortalidade infantil, além de drástica redução da criminalidade violenta, entre outros.

Perfil

Aécio Neves começou cedo na vida pública – aos 21 anos assumiu o cargo de secretário particular do recém-eleito governador de Minas Gerais, Tancredo Neves. Um ano depois, em 1986, conquistou o primeiro mandato de deputado federal. A partir daí continuou a trajetória de consolidação de liderança política e em 2001 foi eleito presidente da Câmara Federal. Um ano depois conquistou o governo de Minas e em 2006 foi reeleito, como na primeira eleição também em primeiro turno, com a maior votação já registrada na história politica recente do estado: 77,03% dos votos válidos. Aécio Neves tem formação em economia e nasceu em Belo Horizonte em 1960.

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