A ética, a cidadania, a política e a felicidade | Por Décio Nascimento

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Felizmente, vivi parte da minha infância e a pré-adolescência no meio rural. Deste tempo, guardo com esmero na lembrança um aspecto aparentemente amistoso, mas efetivamente significativo, dos afazeres da lavoura: Quando do plantio, meu pai seguia abrindo as covas, e eu, em parceria com meu irmão mais novo, depositávamos os grãos que, conforme a regra, só e somente só poderiam ser enterradas de duas a três sementes de feijão, e de quatro a cinco sementes de milho.

Por maior que fosse a vontade de que a capanga[1] se esvaziasse, tamanho o desejo de “ficar livre” para ir brincar, confesso que nunca semeei os grãos além da conta, ainda que tal “ilícito” por sob a terra fosse ocultar-se. Sem dúvida, eu já estava, ainda menino, experienciando os meus primeiros contatos com a ética.

É justamente reportando-se a esta fase da vida que a maioria dos cidadãos e cidadãs brasileiros(as), maiores, muitas vezes queixando-se da conjuntura política, lamentam: Eu era feliz e não sabia.

Mas qual será mesmo, na proposta deste artigo, a correlação da ética com a cidadania, a política e a felicidade?

A ética pode ser entendida como a área de estudo da filosofia que se propõe a pensar as ações humanas, seus princípios e normas. A ação ética é norteada pelas idéias de virtude e vício, justo e injusto, de bem e mal.

Etimologicamente falando, o termo ética vem da palavra grega ethos, que pode significar costumes, caráter, comportamento ou modo de ser de um indivíduo, como ser social.

Desde os gregos, uma das questões que sempre suscitou reflexão é a inclinação natural do ser humano à vida em grupo, em comunidade, enfim, em sociedade. Seria contra a natureza humana viver fora de um contexto social. Isso sinaliza a indissociável relação entre o indivíduo, enquanto sujeito de direitos e deveres – portanto cidadão – e a sociedade.

O verdadeiro exercício da cidadania somente se dá quando o indivíduo, conhecendo seus valores pessoais, ao estabelecer relações de convívio com outros em sociedade, reconhece que ele se torna livre ao reconhecer no outro a sua liberdade, tornando-se assim um indivíduo consciente e responsável; um cidadão ético e apto a participar da vida política.

Em “Conversas sobre políticas”, o pedagogo, poeta e filósofo Rubem Alves ressalta que a política poderia ser definida como a arte de administrar os sonhos de um povo.

Segundo o “príncipe eterno dos verdadeiros filósofos”, Aristóteles, a finalidade da política é o bem do homem enquanto ser sociável, que é mais desejável alcançá-lo para a sociedade do que para um único homem. Este bem do homem nada mais é do que a felicidade, eis que é em sociedade que o homem vive, se realiza, se identifica e se torna feliz.

Este diálogo na linha do tempo envolvendo os elementos “sonho” e “felicidade”, induz-me a lembrar que, para a consecução dos direitos civis, sociais e políticos do homem – Direitos Humanos -, os ideais de liberdade e igualdade podem ser garantidos pela constituição; já a fraternidade não. Esta não se dá por meio de imposição, ela deve ser vivida. É uma necessidade fundamental. A fraternidade, assim como a solidariedade é aquilo que religa.

Pois é, essa é a deixa para dar-nos a perceber a importância e a necessidade de orientarmos esforços no sentido de conceber, resgatar e afirmar os fundamentos clássicos da ética, da cidadania e da política, como valores de religação do homem, na sua razão de ser e existir, com o seu bem maior, a felicidade.

REFERÊNCIAS:

Amorim, Carolina Izidora. Direitos Humanos e Cidadania – Palhoça: UnisulVirtual, 2007.
Giles, Thomas Ransom, Dicionário de Filosofia, São Paulo : EPU, 1993.

Alves, Rubem. Conversas sobre política – Campinas, SP: Verus, 2002.

Pena-Veja, Alfredo. Edgar Morin: Ética, cultura e educação – SP: Cortez, 2001.

*Por Décio Nascimento

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