Sérgio Carneiro em entrevista declara: Governo é um conjunto de erros e acertos e que não ocupa cargos

Assembleia Legislativa da Bahia aprova 'Comenda 2 de Julho' à Sérgio Barradas Carneiro.
Assembleia Legislativa da Bahia aprova 'Comenda 2 de Julho' à Sérgio Barradas Carneiro.
Sérgio Carneiro Barrada.
Sérgio Carneiro Barrada.

entrevista com o Deputado Federal Sérgio Carneiro (PT/BA) ocorreu no restaurante Los Pampas, em Feira de Santana, na última sexta-feira (21/08). Foram abordadas questões como fidelidade partidária, a mudança de partido do Deputado Federal Jairo Carneiro (PP/ex-DEM), avaliação do Governo Wagner e cargos na atual administração.

Com boa formação jurídica e tarimbado pelos anos de experiência em atividades públicas. Sérgio buscou evitar o confronto, demonstrando uma profunda disciplina partidária. Mesmo sabendo que a presença de Jairo na base do governo lhe trará dificuldades.

Lamentavelmente o deputado acredita que o mandato pertence a um indivíduo, quando na verdade, pertence ao partido político em que se está filiado. Sendo o homem, representante do conjunto ideológico deste partido, que leva para os plenários e esferas adequadas de debate, as idéias e posicionamento dos membros do partido que milita.

O único momento em que o deputado demonstra certo descontentamento é quando questionado se as mudanças recentes no Governo Wagner lhe trouxeram maior espaço político? “Quanto à indicação e ocupação de cargos não. O Governador sabe, as pessoas sabem e os responsáveis pela articulação política do governo também sabe e não tenho nenhuma dificuldade em confessar isto.”, declara Sérgio Carneiro

Integra da entrevista:

JGB: Deputado, como o senhor avalia a questão da fidelidade partidária, ela é ou não importante para a democracia brasileira?

Sérgio Carneiro – Eu posso até estar  desinformado, mas até onde sei, não existe por lei, fidelidade partidária em nenhum lugar do mundo. Essa é uma inovação brasileira que aconteceu após um pronunciamento do poder judiciário em que ficou decidido que o mandato pertence ao partido e não a pessoa. Eu acho que seria natural, como é no partido dos trabalhadores, que as pessoas se elejam pelo partido e nele permaneça por livre espontânea vontade, não por obrigação, entretanto, se eventualmente acontecer um fato grave a pessoa não deve ficar impedida de dar prosseguimento a sua carreira. Nos s EUA  é muito difícil as pessoas mudarem de partido, o mesmo ocorre em alguns países da Europa. Mas isso não impossibilita de em um determinado momento da vida e da carreira a pessoa fazer a mudança e arcar com as conseqüências.

JGB – Voltando à questão da fidelidade partidária, quando uma pessoa se lança candidato, ela tem como base um partido que conta com normas e um  conjunto de idéias que deverão ser adotadas nas diversas instâncias: municipal, estadual e federal. Ao migrar de um partido para outro, o político não está praticando um estelionato eleitoral para com o cidadão/eleitor?

Sérgio Carneiro – No PT dificilmente nos mudamos de partido porque acreditamos nas idéias, em tudo aquilo que o partido representa. Eu quero crer que nas demais agremiações política também devessem proceder da mesma forma. Acho que determinado momento pode haver uma dissociação entre o momento da eleição e um segundo momento em que a postura do partido e do candidato possa se dissociar.

 JGB – Deputado, o senhor concorda comigo que ninguém é candidato de se próprio?

 Sérgio Carneiro –  Concordo.

JGB – Para ser candidato você precisa de um partido e ser aprovado em convenção?

 Sérgio Carneiro – Mesmo que você sozinho atinja os votos superiores ao consciente eleitoral, é obvio que você se apresenta ao eleitorado é dentro de um contexto, primeiro o seu partido, segundo, as candidaturas que você apóia, elas também tem um simbolismo, representação na sociedade, se são de direita ou de esquerda, e o eleitorado obviamente vai julgar todos estes aspectos. Neste sentido você tem razão.

JGB – Razão em que aspecto? É estelionato?

 Sérgio Carneiro – Não, você tem razão no sentido de que as pessoas julgam o candidato dentro desse contexto, obviamente se há uma mudança, e essa mudança não é clara, não é percebida pela população como um fato suficiente necessário para entender essa mudança, é que a pessoa pode se sentir lesado no seu voto. Mas a gente não pode ser radical no ponto de relativizar às vezes fatos da vida do cotidiano. Eu estou concordando com você em tese, mas estou dizendo que na prática, podem existir outros fatores, é o que em direito você chama fato superveniente, que é a mudança das condições em que se deu a origem do fato.

 JGB – Existe algum fato superveniente, que possa ser muito bem colocado pelo deputado Sérgio Carneiro, que passou a vida inteira defendendo uma posição totalmente contraria a todos os valores que hoje o deputado federal Jairo Carneiro defende?

 Sérgio Carneiro – Só ele pode responder.

 JGB – O senhor como espectador, como cidadão, como eleitor!

 Sérgio Carneiro –  Eu me mantenho no PT. Essa é uma pergunta  que deve ser dirigida e respondida por ele.

JGB – Então vou pergunta de outra forma. Como você avalia as pessoas que passaram a vida inteira defendendo uma posição ideológica, se apropriem de um mandato para o qual foram eleitos e migram, ainda dentro deste mandato, para outro partido e passam a defender uma posição totalmente contraria àquela a qual a foi eleita, caso específico do deputado Jairo Carneiro?

Sérgio Carneiro –  Olha eu não sei, não tenho convivência, nem intimidade no grupo que o Jairo estava militando até agora, não sei quais os acontecimentos que ocorreram por lá  e o que o levou perder o mandato, só ele dever ter estas explicações.

JGB –  Você não sabe que é pelos votos que as pessoas são eleitas?

 Sérgio Carneiro – Não.

 JGB – Não é pelo sufrágio universal  do voto?

 Sérgio Carneiro – É pelo voto.

 JGB – Alguém tem o poder de lhe dar um mandato?

  Sérgio Carneiro – Não, porque uma vitória ou uma derrota eleitoral é fruto de vários fatores, então eu não sei se dentro do agrupamento político que ele estava, se a sua vitória lhe fora retirada intencionalmente, eu não posso fazer essa avaliação por não saber com precisão o que aconteceu de fato.

 JGB – Vamos colocar os fatos na seguinte ordem: até determinado momento  o deputado Jairo Carneiro tinha cargos de confiança, eram todos unidos, com filho indicado para ocupar cargo confiança, e aí de repente, surge um fato novo, é isso?

 Sérgio Carneiro – Eu estou evitando julgar as pessoas.

 JGB –  Estou pedindo que na condição de homem público julgue o ato político de seu novo colega e colaborador da base do Governo Lula. O senhor defende um conjunto ideológico, princípios e valores?

 Sérgio Carneiro –  Defendo e me mantenho nele. Até para sofrer um julgamento do povo.

 JGB – Mas ele aderiu a seu grupo

 Sérgio Carneiro – Pois é. O governador disse para a prefeita Moema, que era melhor que ela tivesse chateada com um amigo vitorioso, do que insatisfeita com um amigo derrotado. Creio  que o que ele falou para Moema vale pra mim. Moema derrotou o PP duas vezes e teve que ter o PP com duas secretarias. Eu sou igualmente amigo de Wagner, e recebo na minha terra uma concorrência de mais um deputado federal, se o governador acredita que pode levar a mais uma vitória, então certamente que Feira de Santana pode me enxergar com parte desse grupo vitorioso.

 JGB –  Para finalizar, a Secretaria de Educação está com o PT, mas aqui em feira de Santana foi dada ao PP. A deputada Eliana Boaventura indicou justamente uma pessoa que esteve durante muito tempo, mais precisamente dois mandatos, sendo responsável pelas  adminstração financeira de Anaci Paim, quando reitora da UEFS. Hoje ela responde a processo criminal por desvios de recursos públicos. Com esse comportamento, o  governo está abrindo  mão da sua política educacional para delegar aos seus adversários históricos. Justamente para àqueles que ele  derrotou nas urnas?

 Sérgio Carneiro – Quando governa acumula-se inevitavelmente um conjunto de erros e acertos.  As políticas públicas devem prevalecer sobre as indicações pessoais, e nestes casos o governo que você diz de esquerda e republicano, as sugestões de nomes são feitas e estas só são aprovados depois da apresentação do currículo e de se proceder um minucioso exame. O fato de Eliana Boaventura (Deputada Estadual pelo PP) ter feita uma indicação de algum nome, não quer dizer que ele vai ser automaticamente aceito.

JGB – O partido não está abrindo mão de sua política educacional ao passar o cargo tão importante para  um membro do PP. Essa atitude está correta?

Sérgio Carneiro –  O partido está fazendo um governo de coalizão, o que significa que o PT sozinho não poderia governar uma vez que não teria maioria na assembléia. Nós temos 63 deputados estaduais na assembléia, apenas 10 são do PT. Impossível governar com estes índices, o que nos obriga a buscar o coeficiente necessário junto aos demais partidos que se propõem a governar conosco. Essa negociação tem um preço e se quisermos contar com este apoio temos que estar dispostos a pagar. É o preço que a sociedade paga a não dar hegemonia ao único partido com a qual ele se identifica; é preço que o partido paga em ter que compartilhar o poder às vezes com partidos que não tem uma linha ideológica tão próxima,  mesmo sendo um governo de coalizão, o PT não abre mão de suas políticas públicas, as pessoas que são indicadas por outros partidos que não é o PT, têm que se adaptar às políticas públicas, e as diretrizes que são defendidas e estabelecidas pelo governador Jaques Wagner.

JGB – O senhor se sente devidamente contemplado e confortável com essas mudanças realizadas no  governo Wagner e  devidamente prestigiado com ações empreendidas pelo governo em Feira de Santana?

Sérgio Carneiro – Prestigiado pelo governador em termos pessoais sim, em todos os municípios que vou com  o governador,  as pessoas sempre me recebe com muito  carinho, sem falar da referência e a simpatia pessoal que ele demonstra ter comigo. Do ponto de vista  no tocante às  obras de Feira de Santana sim. Acho que o governador faz aqui a maior obra já realizada no município que é o esgotamento sanitário. A conclusão da bacia do Jacuípe,  iniciada por João Durval Carneiro, e a Bacia do Subaé, fazem  aqui um conjunto de obras importantes; o Hospital da Criança; a BR 324 e a BR 116 serão requalificadas. Quanto a indicação e ocupação de cargos não. O Governador sabe, as pessoas sabem e os responsáveis pela articulação política do governo também sabem e não tenho nenhuma dificuldade em confessar isto.

JGB – Você teria mais alguma coisa a acrescentar?

Sérgio Carneiro – Eu devo ter de vida pública o que você tem de idade, por isso você é um excelente jornalista. Mas, eu tenho as responsabilidades de quem tem um mandato, que acredita no governo de Jaques Wagner e no governo do presidente Lula. Como eu lhe disse, anteriormente, são seres humanos como tal são passíveis de erros e acertos. Conseqüentemente estas premissas se aplicam por extensão aos seus respectivos governos. Entretanto, detectados os erros, é função dos governantes,  providenciar as devidas correções.
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