Quando uma limusine nos ensina um pouco sobre censura à imprensa

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O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde, disse certa vez o ex-ministro brasileiro Rubens Ricúpero, chavão que passou a ser conhecido informalmente como a Lei Ricúpero.

A repórter brasileira Fernanda Ezabella foi escalada pelo jornal Folha de S. Paulo para cobrir a coletiva de imprensa do filme Funny People, estrelado pelos atores-comediantes Adam Sandler e Seth Rogen. Junto a dezenas de jornalistas no saguão do cinema, ela percebeu um provável equívoco da equipe de assessoria: anexo ao press kit distribuído, havia a cópia de um recibo da limusine que trouxe o diretor Judd Apatow de sua casa até o local da coletiva.

Ao custo de US$ 1.375, a limusine percorreu cerca de 15 km. Segundo a repórter em seu relato publicado na sexta-feira, um táxi custaria US$ 40. Além do preço, o recibo incluia o endereço do diretor e outras informações.

Segundo a repórter, ela fez a seguinte pergunta: “Tem sido um período difícil com a crise financeira, os estúdios têm cortado empregos e orçamentos; é uma pergunta desagradável, mas como você justifica ter uma limusine com esse preço te pegando em casa, numa distância tão curta, como nos mostra aqui no material de imprensa?”

Enquanto todos riram, os assessores correram para tirar o microfone das mãos da repórter. Após a resposta do diretor, a repórter tenta novamente falar, mas é interrompida pelos assessores de imprensa. De acordo com Fernanda, a esposa de Judd Apatow (que também trabalha no filme) teve um chilique. A repórter ainda voltou a ser abordada por uma assessora da equipe, que a proibiu de levar o press kit, enquanto outros assessores corriam para arrancar a cópia do recibo no material distribuído a todos os demais jornalistas presentes.

Oficialmente, a Universal Studios não se pronunciou. No Brasil, a assessoria da Universal reclamou do jornal e disse que a jornalista Fernanda Ezabella agora faz parte do livro negro (black book) e seu nome poderá ser vetado em futuras coletivas.

Curioso quando assuntos aparantemente banais, às vezes, mostram que a censura à imprensa nem sempre é exclusividade de governos autoritários ou restrições políticas. Mantendo as devidas proporções, a finalidade é uma só: o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde. Ou tenta fazer de conta que não existe.

*Com informação do Centro Knighta.

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