Ex-governador Paulo Souto diz que segurança não é prioridade no governo Wagner e que a Bahia lidera os índices de violência no país

Paulo Souto: Em 2007, 2008 e 2009, ultrapassa a cifra de 10 mil homicídios, estes índices em dois anos chega a 80%.
Paulo Souto: Em 2007, 2008 e 2009, ultrapassa a cifra de 10 mil homicídios, estes índices em dois anos chega a 80%.
Carlos Augusto e Sérgio Jones entrevistam o ex-governador Paulo Souto.
Carlos Augusto e Sérgio Jones entrevistam o ex-governador Paulo Souto.
Paulo Souto: Em 2007, 2008 e 2009, ultrapassa a cifra de 10 mil homicídios, estes índices em dois anos chega a 80%.
Paulo Souto: Em 2007, 2008 e 2009, ultrapassa a cifra de 10 mil homicídios, estes índices em dois anos chega a 80%.

Na primeira parte da entrevista concedida ao Jornal Grande Bahia, ocorrida na terça-feira (25/08/2009), na sede estadual do Democratas em Salvador, o ex-governador e pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de 2010 Paulo Ganem Souto aborda a política de segurança pública do governo Wagner.

JGB – Como o senhor avalia a questão da segurança pública na Bahia?

Paulo Souto – O que se apresenta é uma forma caricata que evidencia a que ponto chegou à questão da segurança em nosso Estado. Em 2007, 2008 e 2009, já ultrapassa a cifra de 10 mil homicídios, estes índices em dois anos chega a 80%. É o maior crescimento registrado no Brasil, nunca a polícia matou tanto. Nessa política de extermínio morre muitos inocentes. Isso demonstra um descontrole completo no setor, outro fato preocupante é que a Bahia conta com mais de 150 municípios sem delegados. Entretanto reconheço que o setor é complexo, mas, infelizmente o governo não está dando a prioridade necessária que exige e merece a segurança pública. A violência que impera atualmente na Bahia provoca prejuízos de toda ordem, além de contribuir para o afastamento dos turistas, o que resulta na perca de captação de importante receita para o Estado.

JGB – O governo do PT alega ter herdado um sistema de segurança falido. O que o senhor tem a dizer a esse respeito?

Paulo Souto – Vamos comparar os resultados. Quais eram os índices de homicídios e o roubo de veículo em 2003/ 2006 e quais são os de hoje? Os índices atualmente são infinitamente superiores aos registrados no passado. Não se pode atribuir estes problemas ao governo anterior, ninguém acredita neste discurso surrado da herança maldita. Se o governo petista fosse um governo voltado para o trabalho o que teríamos era uma sensível melhora na queda dos índices de violência em nosso Estado, o que infelizmente não vem ocorrendo. Carros de bombeiros, sistema de informatização da polícia, sistema de identificação criminal, conquistas que o atual governo vive alardeando foram aquisições do governo anterior. Portanto, o discurso dos petistas é inaceitável.

JGB – A falta de presídios é outro problema registrado em nosso Estado. Durante o seu governo o que foi feito neste sentido para atender esta demanda?

Paulo Souto – Não poderia desejar uma pergunta melhor do que esta para expor a verdade.  O problema carcerário já era grave no meu governo e nunca neguei isso. O que foi feito no governo anterior? Construímos novas penitenciárias nos municípios de Serrinha, Itabuna, Simões Filho, Lauro de Freitas e em Salvador. Em nosso governo foi acrescido em 50% o número de vagas existentes. Deixamos em início de construção o presídio de Eunápolis, que até hoje, após dois anos e nove meses ainda sequer foi concluído. Deixamos assinado convênio com o Ministério da Justiça para a construção de um novo presídio em Vitória da Conquista, o governo ainda está definindo o terreno. Nesta área fomos muito mais eficientes. A realidade é que este governo que aí está não tem compromisso com o nível da informação.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9294 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).