O PT não é mais aquele | Por Carlos Lima

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Farinha do mesmo saco

Recentemente estive lendo sobre o nascimento do PT, essencialmente nascido como expressão política da luta sindical. O PT queria ser mais uma ferramenta de defesa da classe trabalhadora. Por um espaço de tempo, foi.

O PT de hoje, na maioria dos seus quadros de direção – nacional, estadual e municipal – criaram atalhos para o poder e atropelaram propostas, projetos e princípios.

Quando Lula presidia o Partido dos Trabalhadores dizia: ”O dia em que dirigentes do PT não puderem mais ir às portas de fábricas, ou locais de trabalho, ou lá onde se luta pela terra, é melhor fechar o PT. Não somos um partido de gabinetes, de salas atapetadas, de conchavos nos bastidores. É lá na porta da fábrica, no local de trabalho, na luta pela terra, na periferia, que nos abastecemos; que aprendemos com o povo, que corrigimos a direção de nosso projeto político, que reafirmamos a nossa fidelidade ao trabalhador brasileiro”.

Atualmente nos deparamos com inúmeros militantes do PT que, se quer, conhece a história do Partido; não tem nenhuma história de luta na sua construção; filiou-se ao PT através de conchavos, modismo político e visando benefícios pessoais em curto prazo. Para se ter certeza do que afirmo, basta analisar a lista daqueles que se dizem petistas e que foram nomeados no governo Jaques Wagner.

Na política petista voltada para a terra, leiam o que dizia Lula quando era militante e presidente do PT. “O Brasil é certamente um dos raros países deste continente que jamais conheceu uma Reforma Agrária. Temos tanta terra e tão poucos proprietários. Muito embora o governo se diga defensor do homem do campo. A única “reforma agrária” que nosso país conheceu foi quando a Metrópole portuguesa o dividiu em Capitanias Hereditárias. E essa divisão prossegue. A terra passa hereditariamente para as mãos de cada vez menos proprietários com maiores extensões de áreas improdutivas. As multinacionais aceleram a exploração capitalista no campo, reforçam o latifúndio, expulsando milhares de famílias que já não têm para onde emigrar. Neste país tão grande, o lavrador sem terra já não tem para onde ir. Só lhe resta uma alternativa: lutar!”

Disse também que: “O PT apóia e apoiará sempre a luta pela reforma agrária, pelo direito de terra para quem nela trabalha, pelos melhores preços dos produtos dos agricultores, com a eliminação dos atravessadores ou intermediários”.

O PT está no poder a quase oito anos. Pergunta-se: O PT  realizou a tão esperada reforma agrária, ou essa reforma ocorreu para ampliar as terras dos poderosos e sacramentar a posse de terra dos Daniel Dantas da vida política e financeira desse país, com as bênçãos do governo federal.

Podemos nos aprofundar nessa e em outras questões que serviram de bandeira para o verdadeiro PT eleger os petistas oportunistas, os quais só foram conhecidos quando chegam ao poder. Seja no País, nos Estados ou nos municípios.

Iremos continuar revivendo discursos, projetos e propostas do PT que um dia conheci e não conheço mais. Salvo raras exceções da sua militância.

*Por Carlos Antonio de Lima, brasileiro, natural de Caruaru, Estado de Pernambuco, nasceu no dia 22 de dezembro de 1951. Jornalista e radialista. Atualmente Tesoureiro da Academia Feirense de Letras, membro do MCC – Movimento do Cursilho de Cristandade da Arquidiocese de Feira de Santana, âncora do programa jornalístico Jornal da Povo, da Rádio Povo, emissora que pertence ao Sistema Pazzi de Comunicação e chefe de Redação e Divulgação da Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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