O Festival de Dança de Joinville | Por Luiz Carlos Amorim

Neste meados de julho, com o frio ornado de flores de jacatirão (manacá-da-serra) e azaléias, quem sabe de ipês, viajo de mala e cuia para o norte catarinense, pois temos o Festival de Dança em Joinville e a Feira do Livro em Jaraguá e vou ficar uns dias por lá para depois seguir para a serra gaúcha. Vou lançar na feira meus livros mais recentes e encher a vista com a beleza da dança na Cidade das Flores.

Quando o Festival de Dança começou em Joinville, eu já morava lá e assisti todas as edições, desde a primeira, enquanto estava na Manchester. Começou no Teatro Harmonia Lyra – eu me lembro que assisti de pé a primeira noite do primeiro ano -, depois passou para o Ginásio Ivan Rodrigues, onde ficou por vários anos, até o Centreventos ficar pronto e o grande evento passou a ter um lugar mais apropriado.

A dança é uma das artes mais sublimes, pois aliada à música, impressiona todos os nossos sentidos. E o Festival de Dança de Joinville espalha essa beleza, esse movimento, essa plástica e seus sons por toda a cidade, não se restringindo apenas ao Centreventos, à mostra competitiva. A dança está nas praças, nos shoppings, nas escolas, nos bairros, nas fábricas, nos hospitais, em todo lugar.

E nos anos 80 e 90, quando ainda existia a Feira de Arte em Joinville, aliávamos a beleza da dança à poesia, levando o Varal da Poesia à praça Nereu Ramos, que tinha um palco fixo (o popular “palco da liberdade”), onde eram apresentados os grupos e suas coreografias que haviam participado da mostra competitiva.

Os “poetas da praça”, integrantes do Grupo Literário A ILHA, produziam e colocavam em cartazes que eram presos a fios esticados perto do palco, dezenas de poemas cantando a dança e os bailarinos que vinham de todos os pontos do país e do exterior para exercitar na Cidade dos Príncipes a mágica poesia do corpo.

Além dos poemas como “Qual grande caixa de música , /a cidade, de sons e cores, / é, também,um grande palco: / a emoção, bailarina, / vibra dentro de todos / e a música é poesia / na ponta das sapatilhas…” ou “A música, / poesia do som, / embala a emoção, /aguça os sentidos, / transborda o coração, / explode por todos os poros / e faz-se movimento, / dança e enlevo…” e muitos outros, que eram exibidos no Varal e distribuídos em sanfonas poéticas, colocávamos na ruas de Joinville out-doors com trechos de poemas homenageando a dança e os bailarinos.

O Festival continua, cada vez maior, mas falta um pouquinho da poesia que existia naqueles tempos de outros festivais ainda vivos na lembrança.

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