Lúcio, presidente do PMDB, rebate acusações de Gramacho e afirma: Política se faz com a verdade

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Íntegra da nota de Lúcio Vieira

POLÍTICA SE FAZ COM A VERDADE

Surpreendeu-me a nota agressiva da prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, do PT, que, fugindo da sua característica de mulher corajosa e combativa, agride o PMDB por não ter coragem de atacar diretamente o governador Jaques Wagner. Mesmo assim a nota deixa clara sua mágoa e decepção, pois motivos para tanto ela tem de sobra.

No que se refere aos espaços que o PMDB tinha no Governo do Estado, vale ressaltar que nunca foram pedidos ao governador. Quando decidimos apoiar a sua candidatura, que à época não apresentava a mínima chance de sucesso, o fizemos apostando em um projeto de mudanças para Bahia e não visando obter cargos. Se esse fosse o objetivo teríamos apoiado a reeleição do então governador Paulo Souto, tido por todas as pesquisas como o grande favorito a ganhar as eleições. A verdade é que, ao ser eleito, o governador Jaques Wagner ofereceu cargos ao PMDB por encontrar no partido quadros competentes e a legitimidade obtida nas urnas para isso.

Quanto ao crescimento do PMDB, é óbvio que foi influenciado pelo fato de nós termos sido peça fundamental na eleição do governador Jaques Wagner. Mas nosso crescimento, ao contrário do que diz a prefeita de Lauro de Freitas, está associado à capacidade do partido de mostrar-se preparado para enfrentar dificuldades e superá-las do que pelas duas secretarias que ocupávamos.

Não fosse assim, caberia ao PT, que ocupava 17 secretarias estaduais e tem o governador, uma melhor performance eleitoral. No entanto, eles saíram das urnas de 2008 com apenas 67 prefeitos enquanto nós do PMDB conquistamos 115 prefeituras incluindo a da capital. A prefeita Moema deveria reconhecer que, apesar da torcida do PT estadual para que o PMDB não crescesse – torcida que, aliás, é praticada contra todos os aliados – o PMDB cresceu pela nossa competência e capacidade de trabalho.

Na nota, a prefeita classifica como “novo erro, não apenas na forma, como no conteúdo” a iniciativa do governador de trazer para a sua base adversários históricos dela em Lauro de Freitas. Cabe aqui relembrar um pouco de história para a prefeita. Em 2004, na eleição para prefeito de
Salvador, o PT apresentou a candidatura de Nelson Pelegrino, contra a de João Henrique que concorria pelo PDT. O PMDB então apoiava a companheira Lídice da Mata, do PSB, tendo inclusive indicado o vice da chapa.

João ganhou a eleição. E o que fez o PT? Em nome da governabilidade, pediu e ganhou a Secretaria da Saúde e a Secretaria da Reparação, além de duas centenas de cargos. Dessa forma, o PT cresceu à sombra do governo de João Henrique, o que facilitou inclusive a conquista do Governo da Bahia dois anos depois, em 2006. Mas não satisfeitos, o PT de Salvador repactuou com João Henrique para ocupar mais duas secretarias – a da Casa Civil e a do Desenvolvimento Social, junto com as quais amealhou mais uma centena de cargos para apoiar a reeleição de João. No entanto, faltando apenas seis meses para as eleições municipais de 2008 e quando o prefeito João Henrique apresentava baixos índices de popularidade, os petistas municipais se comportaram – aí sim, cabe a expressão usada pela prefeita Moema Gramacho – como “verdadeiros sanguessugas prof issionais da política” que “mamaram nas tetas do poder” para depois abandonar o prefeito e lançar candidatura própria imaginando que João não teria chance de reeleição.

Muito diferente foi o comportamento do PMDB. Desde a reeleição de João deixamos claro, inclusive através de documento divulgado na imprensa, que poderíamos apresentar uma candidatura ao Governo do Estado se os compromissos assumidos com o povo da Bahia não fossem cumpridos. A mudança prometida não veio e o PMDB entrega os cargos dando uma demonstração clara à sociedade baiana de que não fazemos a política fisiológica, como muitos, e sim a política baseada em projetos e princípios. Afinal de contas saímos a um ano e meio do próximo pleito e no momento em que o governador mantém bons índices de aceitação popular, além de tempo para recompor seu governo com outras forças, mesmo que estas forças não tenham a legitimidade do PMDB que foi o parceiro do PT na conquista do governo.

 De resto, quando a prefeita Moema enumera os pleitos nas áreas de Saúde, Segurança, Infraestrutura e Cultura que foram encaminhados e não atendidos pelo governador nestes dois anos e oito meses de governo, ela foge do seu estilo direto e corajoso. Mas não deixa de rotular, de forma enviezada, o governo de lento e pouco operoso, o que acaba endossando a percepção das bases peemedebistas manifestada nos encontros regionais, de que o governo do PT que ajudamos a eleger está traindo o povo da Bahia por não realizar as mudanças prometidas em 2006. E, por manter vivo o sonho das mudanças, o PMDB decidiu apresentar candidato a governador em 2010.

Encerro concordando com a opinião da prefeita Moema de que, às vezes, um candidato pode ter dois palanques, como ela defende para o governador em Lauro de Freitas. Nós também defendemos dois palanques para Ministra Dilma na Bahia, lembrando que o governador defendeu três palanques em 2008. A Bahia pode contar sempre com o PMDB, sempre que estiver em jogo os interesses de nosso povo, pois é ao povo que devemos obediência e respeito.

 Lúcio Vieira Lima
Presidente do PMDB da Bahia

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