Falta de planejamento prejudicou a saúde na Bahia

A ausência de políticas públicas e a falta de planejamento futuro na área de saúde de governos anteriores levaram a Bahia a ostentar um dos piores índices na relação número de médicos por habitantes do país. A constatação foi feita hoje (24/08/2009), pelo governador Jaques Wagner durante a instalação do curso de Medicina, da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (UESB), em Jequié.

No Brasil existe um médico para um grupo de 622 habitantes, mas no interior da Bahia a relação é de um médico para 2.459 habitantes, quase quatro vezes e meia maior. A defasagem é resultado da falta de cursos de medicina no interior do estado, que só foi ganhar a sua primeira faculdade em 2001 na UEFS, em Feira.

Não fosse apenas a demora – a Fameb, no Terreiro de Jesus, é de 1807, e a Baiana de Medicina é de 1949 –, há equívocos históricos na implantação de novos cursos.

Em 2004, por exemplo, o campus da UESB, em Vitória da Conquista, ganhou um curso de Medicina, quando estudos e tendências indicavam o campus de Jequié, que já abrigava outros cursos na área de saúde: odontologia, enfermagem e biologia, o que já garantia a presença de um qualificado e robusto quadro docente.

A decisão de levar o curso para Conquista foi um desastre, pois, além de ter que começar do zero, ao contrário de Jequié, que já tinha uma infraestrutura adequada, provocou um efeito colateral: abortou o projeto de um curso de medicina da UFBa, que já tinha tudo pronto para se instalar lá.

Wagner lamenta que equívocos como estes penalizem hoje a Bahia e que a única forma agora de superar esse quadro de atraso é o trabalho. Segundo ele, não dá para mudar tudo da noite para o dia, mas é possível diminuir a defasagem, estimulando a expansão básica de atenção com os postos de saúde e formando médicos que permaneçam no interior. “Tem prefeitura oferecendo salários de R$ 14 mil e não há médicos para preencher as vagas”, constatou o governador.

Em Salvador, a relação médico versus habitantes é de um para 334 e na Bahia (capital mais interior) a relação é de um para 1.116 habitantes. No Nordeste, a relação é de um médico para um grupo de 1063 habitantes.

Redação do Jornal Grande Bahia
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