‘Bonfim de Feira: terra de lendas e religiosidade’ é objeto de estudo de Grupo de Pesquisa da UEFS

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) divulgaram os resultados do projeto Bonfim em Foco, desenvolvido no distrito de Bonfim de Feira, município de Feira de Santana, BA.

O Grupo de Pesquisa Geotecnia, Recursos Naturais e Geoprocessamento, composto por Liana Barbosa, Alissandra Souza Silva, Davi Cerqueira Grilo, Glorelice Almeida Santana, Gracinete Bastos de Souza e Laina Freitas Melo, pretendia levantar as características dos recursos naturais e os materiais de construção que compõem o distrito, como descrição das rochas, formação de serras, riachos e vegetação. Mas, durante os trabalhos, a partir de depoimentos dos moradores, foram detectados aspectos que ampliaram o raio da pesquisa.

Os resultados da pesquisa foram expostos para a população

Com os relatos da memória viva da população local, foi possível mapear aspectos históricos, culturais, religiosos, econômicos, o imaginário e o cotidiano das pessoas.

Os relatos informais dos moradores foram posteriormente comparados em documentos e registros que permitiu a esquematização da linha do tempo do distrito. Isto resultou, inclusive, na produção do documentário “Bom Fim, Bonfim em Foco”.

Rochas do distrito  foram catalogadas e expostas

Os registros indicam o povoamento no distrito de Bonfim de Feira desde 1783 quando houve a doação do terreno para construir a Igreja Senhor do Bonfim. A sede distrital fica localizada no alto da colina e praticamente toda a povoação do distrito fica sobre rochas.

O distrito está situado a 31 quilômetros da sede de Feira de Santana, entre a região do recôncavo e do sertão baiano. É cortado pelo Rio Ribeirão do Cavaco que deságua no Rio Jacuípe e por mais dois rios secundários – o Riacho da Mussuca e do Cabano. As principais atividades econômicas são a criação de animais, a cultura do fumo que já foi bastante significativa, e a agricultura de subsistência.

Manifestações culturais

Mas é o conhecimento popular e a religiosidade que mais chamaram a atenção dos pesquisadores. Conforme a geóloga, professora mestre e doutora da Uefs, Liana Barbosa (foto), “Bonfim de Feira é a terra das lendas e das festas religiosas. Aqui, o catolicismo é tão forte quanto também é o candomblé. O sincretismo religioso é muito comum”, diz.

Segundo os estudos, o distrito possui um monte – o topo da colina rochosa – onde se localiza uma capela e onde é local de peregrinação entre os moradores. É lá onde estão guardadas várias lendas e costumes como a troca de santos e a lenda do “Pé” e da “Carruagem”.

Algumas manifestações culturais se mantêm até hoje, cultivadas pelos moradores. A Procissão de Ramos permanece realizada com plantas medicinais. A Lavagem do Bonfim continua sendo realizada no mês de maio. A procissão de São Roque permanece viva e foi realizada recentemente. Os moradores estão se preparando para a organização da Cavalgada que deve ocorrer em breve. Existe também a festa de Santo Antônio, a caminhada até o monte na Festa de Santana, entre outras festas religiosas.

 Memória arquitetônica

 A pesquisa chegou à conclusão que não há uma preocupação quanto à preservação da memória arquitetônica do distrito. “Grandes casarões estão em ruínas, muitos foram derrubados, novas construções se ergueram, e nesses três anos pudemos presenciar o Casarão da Rua de Orora, um dia em pé, mas em outro desabado por falta de preservação”, lamentou Liana Barbosa.

 O Casarão da Rua de Orora já foi clube de moradores. Abandonado, o espaço vinha sendo utilizado nos últimos anos por um grupo de capoeiristas. Em maio deste ano, o teto desabou e as grades de ferro, portas e janelas foram extraídas. O prédio encontra-se em ruínas.

 O coreto, a Cruz de Pedra e a Igreja Senhor do Bonfim formam o principal conjunto arquitetônico. As pedras que formam o calçamento da sede do distrito são compostas por granito, rocha ígnea, rocha metamórfica, gnaisse, ardósia, quartzito e granulito. Além disso, os moradores conhecem até hoje as ruas pelos nomes antigos e não pelos nomes adotados pela prefeitura. A Rua de Orora, por exemplo, oficialmente é a Rua José Freitas.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 110049 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]