Quem paga para ver acaba pagando caro e vendo o que não que | Por Luis Suica

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 A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros. Devem ser zeladas pelo indivíduo em particular”. Essa frase do líder indiano Mahatma Gandhi aponta um caminho pelo qual, acredito, devemos trilhar.

Sou filiado ao PT e é inegável a contribuição que os petistas deram para que o Brasil avançasse nas questões sociais, em especial na conquista de direitos trabalhistas com nossa atuação sempre efetiva nos sindicatos dos trabalhadores e demais entidades populares.

O que questiono hoje é a subserviência de diversos sindicalistas que transformaram as entidades sindicais em extensão dos governos petistas em seus diferentes níveis. Em nome da “defesa do PT” vários sindicatos se esqueceram dos interesses da categoria que têm por obrigação defender.

A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza do Estado da Bahia (Sindilimp-BA), a qual tenho orgulho de pertencer, decidiu em reunião realizada na tarde de quarta-feira, dia 8 de julho, adotar uma ação que ela qualifica como radical e não violenta como a utilizada pelo líder indiano Mahatma Gandhi para a libertação da Índia. A decisão prevê que caso o governo estadual não apresente até segunda-feira, dia 13, uma solução para o pagamento dos cinco meses em atraso em relação aos trabalhadores terceirizados, em especial do setor de limpeza, a diretoria vai realizar no Centro Administrativo da Bahia (CAB), dia 14, ações como greve de fome, acorrentar-se a prédios públicos, deitar nas avenidas do local e outras atividades buscando uma solução imediata para esse impasse.

O que não suportamos é ver tanta gente honesta e trabalhadora passar necessidades quando tem direito ao salário pelos cinco meses trabalhados. É uma vergonha que um governo eleito sob o signo da mudança admita que isso ocorra sem dar a menor satisfação.

Quando falamos que vamos nos manifestar contra ações incorretas do governo estadual escutamos dos nossos companheiros de outros sindicatos que não podemos fazer isso porque precisamos “proteger e fortalecer o nosso governo”. Ora, que nosso governo é esse que deixa trabalhadores sem salários há cinco meses e não toma nenhuma providência?

O Sindilimp-BA em seu coletivo e eu individualmente não vou me calar. A não violência de nossa parte é, sim, ativa. Não concordamos com o descaso governamental e das empresas e para mudar esta situação agimos para causar ao governo estadual constrangimento diante da opinião pública. Não podemos mais ver tanta miséria em nossa categoria e nada de concreto ser realizado.

Levando-se em conta que cada trabalhador, em média, sustenta mais 4 pessoas, são mais de 30 mil pessoas passando dificuldades por um misto de descaso, incompetência administrativa e política. Se até o dia 13 de julho não recebermos uma proposta séria para solucionar o problema do calote aos terceirizados, o responsável pelas conseqüências das atividades que realizaremos a partir do dia 14 será única e exclusivamente o governador Jaques Wagner.

Finalizo mais uma vez recorrendo ao Mahatma Gandhi: “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver”. Outra frase que também pode ser empregada é a seguinte: ‘Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova’. Esperamos que nossa ação faça o governo estadual atender milhares de famílias que enfrentam dificuldades por não ter seus direitos básicos respeitados.

Contamos com o apoio de cada cidadão que sabe que antes e acima de tudo está a nossa dignidade e nossa honra.

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