Líder tucano quer investigação sobre denúncia de desvio de recursos pela Fundação José Sarney

Arthur Virgílio Neto.
Arthur Virgílio Neto.
Arthur Virgílio Neto.
Arthur Virgílio Neto.

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), disse há pouco, em plenário, que vai pedir ao Conselho de Ética do Senado, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue as denúncias de que recursos públicos repassados pela Petrobras à Fundação José Sarney teriam sido desviados para firmas fantasmas e empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

“Já existe no Conselho de Ética uma denúncia contra o presidente Sarney. Eu vou aditar à denúncia este outro fato. Estou indo ao Ministério Público Federal para pedir que examine o que a matéria [publicada hoje (09/07/2009) pelo jornal O Estado de S. Paulo] denuncia relativamente à Fundação José Sarney. E a mesma providência irei requerer do Tribunal de Contas da União”, declarou Arthur Virgílio.

A fundação foi criada para preservar a memória de José Sarney, reunindo em um museu instalado em um prédio histórico – um convento construído durante o século 17 – de São Luís, capital do Maranhão, acervo do período em que o senador foi presidente da República, além de sua obra literária.

Poucos minutos antes do discurso do líder tucano, que não presenciou por ter deixado a presidência da sessão, alegando ter outros compromissos, Sarney afirmou não ser responsável pela administração da entidade que leva seu nome.

“Não tenho nenhuma responsabilidade administrativa naquela fundação”, disse o presidente do Senado, após ser interpelado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “E, ao que sei, ela teve um projeto aprovado pela Lei Rouanet, pelo Ministério da Cultura, sujeito a um patrocínio da Petrobras, como, evidentemente, muitos dos memoriais de presidentes das Repúblicas já o tiveram”, concluiu o senador, garantindo que a fundação já enviou ao Ministério da Cultura sua prestação de contas, cabendo ao Tribunal de Contas da União apurar eventuais irregularidades.

A resposta de Sarney, no entanto, não satisfez o senador Álvaro Dias. Para ele, o Senado Federal passa por uma “grave crise moral expressa em 15 anos de licenciosidade” e o surgimento de diferentes denúncias envolvendo Sarney contribui para criar um “clima de ingovernabilidade” no Senado.

“O presidente Sarney diz não ter nada com isso. Eu não estou aqui fazendo um julgamento definitivo, dizendo que Sua Excelência, ao contrário, tem a ver com isso, mas sim que não caberia a Sua Excelência ficar a cada dia apresentando uma nova explicação para uma nova denúncia que surge”, comentou Álvaro Dias. “Deus permita que não surjam novas denúncias, porque assim se vai criando um clima de ingovernabilidade desta Casa”, disse o senador tucano.

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