Especial: Migrantes na Crise Global

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Rádio ONU conversa com brasileiros que vivem em Nova York sobre o impacto da recessão em remessas de migrantes.

Segundo Banco Mundial, quantidade de dinheiro enviado à casa cairá para US$ 290 mil milhões este ano, US$ 15 milhões a menos que em 2008 por causa da crise. De acordo com o Banco Mundial, o mundo tem 200 milhões de pessoas vivendo fora de seus países. Muitas delas enviam para casa todos os meses remessas para manter suas famílias, e em alguns casos, investir no futuro com a promessa de talvez algum dia retornarem ao país onde nasceram.

Xenofobia

Mas a crise financeira, surgida no ano passado, está mudando um pouco os planos desses migrantes.

Segundo o Banco Mundial, o volume das remessas deverá cair de US$ 305 bilhões para US$ 290 bilhões, o equivalente a quase R$ 580 bilhões.

As dificuldades não param por aí. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, em Portugal, os casos de xenofobia e violência contra estrangeiros estariam aumentando na Europa.

A repórter Carla Fernandes saiu às ruas de Manhattan para conversar com brasileiros que enviam dinheiro para casa. Nesta agência no oesta da ilha na Rua 46, ela perguntou a eles se o número de remessas aumentou ou diminuiu, e praticamente ouviu a mesma reposta de todos:

“Piorou muito! Diminuiu quase uns 90%. Eu mandava quase US$ 1,5 mil que é mais ou menos o que ela precisa para viver la e agora não mando nem US$ 100.”

Negócio

“A crise econômica influiu na situação pessoal de todo mundo. Trabalhamos o mesmo e ganhamos menos dinheiro.”

Na Europa, a situação não é diferente.

O presidente da Associação de Imigrantes Angolanos, Imbondeiro, Manuel Lotutala, contou à Rádio ONU, de Bonn, na Alemanha, que a crise também está afetando os estudantes angolanos que integram um sistema que permitia a eles trabalhar no país.

“Conheço alguns jovens que querem fazer o sistema dual, que significa estudar e trabalhar. Antigamente havia as bolsas e as instituições pagavam aos bolseiros. Agora com a crise financeira, já não há fundos para esse efeito e os próprios bolseiros têm que trabalhar para pagar os estudos.”

Cabo Verde

Com menos remessas, os países africanos que recebem o dinheiro também começam a sentir os efeitos.

No contexto da África lusófona, muitos especialistas previam que a economia cabo-verdiana, em especial, sofresse um grande abalo com a diminuição dos envios dos migrantes.

Mas segundo o Banco de Cabo Verde, BCV, a crise parece ainda não ter chegado ao arquipélago.

Tendência

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos do Banco de Cabo Verde, António Péricles, disse à Rádio ONU de Cidade da Praia, que sua folha de remessas ainda continua no azul.

“Quando vemos os dados dos primeiros meses do ano, comparando com os dados do mesmo periodo do ano passado, há uma ligeira tendência de aumento.”

Segundo o BCV, nos primeiros cinco meses deste ano os cabo-verdianos residentes nos Estados Unidos, por exemplo, enviaram 643,58 milhões de escudos para o país, o equivalente a € 5,85 milhões.

Segurança

António Péricles do Banco diz que uma das razões para o aumento das remessas é o fator psicológico e a segurança que muitos migrantes sentem em Cabo Verde.

“Há todo um fator de confiança na terra. As pessoas pensam que pondo as suas poupanças na terra delas que elas estão seguras. Porque neste contexto de crise, os bancos na Europa ou nos estados Unidos estão a falir e não sabendo onde colocar as poupanças preferem enviar tudo para a sua terra. Tudo isso pode ser um factor que leva os imigrantes a pensarem dessa forma.”

Na América Latina, o Brasil é o terceiro país a obter o maior número de envios, cerca de US$ 4,5 bilhões, no ano passado.

“Está bem dificil, eu estou com muita vontade de voltar para o Brasil.”

E várias agências especializadas em enviar dinheiro estão sofrendo com os efeitos da crise.

Um negócio rentável até antes bem pouco tempo, mas que como muitos outros já começa a sentir o peso da recessão global.

*Com informação da Rádio ONU.

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