Aos artistas baianos, à oposição e às viúvas do passado | Por Oldack Miranda

Tão certa quanto a necessidade de os jornalistas editarem suas entrevistas, é a possibilidade de má interpretação das poucas palavras transcritas em minutos de uma conversa que não cabem numa reportagem.

O Governador Jaques Wagner lamenta a má interpretação dada a trechos das declarações prestadas logo após o desfile cívico do 2 de Julho e publicadas nesta sexta-feira. Não houve intenção de ofender quem quer que seja, muito menos a classe artística.

Em sua entrevista, o Governador fez considerações genéricas sobre críticas ao governo tornadas públicas por qualquer segmento, como fizeram artistas no 2 de Julho. O conceito expresso na entrevista se aplica ao setor cultural e aos demais.

Entende o governador Jaques Wagner que as críticas são naturais da democracia e, portanto, devem ser absorvidas com naturalidade. Ao suceder um mesmo grupo político e suas práticas, depois de dezesseis anos consecutivos de poder, seria estranho se as mudanças não provocassem reações. Até porque a principal mudança consolidada desde a eleição de 2006 é o respeito à divergência como princípio, e não como concessão.

A política cultural expressa a convicção deste governo em torno da necessidade de dar mais transparência na aplicação dos recursos destinados à área, de desconcentrar os investimentos e estabelecer critérios de acesso a esses recursos, compatíveis com a diversidade cultural da Bahia.

O número de projetos contemplados pelo Fundo de Cultura saltou de 40 para mais de 400. Menos de 5% dos recursos do Fundo eram direcionados para o interior, e hoje mais de 40% vai para municípios de todas as regiões da Bahia. Metade desse dinheiro ficava com o próprio governo, e desde o início da gestão, como parte das mudanças implementadas, 100% é direcionado ao apoio a projetos encaminhados pela sociedade.

Na entrevista, genericamente, e numa reflexão sobre todos os acontecimentos da caminhada entre a Lapinha e o Terreiro de Jesus, o Governador classificou os críticos em três grupos: os que discordam das nossas políticas por terem outras convicções, os que têm problemas objetivos com o governo como pagamentos pendentes, por exemplo e os que tinham relações políticas com os governos anteriores. “Estes merecem e terão sempre o tratamento respeitoso que se deve a qualquer adversário”, assegura Jaques Wagner.

O uso da expressão “viúvas” não se aplica à classe artística e não deve ser entendido dessa forma. Nada mais é do que um jargão da política para referir-se a quem é derrotado e deixa o poder. “Os que reclamam dos pagamentos em atraso têm razões justas para fazê-lo até a solução de qualquer pendência. E aqueles que têm divergência de mérito sobre a gestão terão sempre, muito mais que o devido respeito, a oportunidade de, em diálogo franco e respeitoso, expor suas divergências”, assegura o Governador. E enfatiza: “isso vale para qualquer setor”.

Ao expressar mais uma vez o seu profundo respeito pela classe artística e pelo conjunto de trabalhadores do segmento de comunicação e cultura, o Governador Jaques Wagner reitera sua permanente abertura para o diálogo com estes profissionais sobre a política cultural em curso.

*Por Oldack de Miranda é jornalista, escritor (foi co-autor do livro biográfico Lamarca, Capitão da Guerrilha), é Assessor de Comunicação e Ouvidor Especializado do DESENBAHIA – Agência de Fomento do Estado da Bahia S.A.

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