Robinho é o cara | Por Juarez Duarte Bomfim

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Nesta quarta, 10 de junho de 2009, mais uma vez Robinho fez uma exibição de gala

No país onde o rei do futebol é o Negão, pululam principescos neguinhos na arte pebolística. Eles costumam chamar-se Claudio Adão, Dener, Edilson Capetinha ou simplesmente Robinho.

Desde que aquele jovem moleque pedalou para a conquista do título inédito do Brasileirão pelo Santos em 2002 que o Brasil e o mundo se encantaram com este exímio artista da bola.

Leiloado precocemente para o mercado futebolístico internacional, Robinho foi adquirido, em transação milionária, pelo clube-empresa Real Madrid (2005).

O Real Madrid, apesar de seu carisma e tradição, representa tudo de nefasto que existe no futebol: o futebol negócio, isto é, este popular e competitivo esporte ser tratado como um mero negócio.

Para que o rentável negócio chamado futebol do Real Madrid funcione é preciso que este clube seja eficaz e eficiente. Quer dizer, que ele vença sempre, com exibições espetaculares dos seus atletas.

Para clubes assim não existe meio termo: ou está no céu, na ponta da tabela, campeão espanhol e europeu ou… está em crise.

Na demorada adaptação de Robinho ao futebol espanhol, demorada, diga-se de passagem, para os nervosos padrões deles, pois foram apenas poucos meses para o moleque santista mostrar o seu belo futebol. Antes, porém, pesadas críticas e suspeitas recaíram sobre o craque, colocando-se em dúvida o seu excelente futebol.

Em plena crise de relacionamento entre clube e jogador, alimentada pela imprensa, este que vos escreve encontrava-se em terras salmantinas (Salamanca-Espanha) para curso de doutoramento, quando, em la movida, isto é, numa agradável noite com colegas e amigos onde saíamos pelos bares daquela encantadora cidade monumental, bebendo vinho e beliscando tira-gostos (tapas), os espanhóis presentes me fizeram duas perguntas, a primeira delas embaraçosa:

– E Lula?

Bem, não sabia o que responder, pois é uma pergunta e resposta assaz complexa. Porém, estávamos no auge da crise do mensalão. Na lata, repeti famosa frase, pero en castellano:

– Yo no compraría un coche usado de sus manos…

A segunda pergunta:

– E Robinho?

Responderei já traduzido:

– Como os madridistas duvidam do futebol do craque brasileiro, torço para que Robinho seja transferido ao arquirrival Barcelona, para vocês chorarem o leite derramado..

Demorou mas Robinho brilhou no Real Madrid e, logo depois no Manchester City e sempre na Seleção Brasileira.

Nesta quarta, 10 de junho, mais uma vez Robinho fez uma exibição de gala, especialmente nos dois grandes momentos do jogo. Quando o placar estava adverso para o Brasil, magicamente ele colocou para dentro das redes adversárias uma improvável bola, num chute de primeira, na chapa, e empata a partida.

Todavia, o ponto alto do jogo foi aquele onde ele apenas acompanha a trajetória da bola chutada pelo novato Nilmar, que entra redonda no gol adversário, marcando a vitória brasileira de virada (2X1), contra o Paraguai, no Estádio do Arruda, em Recife.

Por que não se antecipara Robinho empurrando a gorduchinha para dentro do gol? Por que não foi ele o autor do tento da vitória?

Duas versões foram aventadas pelos cronistas esportivos:

A primeira é que, generosamente, magnanimamente, ele não foi fominha, guloso ou egoísta e presenteou o novo colega de Seleção com um importantíssimo gol. Com isso mostrou espírito de equipe e nobreza de atitude.

A segunda e improvável versão é a de que apenas acompanhando a trajetória da bola e de mãos para o alto, sinalizava aos bandeirinha e juiz da partida que não participava da jogada, já que se encontrava em posição de impedimento (tese frágil esta, pois como não participar da jogada estando a apenas poucos centímetros da pelota?).

Seja como for, qualquer uma das duas versões ou as duas juntas enaltece o gênio, o craque que simboliza o bom momento da Seleção Brasileira, com as convincentes vitórias sobre a competitiva seleção paraguaia nesta noite de quarta e, no domingo passado, sobre o Uruguai no Estádio Nacional de Montevidéu, quebrando um tabu de 33 anos sem vencer naquela histórica praça.

 

Juarez Duarte Bomfim
Sobre Juarez Duarte Bomfim 740 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]