Os livros escolhidos e a desculpa do Estado|Por Luiz Amorim

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O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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Sou obrigado a voltar ao assunto. Lembram do meu artigo sobre o escândalo dos 130.000 livros comprados pelo Estado de Santa Catarina, por um milhão e meio de reais e que depois foram recolhidos? Pois é, a história estava mal contada e continua sem explicações.

Li, em 2 de junho, uma matéria de grande jornal sobre a polêmica do recolhimento, pelo Estado, dos 130.000 livros que haviam sido comprados e distribuídos às escolas públicas de segundo grau.

Nessa mesma matéria, há a informação de que “a compra dos livros ocorreu por meio da lei que determina que o Estado adquira livros de autores da terra, selecionados pela Comissão Catarinense do Livro, para bibliotecas municipais catarinenses.”

Há que se esclarecer alguns pontos sobre essa afirmação prestada ao jornal. Primeiro, a lei Grando, que é a lei mencionada, não foi cumprida até agora, apesar de ter sido promulgada há quase vinte anos. Segundo, para comprar livros através dela é necessário que se publique o edital para seleção dos livros a serem comprados. E o primeiro edital da Cocali para começar a cumprir a Lei Grando só está saindo publicado agora, com início de inscrições no dia 8 de junho. Terceiro, o edital é para aquisição de 300 (trezentos) exemplares de dez obras que serão selecionadas e não 130.000 (cento e trinta mil).

Como já perguntei em outro artigo, desde quando o Estado compra livro indicado para o Vestibular para cada um dos alunos do segundo-grau da escola pública catarinense?

De quem partiu a idéia de comprar essa quantidade imensa de exemplares de uma mesma obra, sem ao menos lê-la para saber se era apropriada, provocando o recolhimento e transformando em pó um milhão e meio de reais, dinheiro tirado do imposto suado pago pelo cidadão catarinense? Quem autorizou esse gasto? E a tal licitação, que foi citada pela Secretaria de Estado da Cultura em todos os jornais, há alguns dias, dá a idéia de que havia pelo menos três editoras publicando e vendendo o livro, o que não é verdade. A editora é uma só.

Então toda essa história está muito mal contada. Usar a Lei Grando como desculpa não está colando.

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