O analfabeto tem um direito roubado|Por Emiliano José

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
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O analfabeto tem um direito roubado

Professor universitário, durante 25 anos, Emiliano José (PT-BA) não poderia deixar de abordar a questão da educação em seus primeiros pronunciamentos depois de assumir o mandato de deputado federal.  E assim aconteceu. Primeiro, protestou pelo ataque eleitoreiro à Petrobras com a CPI do Senado e, logo em seguida, discursou sobre o analfabetismo na Bahia (27/05/2009). Para ele, “ninguém é analfabeto porque quer. Ser analfabeto é decorrência das condições de vida, fruto do descaso político. O analfabeto tem um direito roubado – o direito de leitura do mundo pela palavra”.

Sobre o analfabetismo não adianta dourar a pílula

Em seu discurso, o deputado Emiliano José (PT-BA) disse: “não devemos temer a verdade. Vamos falar de um escândalo. A verdade ajuda a transformar o mundo. E não adianta dourar a pílula, fingir que está tudo bem como fizeram as elites baianas ao longo da história. Os dados do IBGE de 2005 apontam uma taxa de analfabetismo na Bahia acima de 19%, quase o dobro da taxa nacional (11%) e pouco abaixo da taxa nordestina (22%). Isso sem falar do analfabetismo funcional que chega a 35%. Durante 40 anos tivemos uma política perversa que produziu analfabetos na Bahia”.

O Governo da Bahia está enfrentando o analfabetismo

Pelo olhar do deputado Emiliano José (PT-BA), o Governo de Jaques Wagner, desde que começou, em janeiro de 2007, passou a enfrentar a questão. “O programa Todos pela Alfabetização (TOPA), o maior programa de combate ao analfabetismo em todo o País, está envolvendo toda a sociedade baiana nessa luta. Já foram alfabetizadas mais de 171 mil pessoas, superando em muito a meta que havíamos fixado, de 100 mil pessoas, entre 2007 e 2008”.

“O objetivo é alfabetizar 1 milhão de pessoas com 15 anos ou mais. Meta que parece ambiciosa, mas que já se demonstrou viável pelo desempenho do primeiro ano. Especialmente porque, além do empenho do governo, crescerá ainda mais o envolvimento da sociedade nessa guerra contra o analfabetismo.

A meta, depois da primeira etapa, é alfabetizar 300 mil pessoas por ano, e creio que, com o entusiasmo com que o TOPA foi recebido, com a superação da meta do primeiro ano, o objetivo será conquistado com relativa tranqüilidade”.

Negros e negras representam maioria dos analfabetos

Segundo Emiliano José, “nessa segunda fase foram cadastrados até agora quase 351 mil alunos. Destes, 228 mil foram mobilizados pelos movimentos sociais e sindicais, sendo 60% da zona rural e 40% da zona urbana. Nesse contingente, as mulheres representam um número expressivo — 88%. Os homens, 12%. Os negros e negras representam imensa maioria”.

Há dados impressionantes quando ainda tínhamos 216 mil inscritos. Foi registrado o atendimento de 301 pessoas com mais de 90 anos. Dentre estas, 24 com mais de 100 anos. Não é emocionante ver pessoas no outono da vida, tão confiantes em si mesmas, e tão dispostas a encontrar a luz da palavra escrita?

Emiliano aplaude Prêmio Cosme de Farias

É com imensa satisfação que registro: “O governo da Bahia instituiu o Prêmio Cosme de Farias, para reconhecer e premiar ações de pessoas físicas ou jurídicas voltadas à alfabetização. Justa homenagem. Cosme de Farias foi um obstinado adversário do analfabetismo, e esse reconhecimento é uma obrigação nossa. Nós só fazemos bem as coisas no presente se somos capazes de buscar no passado pontos de luz que nos iluminem. Cosme de Farias é um desses pontos de luz. Um iluminado, obstinado homem do povo, que fundou a Liga Baiana contra o Analfabetismo, que sobreviveu até 1970”.

“A Bahia tem o privilégio também de ser berço de Anísio Teixeira, um dos mais importantes educadores brasileiros e que, a seu tempo, remou contra a maré, insistindo numa educação emancipadora. Morreu em circunstância nunca esclarecida no auge da violência da ditadura militar, em 1971”.

São dois exemplos, disse o deputado Emiliano José, “que devem nos animar com o bom combate contra o analfabetismo. Um, intelectual refinado, obstinado defensor de uma educação integral, emancipadora. Outro, também a seu modo um intelectual, homem do povo, e que dedicou a vida na luta pela alfabetização”.

São dois milhões de analfabetos na Bahia

O analfabetismo nos agride mais em tempos de revolução tecnológica. Hoje, o poder tem tudo a ver com educação. “Nós, os que lemos, os que tivemos o privilégio de aprender a ler, de chegar a uma universidade ou até mesmo a completar um curso médio, temos que nos indignar de modo especial com a existência, na sociedade baiana, de dois milhões de analfabetos”.

“Portanto, se conseguirmos, ao final dos primeiros quatro anos do governo Wagner reduzir isso à metade, teremos dado um grande passo para extirpar de vez o analfabetismo. O analfabeto é analfabeto porque o Estado não tomou a decisão política de garantir o direito dele à leitura. O governo baiano, hoje, está com todas as forças, lutando para garantir esse direito. Nós já dissemos que o analfabeto tem conhecimento, que ninguém se engane. Que tem discernimento. Que é capaz de avaliar situações. De decidir politicamente.

As elites brasileiras acreditaram que poderiam manter o Nordeste atrelado a oligarquias atrasadas. Confiavam na suposta ignorância do povo. Imaginavam ainda a existência do voto de cabresto ou a manutenção dos currais eleitorais ou grotões, como se queira chamar a política que pretendia manter uma clientela agarrada aos pequenos favores. Nas últimas eleições, tais elites deram com os burros n’água. O povo tem crescido politicamente, tem avançado na sua afirmação, afirmado sua cidadania. A superação do analfabetismo será outro passo dado na afirmação da cidadania”.

LEIA NA ÍNTEGRA: http://www.emilianojose.com. br/texto_discurso.php?ID=309

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