Cachoeira: Notificação dá início à pesquisa da Festa da Boa Morte como patrimônio imaterial

Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira.
Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira.

Por ser uma manifestação tradicional, de relevante valor histórico e cultural, a Festa da Boa Morte pode entrar para o rol de bens culturais protegidos pelo Estado através do registro como patrimônio imaterial da Bahia. A notificação pública foi assinada hoje (25/06/2009) pelo governador Jaques Wagner.

Nessa data, a administração do governo estadual é transferida oficialmente, por meio de decreto, para a cidade de Cachoeira, como homenagem às batalhas que deram início à libertação da Bahia e do Brasil das tropas portuguesas. Após assinada pelo governador, a notificação será publicada no Diário Oficial do Estado e em dois jornais de grande circulação.

Segundo o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Frederico Mendonça, as ações do registro – utilizado para os bens imateriais – ou do tombamento – para bens materiais – permitem maior proteção dos poderes públicos para com esses acervos culturais.
“É fundamental que todos tenham conhecimento dos benefícios efetivos que o tombamento e o registro podem trazer”, afirmou Mendonça. Ele disse que o reconhecimento oficial garante, por exemplo, que esses bens, tombados ou registrados, tenham prioridade em todas as linhas de financiamento de programas culturais dos municípios, estados e da União.

Após finalizar a pesquisa, o Ipac envia o dossiê ao Conselho Estadual de Cultura (CEC), que pode acatar ou não, sugerindo complementações e novas pesquisas. Após o aceite do CEC, o processo segue para apreciação do governador e, finalmente, para publicação do decreto no Diário Oficial do Estado.

O gerente de Pesquisa, Legislação Patrimonial e Patrimônio Intangível do Ipac, Mateus Torres, explicou que os estudos são minuciosos, com análises e conclusões bem fundamentadas. Com a abertura do processo de reconhecimento da Festa da Boa Morte como patrimônio imaterial da Bahia, o documento também será inscrito no livro do registro especial dos eventos e celebrações.

Além da análise de jornais, documentos de arquivos públicos e levantamentos bibliográficos, os técnicos do Ipac pesquisam fotografias e imagens de cinema e vídeo produzidas sobre a Festa da Boa Morte.

Outra etapa compreende as entrevistas com antigos integrantes da irmandade, estudiosos, pesquisadores e especialistas no assunto. Geralmente, o Ipac promove ainda ciclo de palestras, onde serão discutidas ações de conscientização e preservação dessa entidade e festividade.

A irmandade

Com origem nas senzalas, há cerca de 150 anos, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte tinha o intuito de alforriar negros ou dar-lhes fuga, encaminhando-os para o Quilombo do Malaquias, em Terra Vermelha, zona rural de Cachoeira.

Com a abolição da escravidão, as irmãs se aproximaram da Igreja, surgindo assim a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. A festa é realizada na Rua 25 de Junho, em Cachoeira, entre 13 e 15 de agosto (Dia da Assunção de Nossa Senhora). A cidade, de 403 quilômetros quadrados, fica pequena para os cerca de cinco mil turistas que prestigiam a festa e trazem homenagens.

Redação do Jornal Grande Bahia
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 108238 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]