Depois de atirar o pau no gato

Quando crescemos, depois de aprender a atirar o pau no gato, passamos a ter medo do Lobo que engoliu a Vovozinha

É um fator de motivação, muito importante para quem escreve, os comentários enviados pelos leitores. Principalmente quando são elaborados de forma justa e construtiva. Um dos comentários que mais me impressionou foi o enviado pelo Professor Doutor Everaldo Queiroz, referente ao artigo “As Canções de Ninar”, que publiquei em 09.06.2009. O nobre educador retornou a determinada época de sua carreira, relembrando de um fato curioso vivido por ele. Conheça na integra o comentário do digníssimo Mestre.

Um caso itaparicano em minha trajetória de vida.

Pelos idos dos anos noventa, uma liderança feminina de Itaparica, me convidou para realizar uma palestra de abertura da semana pedagógica. Estava no auge! Era o início dos trabalhos pioneiros da “ilha do Medo”, a primeira estação ecológica da Baía de Todos os Santos. Fui todo “serelepe”. Vivia os momentos acadêmicos de liberdade de expressão. Nem tanto. Sinceramente, não entendia as idiossincrasias municipais. Isto aconteceria muitos anos, muito mais tarde. Mas, eu era feliz.

Fui. As professoras, sempre núcleo de votos, estavam indiferentes a movimentação do novo “ecologismo”. Ilha do Medo, como fato de mudanças de paradigmas ambientais, era muito mais um fato exógeno, do que pertencente ao ideário local ou ao imaginário coletivo itaparicano. Porém, era essa a nossa função. E “lá vamos nós”.

Apresentação extremamente formal e de trajes poucos informais, desde a sandália japonesa, até as batas e o rabinho de cavalo, muito mais abundante. Após o ato consagrado de meu currículum, pontuado e elevado ao nível de Doutor, era Mestre, iniciei minha fala.

Como começar para atrair e segurar a atenção, é o dilema de todo palestrante. Uma turma de professores, não difere muito de uma turma de alunos entediados com o formato acadêmico. Fora da sala de aula eles têm muito mais coisas interessantes a fazer. Cuidar dos filhos, do esposo, do amante, quer sair para namorar e alguns, até, para “tomar umas”. Algumas.

Tentei, juro, segurar a galera. Iniciei a fala, afirmando que nós os Professores éramos profissionais em extinção. Reparem que utilizei o pronome NÓS. Continuei: pela manhã nossos alunos assistem a Professorinha XUXA e a tarde, a Professorinha Angélica. Xuxa, ao lado do Rei do Futebol, era uma rainha. Passava na telinha da GLOBO. Quem não lembra? E Angélica, debutava na REDE MANCHETE. Salvo engano.

Provoquei, muito mais, ainda: Por falar nisso, quem assiste ou recomenda a TV EDUCATIVA? Tenho certeza que o dial da TV vive enferrujado no canal 11. Lembre, eram os anos 90, século passado. O “Carlismo” a todo vapor. E a liderança, Vereadora de longas datas no município, era uma fervorosa defensora de ACM. O constrangimento foi generalizado.

Ademais, como aquela figura exótica poderia desafiar o poder e falar mal, do maior político que a Bahia já havia visto? Fui em frente e lancei mais um petardo. O tema era ecologia: Vocês já pensaram nas músicas que Vovó e mamãe cantam e cantaram para a gente? Atirei o pau no gato, Medo do boi da cara preta, etc. Continuei: quando crescemos, depois de aprender a atirar o pau no gato, passamos a ter medo do Lobo que engoliu a Vovozinha.

Dito isto, a minha palestra, a do ilustre Professor que foi elevado a condição de Doutor, que duraria 1h, durou, apenas 15 min. O microfone foi tomado de minhas mãos e a Exima Sra. Vereadora, agradeceu a minha participação. Lendo o texto – As Canções de Ninar – lembrei-me desse fato, que foi verídico. Enelmar se te contasse essa história você diria que eu era polêmico. E, lendo o texto citado o que você acha? Baraúna, imagina se alguém de nossa lista de divulgação, criada para que nós interagíssemos continuamente, fizesse uma maldade com os nossos escritos? Aí é f…, mermão!

Aliás, pelo visto nossa lista é contaminada de anti lulistas. Por isso, ficarei de fora de discussão envolvendo Leonardo Boff, Carlinhos Brown, Geladeira, Fome e PT. Esse caso parece com os casos de nosso amigo Gregório. No mais, vamos vivendo nossas fogueiras ardentes em nossas vidas. Somos um foguetório de alegrias, pensamentos cheios de bandeirolas coloridas e um dia a dia com pipocos de bombas juninas.

É isso, só isso.

Beijos.

Prof. Everaldo Queiroz

 

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About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.