Calçado brasileiro perde mercados e faturamento no exterior a cada ano

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Novo Hamburgo (RS) – O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados, com 800 milhões de pares por ano, superado apenas pela Índia, com 900 milhões, e pela China, com 9 bilhões, mas a crise econômica mundial enfraquece o calçado brasileiro, que, ainda por cima, sofre com a forte concorrência dos importados chineses.

O resultado é uma redução nas vendas externas brasileiras, que, no primeiro quadrimestre do ano, caíram 26,5% na quantidade de pares vendidos, embora o país se mantenha também como o quinto maior exportador mundial, com 165,5 milhões de pares comercializados no ano passado.

O Brasil só perde em volume de exportações de pares de calçados para a Itália (200 milhões), Vietnã (500 milhões), Hong Kong (700 milhões) e China (7 bilhões). A queda nas exportações brasileiras tem consequências sérias para o maior polo calçadista do país, o do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que vem perdendo empresas, postos de trabalho e faturamento.

O Vale dos Sinos, como é mais conhecido, fica a apenas 50 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado, é é considerado o maior cluster (polo produtor) de calçados do mundo. É formado pelos municípios de Araricá, Campo Bom, Canoas, Dois Irmãos, Estância Velha, Esteio, Ivoti, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Portão, Sapiranga, Sapucaia e São Leopoldo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mais dois polos calçadistas destacam-se no estado: o Vale do Paranhana, vizinho ao do Rio dos Sinos e a 70 quilômetros de Porto Alegre; que abrange os municípios de Igrejinha, Parobé, Riozinho, Rolante, Taquara e Três Coroas; e o da Serra Gaúcha, a 130 quilômetros da capital, cujos principais municípios são: Bento Gonçalves, Canela, Carlos Barbosa; Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Gramado, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula.

Mas é no Vale dos Sinos que se concentra o maior número de fábricas de sapatos do país, desde as mais artesanais até as grandes indústrias, que calçam milhões de brasileiros de Norte a Sul. O calçado feminino é o forte dessa indústria, principalmente em Novo Hamburgo, que ainda hoje, apesar das perdas dos últimos anos, se considera “capital nacional do calçado”. Na região estão instaladas 80% das fábricas de máquinas para produção de calçados e 60% das produtoras de componentes (fivelas, tiras e outros).

A tradição calçadista de Novo Hamburgo remonta a 1824, quando chegaram os primeiros imigrantes alemães, que fabricavam arreios e botas para montaria. As botas, por sinal, ainda hoje são o calçado mais valorizado na região e, nesta época do ano, de muito frio na região; é grande a variedade de modelos usados pelas mulheres de Novo Hamburgo.

A importância da produção de calçados é enorme, não apenas para a região do Vale dos Sinos, mas para a economia do Rio Grande do Sul em particular: No ano passado, o estado exportou 51,5 milhões de pares, o equivalente a 31% do que o Brasil vendeu no exterior, e arrecadou US$ 1.117,7 bilhões, ou 59,4% do total obtido pelo país no mercado externo com as vendas de sapatos nacionais. Em 2007, havia, no Estado, 2.755 empresas calçadistas (35,2% do país), com 111.966 empregados (37% do setor no Brasil).

Os números não podem, entretanto, ser comemorados pelos que dependem do setor calçadista da região, porque mostram a continuidade de um declínio que vem ocorrendo a cada ano. Em 2007, por exemplo, foram exportados pelo Rio Grande do Sul 69,8 milhões de pares (39,4% do total do país), com um faturamento de US$ 1.215,2 bilhões (63,6% do total brasileiro), um volume muito maior do que o do ano passado, sob todos os aspectos.

O número de empresas também vem diminuindo – e, consequentemente, o de postos de trabalho – embora não haja números atualizados quanto a isso. E os números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) demonstram que, em 2009, o calçado do Brasil continua perdendo mercado no exterior para os concorrente: de janeiro a abril, a quantidade de pares exportados caiu 26,5%, com 49,5 milhões de pares vendidos, contra 67,4 milhões no mesmo período de 2008.

O faturamento também despencou: foram obtidos pelos exportadores brasileiros US$ 469 milhões contra US$ 646,5 milhões de janeiro a abril do ano passado, uma redução de 27,4% nas vendas externas de calçados. Por isso, o diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, não esconde a o temor do setor com a situação: “Estamos muito preocupados com o desempenho no mercado externo, que não mostra sinais de reação positiva”.

Uma preocupação que se justifica, embora seja do mercado interno, é que a indústria de calçados brasileira obtenha seu maior volume de vendas, com 70 % do que produz vendido no território nacional. O problema é que a invasão chinesa no setor de calçados está fazendo a indústria brasileira perder mercado dentro do próprio país, o que já virou caso de briga jurídica, com um processo por dumping (concorrência desleal) aberto pela Abicalçados no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

*Com informações de Jorge Wamburg

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