Ronaldo: DEM coliga com o PSDB em 2010, ida de lideranças do partido para ninho tucano está indefinida

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Dando por encerrada a pauta de entrevista feita com o ex-prefeito José Ronaldo, pelo jornal Feira Hoje, nesta oportunidade, ele fala sobre assuntos diversos como política partidária e sua experiência neste campo exercida ao longo dos anos. E principalmente da fase atual e das perspectivas do seu partido, Democratas, nas eleições de 2010, na Bahia.

JGB – É verdade que o ex- prefeito José Ronaldo, o ex-governador Paulo Souto e algumas lideranças importantes do Democratas estão prontas para migrarem para as hostes do ninho tucano (PSDB)?
JR – Admito já termos conversado sobre o assunto, mas não existe ainda uma definição sobre isso. O que posso adiantar é que haverá uma coligação entre o DEM e o PSDB.
JGB – O seu grupo político é visto como um partido de direita que sempre defendeu e esteve em sintonia com idéias conservadoras. Coligando com o PSDB, partido de tendência considerada de centro esquerda, vocês não estaria traindo as suas convicções política?
JR – Eu sempre fiz política sem pensar nesta questão de esquerda e direita. Eu ingressei na vida pública para atuar independente de ideologias. Acredito que a sociedade clama e precisa, cada vez mais, são de políticos sérios e comprometidos com a ética, decência e respeito. Conceitos estes, em que tenho pautado ao longo da minha vida pública.
JGB – Fala-se nos bastidores político que está em curso à realização de uma aliança entre o Democratas e o PMDB, com vistas às eleições de 2010, para fazer oposição ao PT. É verdade?
JR – O que posso adiantar a este respeito é de que existe realmente um diálogo neste sentido. As conversas e os entendimentos estão acontecendo com muita civilidade, o que significa que está aliança poderá vir a se consolidar ou não.
JGB – È verdade que o Democratas está discutindo a possibilidade de vir a compor uma chapa com Geddel (Governador), José Ronaldo (Vice), Paulo Souto e César Borges,(Senado). O senhor concorda com este arranjo político?
JR- Eu não diria arranjo político e sim como um diálogo. Quando Luis Eduardo era candidato, Geddel deu declarações e apoiou ele, o PMDB à época coligou com o PFL. Com a morte de Luis Eduardo, Geddel manteve apoio a candidatura de César Borges a governador. Vejo com muita tranqüilidade estas composições políticas.
JGB – Qual a avaliação que o senhor faz da saída da deputada Eliana Boaventura (PP) do seu grupo político?
JR – Ela iniciou a sua vida pública militando no PMDB e a partir de 2000 passou a conviver conosco, nos apoiou em 2004 e 2008. Ela é filiada ao Partido Progressista (PP) e este, fez acordo com o governo petista. Ela assume o mandato na vaga de Roberto Muniz que foi indicado para assumir a Secretaria de Agricultura. Portanto, vamos aguardar os acontecimentos futuros.
JGB – Recentemente ela declarou apoio ao governo e que fará oposição ao prefeito Tarcísio Pimenta. O senhor é considerado como uma das lideranças política na Bahia aceitaria o retorno dela ao seu grupo?
JR – Isso passa por uma questão que costumamos denominar de entendimento político. Estamos vivendo um momento de amplas discussões políticas e por isso mesmo se deve agir com muita cautela.
JGB – É sabido por todos que militam na política, que Otto Alencar costura acordo para sair candidato ao senado aliado ao grupo de Wagner. Como o senhor avalia a perda deste importante aliado?
JR – Otto Alencar é meu amigo e durante as conversas que têm existido entre nós, o que ele argumenta a este respeito é que, até o presente momento, não tem uma definição sobre o seu futuro político.
JGB – Como é do conhecimento geral, Ronaldo e Colbert são adversários políticos históricos. O senhor dividiria o palanque com ele, em 2010?
JR – Nunca dividir palanque com Colbert Martins (pai), mas houve duas eleições em que ele foi solidário a mim e eu a ele. Com relação ao deputado federal Colbert Martins, somos adversários, mas nunca fomos inimigos. Se vamos ficar juntos e ter que dividir o mesmo palanque isso vai depender muito de como vai se compor o cenário político no Estado.
JGB – O ex- deputado Jairo carneiro, em recente conversa mantida entre mim e ele, manifestou o desejo que poderá sair candidato a deputado federal, mas não tinha decidido por qual partido. Ele sempre foi vinculado ao Democratas, como o ex-prefeito avalia esta possibilidade?
JR – Avalio com muita naturalidade. Jairo Carneiro é um candidato que tem relevantes serviços prestados ao país.
JGB – O vice- prefeito, Paulo Aquino, tem andado muito próximo do ex-prefeito José Ronaldo e segundo comentários é que ele estaria interessado a ser candidato a deputado estadual. Essa possibilidade existe?
JR – Ele não está andando próximo a mim, sempre fomos próximos, além do fato de ter sido o meu colega na Câmara Municipal. O que posso afirmar a esse respeito, é que ele em momento algum tratou deste assunto comigo, nem eu com ele.
JGB – Há outro nome que no memento tem sido cogitado, até mesmo pela imprensa, como possível candidata a ocupar uma vaga na Assembléia Legislativa, o da primeira dama Graça Pimenta. Qual a sua opinião em relação a esta possibilidade?
JR – O que posso dizer a respeito é que tanto o prefeito quando a primeira dama, até o presente momento, não tratou deste assunto comigo. Só poderei opinar sobre o assunto a partir do momento em que o casal manifestar este desejo.
JGB – O senhor lidera um grupo político no qual existem vários nomes que desejam disputar uma vaga na Assembléia Legislativa. Vai ser difícil conciliar esta realidade?
JR – Difícil é quando o partido não tem candidatos. O que posso adiantar sobre este assunto é que tanto Fernando Torres quanto Carlos Geilson são candidatos públicos. Ambos tiveram expressivas votações na eleição passado. Com referência a primeira dama,Graça Pimenta, Paulo Aquino e Antonio Borges, não posso emitir opinião, pelo simples fato de eles nada terem falado para mim, a respeito.
JGB – Grande numero de barracas ocupam os espaços públicos em Feira. Isso significa que o governo municipal não dispõe de uma estratégia voltada para disciplinar o espaço urbano da cidade?
JR – No passado tivemos oportunidade de resolver a questão de disciplinar o comércio da economia informal ao instalar este segmento social na Praça Médice. Com o passar dos tempos houve um substancial crescimento no setor. E o mais grave é que atualmente não dispomos de áreas apropriadas. Enquanto se estuda a possibilidade de resolver o problema, a Rua Sales Barbosa, Avenida Senhor dos Passos e em menor grau a Marechal, continuam sendo os locais de maior concentração no setor.
JGB – O senhor se sente traído, enquanto gestor público, com relação a sua liderada Anacy Paim?
JR – Ela foi uma grande Reitora e realizou um bom trabalho frente à secretária do Estado. No tocante as análises de suas contas estas, são mais questões de aspectos contábeis e técnicos. Acredito que o seu afastamento do governo de Pimenta aconteceu em função da necessidade que ela teve para  dispor do tempo necessário para poder comprovar que não cometeu erro que desabonasse a sua conduta.
Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9315 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).