Ronaldo: construção do Centro de Convenções em Feira, não é prioridade do governo Wagner

José Ronaldo de Carvalho.
José Ronaldo de Carvalho.
José Ronaldo de Carvalho.
José Ronaldo de Carvalho.

Dando prosseguimento na divulgação da recente entrevista realizada com o ex-prefeito de Feira, José Ronaldo. Nesta oportunidade, ele aborda o tema concernente ao Estado e tece críticas contundentes à administração do governador Jaques Wagner, a qual considera fraca.

JGB – O governo de Wagner chega ao seu terceiro ano administrativo. Ao longo desse tempo o senhor tem viajado bastante e mantido muitos contatos político pelo interior do Estado. Qual a sua avaliação sobre a administração do atual governo?
JR – É um governo fraco. Esta realidade está comprometendo a sua qualidade administrativa. O próprio Wagner reconhece e já está providenciando a mudança de algumas peças. Atraiu dois deputados federais para compor a sua administração e recentemente demitiu da superintendência da CONDER, Maria Del Carmen, órgão responsável pelo volume de obras do Estado, na qual 90% delas estão paradas em função dos atrasos do governo no repasse dos pagamentos a estas empresas prestadoras de serviços.
JGB – O que Wagner tem feito de concreto em Feira, nas áreas de educação, saúde e no setor industrial?
JR – No setor industrial nada. Até hoje não tenho conhecimento da instalação de qualquer indústria no município de Feira. A Nestlé, Wagner apenas participou do rito inaugural, quando ele assumiu o governo a empresa já estava pronta e em pleno funcionamento. No tocante a Vipal, está foi uma conquista do governo anterior. No que se refere aos demais setores a situação é a mesma.
JGB – Uma obra bastante cobrada pelos feirenses tem sido o Centro de Convenções, construção iniciada ainda quando o senhor era prefeito e tinha firmado convênio com o governador Paulo Souto. Qual a justificativa para esta obra não estar pronta?
JR – Quando estávamos construindo o Centro de Convenções a oposição ao meu governo, durante as entrevistas no rádio, argumentavam que a obra era de pequeno porte e que deveria ser maior. Eles ganham as eleições e o que presenciamos é a total paralisação das mesmas. De início utilizaram como justificativa não dispor de orçamento específico para tocar a obra, agora alegam que a construção não é mais prioridade, o que se subentende que no governo de Wagner ela não será realizada. Tal decisão é lamentável para um município como o nosso que não é dotado de belezas naturais. A construção do Centro de Convenções seria um importante estimulador e forte atrativo de recursos para a Feira. No local poderia ser realizado seminários, congressos e outras atividades correlatas. Toda esta atividade iria gerar novos empregos principalmente no ramo hoteleiro.
JGB – O governo de Wagner tem atrasado o pagamento de seus fornecedores por mais de seis meses. Durante o governo do PFL (atual Democratas) isso não acontecia. Qual a avaliação que o senhor faz desta situação?
JR – É o que eu disse no começo da entrevista, Wagner montou uma equipe de governo que deixa muito a desejar. Alguns foram indicados pelo simples fato de serem companheiros de partido. Entendo que você não pode fazer uma composição de governo só atendendo estes preceitos, você tem que mesclar a equipe dentro de um conceito técnico nas suas respectivas áreas. Posso citar como exemplo setores como a Secretaria da Fazenda, Planejamento e administração, estes devem ser ocupados com profissionais competentes e com largo conhecimento na área. O governo não procedeu desta maneira e por isso mesmo, ele está tendo dificuldades na realização de projetos e de adotar outras medidas consideradas prioritárias para o seu governo. O governo está perdido.
JGB – Em cada 10 soteropolitano, 6 residem em favelas. Isso significa que faltou projeto urbanístico nos 16 anos de governo do Democratas?
JR – Não, o problema é que Salvador tem uma topografia muito complicada ao ponto de atualmente a capital quase não dispor de áreas para se construir núcleos residenciais. Tanto é verdade, que o programa federal Minha Casa, Minha Vida vai ter dificuldades neste setor. O problema de habitação no Brasil é sério e tem que merecer uma ação mais forte. Só com o apoio do governo federal é que se pode resolver este grave problema social.
JGB – Durante o governo do Democratas as rodovias construídas, logo após os períodos de chuvas, elas praticamente deixavam de existir. A pergunta é: não havia, por parte do governo estadual a preocupação com a qualidade e a preservação deste tipo de obra pública?
JR – O que acontece no Brasil é que não existe uma política voltada para a preservação das malhas rodoviárias. Resultado, após a construção de algumas estradas, estas são praticamente abandonadas, e com o passar dos tempos ela vai sendo danificada e acabam se tornando intransitáveis, além de provocar acidentes fatais que ceifam milhares de vidas humanas em todo o país.
Sobre Carlos Augusto 9512 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).