Portugal, Terra Irmã | Por Luis Amorim

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Estive alguns dias em Portugal, coisa que tinha o desejo de fazer há um bom tempo. Passeei por Lisboa, Cidade do Porto, Coimbra e outras cidades menores. Fiquei impressionado pelas partes antigas das cidades, com a belíssima arquitetura, com a manutenção de tudo. A parte nova ou moderna de Lisboa me encantou, pelo toque futurista, como na entrada da estação Oriente do metrô. As pessoas, em geral muito educadas, são às vezes mais expansivas, como o brasileiro, deixando-nos muito à vontade.

Conversando com moradores de Lisboa e da Cidade do Porto, percebi algumas diferenças na maneira de falar. Notei que algumas pessoas puxam mais pelo xis, como no caso de palavras que tem sc, por exemplo “nascer”. Mas isto é apenas curiosidade.

O que me chamou atenção, mesmo, foi a não adesão dos portugueses, ainda, ao Acordo Ortográfico. A começar pela fala cotidiana, passando pela televisão (não ouvi rádio) e até mesmo nos jornais. A acentuação gráfica continua sendo usada como era antes e o “c” e o “p”, por exemplo, de palavras como “actual” e “óptimo”, que com a nova ortografia caem, continuam sendo falados e escritos.

Aliás, os portugueses demoraram mais do que qualquer outro país lusófono a assinar o novo acordo e pelo que ouvi em conversa por lá, eles não viam e não vêem com bons olhos a reforma. No Brasil, onde as mudanças são menores, achamos que a reforma era desnecessária, imagine-se Portugal, onde a reforma é mais ampla.

Existem muitas palavras corriqueiras no vocabulário português que têm outro significado aqui no Brasil ou que não são usadas por nós. Como o caso de “fila”, existem muitas outras palavras. Então fico imaginando que a unificação da língua portuguesa, objetivo da reforma ortográfica, nunca vai se efetivar, não sei se felizmente ou infelizmente.

E já que falamos em jornal, li os grandes jornais portugueses e não pude deixar de verificar alguma diferença em relação aos nossos. Os jornais de lá são grandes, têm muitas páginas, mas tudo é informação, é notícia. Não tem muito aquela coisa de coluna social, por exemplo, que lotam os cadernos de variedades por aqui. Para assuntos como televisão, cinema, música, teatro, arte enfim, alguns deles publicam revistas, que vêm encartadas, fazendo parte da edição normal do jornal.

Gostei das livrarias em Portugal, elas existem lá mais do que aqui e são bem amplas. O preço, convertendo os euros para cruzados, é mais ou menos igual. Vi que as pessoas lêem bastante. Havia gente lendo no metrô, no ônibus, em praças…

Saindo das letras e enveredando pela gastronomia, não dá pra deixar de falar no pão que se faz em Portugal. É uma variedade grande de pães e todos eles são muito gostosos.

No mais eu quis comer bacalhau, enquanto estava lá. Em Lisboa, os pratos de bacalhau são praticamente os mesmos em qualquer lugar que se vá e, como aqui no Brasil, não tem muito bacalhau, o que tinha mais era batata. Bolinho de bacalhau é mais difícil de encontrar do que aqui, e não se chama bolinho, mas pastel de bacalhau. E também tem pouco bacalhau, pelo menos os poucos que encontrei, procurando muito. Já em Coimbra comi um bom bolinho de bacalhau e um excelente prato à base de bacalhau. O queijo feito com leite de cabra, de vaca e de ovelha é excelente. E o pastel de Belém também.

No mais, tomei muito vinho. Vinho verde, vinho do porto, vinho de todos os tipos e de muito boa qualidade. E naveguei no Tejo. Só não encontrei lá em Lisboa a minha amiga escritora Apolônia Gastaldi, brasileira aqui de Santa Catarina, que agora mora lá, mas acho que coincidentemente ela tinha vindo ao Brasil na mesma época em que fui para lá.

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