Jornalismo financiado pelo cidadão. Será que isso pode funcionar?

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Imagine o seguinte cenário: leitores, ouvintes, telespectadores escolhem você para a realização de uma reportagem. Qual a pauta? Você sugere, pode ser uma denúncia ou aquele caso perdido no tempo, mas o público irá escolher. Ele decidirá qual história deseja financiar. Para isso, faria doações, que inclusive poderiam ser deduzidas no imposto de renda. No caso de uma organização jornalística comprar os direitos exclusivos da história, o doador ainda teria o direito ao dinheiro de volta. Você toparia?

David Cohn aceitou o desafio. Numa iniciativa pioneira, o jornalista lançou há seis meses o Spot.Us, um projeto sem fins lucrativos do Center for Media Change, com o apoio da Fundação Knight. Desde a sua criação, 23 matérias foram publicadas — todas elas sobre a região de São Francisco, na Califórnia, onde a organização está baseada — e financiadas pelas doações do público. “Uma história a cada semana é muito melhor do que eu esperava. No fim das contas não é o ‘meu’ projeto. A idéia pertence aos que queiram participar: repórteres, editores, e membros da comunidade”, escreve Cohn para o blogMediaShift Idea Lab.

Reportagem financiada pela comunidade? Reportagem com o apoio da comunidade? “Como você preferir chamar”, diz Cohn. (Veja o grupo de discussão do Spot.Us aqui)

Apesar de todo o conteúdo inovador do Spot.Us, Cohn admite falhas, aquelas mesmas supostamente cometidas pelas grandes organizações jornalísticas quando não saem da cobertura usual e não investem em reportagens de maior folêgo. “O Spot.Us precisa fugir das notícias rápidas. Elas estão nas matérias de todos os dias dos jornais. Acho que elas têm cada vez menos valor a acrescentar. Quero que nossas histórias forneçam informações novas, opiniões, e que não refaçam o que já está lá fora”.

Para decolar o projeto, Cohn teve que sentar do outro lado do balcão. O jornalista precisou viver os dilemas de um empresário da comunicação, aqui, um homem de negócios da Era Digital. Quais idéias serão vendidas? O que mais motiva o público quando compra uma pauta?

A experiência levou a conclusões que ele mesmo considerou não muito novas, mas essenciais para dar continuidade à iniciativa do jornalismo financiado pelos cidadãos. Entre as mais importantes, Cohn destaca uma: as pessoas querem saber em mais profundidade sobre o que acontece geograficamente próximo à elas.

“Quem vem comigo?”, convida Cohn.

Veja as reportagens do Spot.Us aqui.

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