Gripe Suína, o que devemos saber? | Por Flávio Amorim Machado

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Trata-se de uma doença respiratória que começa em criadores de porcos, através de um vírus gripal do tipo A que pode se propagar rapidamente.

O vírus da gripe suína, como todos os vírus de gripe, entra no corpo pelas vias aéreas superiores, penetra nas células, aproveitando-se delas para se multiplicar (utiliza o material genético contido no núcleo da célula para se replicar).

Há três tipos de vírus da gripe, os tipos A, B e C, com o vírus do tipo C causando apenas problemas respiratórios leves.

Os vírus A e B podem possuir dois tipos de proteínas de superfície: a hemaglutinina e a neuraminidase, sob forma de espículas que ativam seu envólucro. O vírus H1N1 (hemaglutinina do tipo 1 e neuraminidase do tipo 1) no início da epidemia de gripe “mexicana” fez parte do tipo A, divisível em diversos subtipos e em variáveis dentro desses subtipos.

Os vírus do tipo A e B são constituídos de oito segmentos de RNA que se misturam. Eles podem então sofrer mudanças maiores e mutar radicalmente.

O porco é receptivo a diferentes formas de vírus, que podem se recombinar e provocar a criação de um vírus múltiplo. Este é caso do H1N1 atual, que mistura duas cepas suínas, uma cepa aviária e uma humana, e é transmissível para o homem.

O vírus utiliza o homem como vetor da doença, que passa a ser transmitida de homem para homem.

A gripe não se transmite pela carne, mas por via aérea, de pessoa para pessoa. Além disso, a temperatura de cozimento (71º Celsius) destrói os vírus e as bactérias.

Quando ele infecta o homem, o vírus da gripe se fixa nas células respiratórias e atravessa o epitélio, para se multiplicar, ele reprograma a célula e a desvia de sua atividade em seu benefício. Cada célula infectada pode então produzir várias centenas de vírus, que tomam conta do sistema respiratório.

A duração da incubação da gripe mexicana é de 3 a 7 dias, ou 7 a 10 dias entre as crianças. Os sintomas são semelhantes aos das outras gripes: febre, dores musculares, tremores, tosse, prostração. Mas também pode causar vômitos e diarréia mais severa.

O vírus é muito contagioso, sendo transmitido por meio das pequenas gotas de água expelidas na respiração – perdigotos. Para conter uma epidemia, os cientistas recomendam isolar a pessoa e administrar antivirais, analgésicos e suplementação hídrica.

É possível que haja um pouco de memória imunológica contra este agente entre os humanos, ao contrário do vírus aviário H5N1. Isso se deve ao fato do H1N1 ser produto da recombinação de fragmentos de RNA de outros vírus, os quais já tivemos contato no passado. O H1N1 é um tipo em circulação desde a pandemia de “Gripe Espanhola” de 1918 que matou ao menos 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Como principal medida preventiva no que se refere à transmissão o ato de lavar as mãos está comprovado como melhor forma de se proteger contra a infecção por uma série de microorganismos, incluindo os da gripe suína.

Os especialistas em geral concordam que as máscaras de rosto, em especial as máscaras cirúrgicas agora vistas nas ruas da Cidade do México, oferecem proteção muito baixa. Os vírus da gripe podem ser transportados por pequenas partículas de saliva ou muco, em geral não mais do que por um ou dois metros, mas depois se estabelecem em superfícies e podem ser transferidos para a boca, os olhos ou o nariz (contato com as mãos).

A alta infectividade do H1N1 colocou a gripe suína em estado de potencial pandemia. Segundo a Organização Mundial de Saúde corresponde a fase de alerta 5*.

*NÍVEIS DE ALERTA:

FASE INTER-PANDÊMICA:

Novo vírus em animais, sem casos humanos:

FASE 1: Risco baixo para casos humanos.

FASE 2:Risco maior para casos humanos.

ALERTA PANDÊMICO:
Novo vírus provoca casos humanos:

FASE 3: Nenhuma ou transmissão limitada entre humanos.

FASE 4: Evidência de transmissão crescente entre humanos.

FASE 5: Evidência de transmissão significativa entre humanos.

PANDEMIA

FASE 6: Transmissão eficiente e em série entre humanos.

Fonte: Organização Mundial da Saúde.

Esta classificação implica em medidas de contenção da propagação viral nos locais de surto da doença:

A OMS defende o fechamento de escolas e cursos e a reorganização do horário das empresas para se evitar aglomerações e um maior contato entre as pessoas.

A Organização Mundial de Saúde recomenda ainda aos países que incentivem a redução dos deslocamentos e das aglomerações nos transportes públicos, mas não defende a proibição de viagens aos países mais afetados.

A OMS propõe também a distribuição de antivirais e a preparação de uma vacina contra a gripe suína.

Em relação aos países não atingidos, a organização da ONU aconselha a aplicação de controles sanitários nas fronteiras.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou na manhã do dia 01/05/09 o número de casos confirmados de pessoas infectadas pelo vírus da gripe suína, que agora chegou a 331, distribuídos em 11 países.

O México tem 156 casos humanos da infecção, enquanto as autoridades dos Estados Unidos informaram 109 casos confirmados em laboratório.

A presença da gripe suína também foi confirmada no Canadá, com 34 pessoas doentes; na Espanha, com 13; no Reino Unido, com oito; na Alemanha e Nova Zelândia, com três, cada um; em Israel, com dois, e na Suíça, Holanda e Áustria, com um caso em cada país.

O Brasil tem 4 casos suspeitos da gripe e 42 em investigação. O governo federal decidiu monitorar todos os vôos internacionais como medida preventiva. Não houve confirmação de nenhum caso até a manhã do dia 01/05/2009.

GRIPE SUÍNA E GESTAÇÃO – RECOMENDAÇÕES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE:

Existem recomendações específicas para as gestantes no caso de ter gripe ou estar contaminada pela Influenza (Gripe Suína). Entre as medidas específicas em situação de epidemia de influenza, o Ministério da Saúde recomenda:

A gestante deve buscar o serviço de saúde caso apresente sintomas de síndrome gripal.

Na internação da gestante para o trabalho de parto, priorizar o isolamento se a futura mãe estiver com diagnóstico de influenza:

febre geralmente (>38ºC);
dor de cabeça;
dor muscular;
calafrios;
prostração (fraqueza);
tosse seca;
dor de garganta;
espirros e coriza.

Após o nascimento do bebê, se a mãe estiver doente, usar máscara e lavar bem as mãos com água e sabão antes de amamentar e após manipular suas secreções; estas medidas devem ser seguidas até sete dias após o início dos sintomas da mãe.

A mãe com gripe deve continuar amamentando bebê.

Restringir visitas à paciente (gestante ou puérpera), principalmente no período de transmissibilidade da doença (até 5 cinco dias após o início dos sintomas).

Colocar máscaras na paciente, se possível, quando a mesma for transportada.

Feira de Santana, 01 de maio de 2009.

Flávio Amorim Machado
Médico especializado em Mastologia e Oncologia

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