Geddel nega acordo e petistas partem para o desespero negociando e oferecendo diversos cargos

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“Volto a dizer, isso não passa de titi e trololó. É um desrespeito. Esta história de falar que a notícia é oriunda de fonte governamental não declarada não premia o bom jornalismo. Nada custava checar, com um telefonema para mim”. Com esta declaração o Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, negou acordo com o PT baiano, com o objetivo de lhe proporcionar uma vaga na chapa majoritária de Jaques Wagner.

“O resto é invenção sem o menor sentido para confundir os baianos”, desabafou indignado. Segundo o Ministro, as consultas às bases peemdebistas seguem até a conclusão dos Encontros Regionais, quando o partido terá uma melhor definição da sua posição eleitoral para disputar em 2010 as vagas para governador, vice, duas vagas ao senado,deputado federal e estadual.

Zé Neto estende o tapete

Veiculado no blog do jornalista Raul Monteiro, as declarações do deputado estadual pelo PT, José Neto, dão conta de que o partido estaria disposto a negociar com o PMDB, a vaga de vice-governador e uma vaga para o senado, aguardando apenas que o Ministro Geddel determinasse se irá concorrer como senador ou vice-governador.

Desespero e despreparo

O eleitorado baiano estaria divido basicamente entre três partidos: PT, PMDB e DEM. A cada um caberia uma parcela de aproximadamente 27% dos votos dos baianos, o restante, cerca de 19% estaria dividido com os demais partidos (PSDB, PPS, PDT, etc). Pela conta, um dos três partidos poderá definir a eleição majoritária de 2010, caso abra mão da candidatura própria. Neste ponto o PMDB sai fortalecido, com a possibilidade de aliar-se com PT ou DEM. Os peemdebistas estão na cômoda posição de noiva cobiçada, ora acena para um, ora para outro partido.

Mesmo tendo o presidente Lula ao seu lado, o governo de Wagner foi incapaz de produzir resultados consubstancias concretos nestes três anos. Percebendo a fraqueza de um governo combalido pela falta de pulso e até mesmo do pagamento de fornecedores (algo só presenciado nos Governos de Valdir Pires e Nilo Coelho), Geddel investe no fortalecimento do seu nome e joga para o futuro o caminho que o PMDB irá tomar.

Fortalecendo o seu nome, Geddel poderá sair candidato a governador e aguardar o resultado das urnas. Caso haja segundo turno nas eleições de 2010, e seja preterido, poderá negociar diversas secretárias de estado e presidências de autarquias. Outra hipótese é que no processo de fortalecimento de seu nome, cobrará uma parcela maior de cargos para a reeleição de Jaques Wagner, abrindo mão, ainda no primeiro turno da candidatura própria, em troca de uma vaga ao senado, vice-governador e espaço político para os candidatos a deputados estaduais e federais do PMDB.

A terceira hipótese, talvez seja a que melhor soe aos ouvidos de Geddel, no enfretamento de 2010, aposta que o PMDB e o PT estarão no segundo turno das eleições, e obviamente, seria fácil repetir a aliança com os democratas, o que garantiria a vitória de Geddel e o retorno dos democratas ao controle, mesmo que parcial, do governo do estado.

O tempo a tudo consome

Os petistas parecem perceber que o tempo é o senhor da razão e a leniência, a falta de investimento, o despreparo em muitos aspectos do governo Wagner, no tocante a gestão, comunicação, alianças políticas, capacidade de investimento, reposta as demandas sócias, incapacidade de atrair investimentos industriais, tem lhe custado o que um político tem de mais precioso, o respeito, carinho do eleitorado e a capacidade de aglutinar forças políticas em torno de um projeto de governo/poder.

O tempo ergue e destrói coisas belas, o sonho dos petistas de governar o estado da Bahia foi realizado. O momento histórico não poderia ser melhor, um presidente da república, também petista para apoiar um governo que se iniciava. Para completar, o quadro favorável, o próprio presidente Lula, ao anunciar sua vitória em 2005, colocou Wagner ao seu lado e disse agradecido, o importante papel que teve o petista carioca/baiano na eleição dele.

Parece um conto de fadas, que pouco a pouco se transformou no pesadelo dos baianos, até mesmo dos próprios petistas, que pelas cidades do interior, declaravam que era mais fácil captar recursos no governo de Paulo Souto do que no governo de Wagner. Testemunhei por diversas vezes, estas triste declarações. Que confrontadas com a realidade não dão margem para outro veredicto: é um governo que pouco realiza e deixa muito a desejar.

O preço a pagar

Para alcançar a vitória em 2010 os petistas liderados por Wagner estão dispostos a tudo. Mas, me pergunto se seriam capazes de repetir o pedido de apoio ao democratas, como fizeram no segundo turno das eleições de Salvador, pelo menos, foi o que contou-me o candidato derrotado à prefeitura, ACM Neto. Acredito que está será a última opção. Por enquanto eles tentam seduzir o PMDB. Mas, estes andam bastante desconfiados e consideram grave traição a falta de apoio dos aliados petistas à candidatura de João Henrique, que foi reeleito prefeito de Salvador com o apoio de ACM Neto, levando à derrota Valter Pinheiro.

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