Ética e Moral, Moral e Ética em falsos paladinos

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Texto de pesquisa. Autores desconhecidos.

Não deixa de ser um assunto para lá de pesado. A verdade é que nos corredores das faculdades se vêem universitários e até professores empenhados em debates sobre essa ou aquela teoria.

Mas a questão ética não é tão popular quanto deveria. E deveria. Até para que, de repente, ocorressem algumas desmistificações necessárias. Assim, quem sabe, ao debater ética a categoria deixe de chegar tão freqüentemente ao lugar-comum das etiquetas, perfumarias e congêneres.

Numa conduta mais cartesiana, seria até fácil diferenciar ética, moral e etiqueta. Porém, numa análise mais detida e sistêmica, logo se percebe a dificuldade em conceituar especialmente a ética..

Se já é difícil singularizar um conceito de ética e sua diferenciação de moral e etiqueta quando se trata da esfera do indivíduo, imagine o que é pensar ética num contexto em que há o indivíduo, o jornalista, e as empresas de comunicação.

Parafraseando Nilson Lage, “jornalistas não podem ser éticos sozinhos”. Segundo ele, também as empresas jornalísticas devem agir eticamente evitando “usar” o profissional ao invés de colocá-lo a serviço da comunidade. Quando um profissional trabalha na administração pública ele está a serviço da comunidade, do povo. Idêntico ao executivo, que foi eleito pelo povo para trabalhar em benefício desse mesmo povo.

E quando o contexto é o de imprensa, não há como tratar ética sem envolver igualmente o jornalista, os patrões, as fontes, público, e principalmente os políticos, eleitos pelo povo.

Mesmo recorrendo a um dicionário, uma leitura pouco mais atenta já remete à dificuldade de conceituar, de forma passiva de discussão, ética, moral e até mesmo etiqueta. É preciso cuidado para os conceitos não confundirem-se na hora de serem colocados em prática.

É bem diferente quando encontramos um pessoal jornalisticamente incompetente e inescrupuloso no trato da informação e com a desculpa de usar o movimento neocon, aplicado nos Estados Unidos, que trata da linguagem mais agressiva.

Aqui eles começaram a radicalização, a grosseria, os ataques contra todo mundo e os beneficiamentos pessoais. Ou seja, atacam os profissionais que trabalham para o governo e também aqueles que defendem os interesses do povo. Seguindo os princípios morais da profissão. É inacreditável o comportamento desses profissionais que questionam a própria profissão. Na verdade são… espere um pouco, não vou classificá-los, que a consciência de cada um possa fazê-lo.

Não sei se deveria abordar o que fizeram com Franklin Martins, com a Tereza Cruvinel e tantos outros. Mas, vejamos: Terminaram por jogar o Franklin nos braços do governo, o melhor jornalista do país, e aí disseram: “Ah, agora está provado que o Franklin era governista”. Provado coisa nenhuma! O Franklin ficou fora do mercado e foi trabalhar no governo. A Tereza Cruvinel era uma das melhores colunistas que havia. Começaram com esses ataques baixos, desqualificadores, e ela foi trabalhar no governo.

A depender da posição e da função assumida se tem o caráter do desempenho profissional. Será que, antes de tomar a situação de Franklin como exemplo, não seria melhor ver como os jornais reagiram. No Globo, o diretor-executivo de jornalismo Ali Kamel fechou com eles. O que Ali fez com o Franklin quando ele foi atacado? Simplesmente rompeu o contrato com ele. Isso foi uma deslealdade que intimidou todos os demais colunistas do Globo. Na Folha, o Otavinho, ou seja, Otavio Frias Filho, diretor de redação não saiu em defesa quando seus colunistas foram atacados.

Quando se quer criar uma unanimidade nas opiniões, quando se deseja manipular os profissionais para que todos façam discurso único, você deixa de ser leal a notícia, deixa de ser leal na informação, deixa de ser leal para com o governo do qual você faz parte, presumindo que esse governo defende os interesses do povo, e que você é um pulha incompetente, que defende única e exclusivamente os seus interesses pessoais de sobrevivência. Mesmo porque, sua profissão jornalística já era.

Existem vários exemplos de jornalistas que faziam parte de um grande veículo e que, agora, têm seus sites e blogs, estão “nadando contra a corrente”. Temos o Paulo Henrique Amorim e o Luiz Carlos Azenha, que eram da Globo. E tanto outros. A internet virou uma válvula de escape?

Vejamos o que escreve Eugênio Bucci:

“A discussão ética só produz resultados quando acontece sobre uma base de compromisso. Se uma empresa de comunicação não se submete na prática às exigências de busca da verdade e do equilíbrio, o esforço de diálogo vira proselitismo vazio. E inútil. No máximo, um colóquio de etiqueta. Aliás, é assim que acontece com freqüência.

Debatem-se as boas maneiras dos repórteres, se eles tratam bem o entrevistado, se, se apresentam corretamente como jornalistas, se ouvem os dois ou mais lados do tema que estão cobrindo, se invadem a privacidade da atriz que depois decide processar a revista ou o profissional – que por sua vez só vive de explorar detalhes da intimidade de pessoas famosas -, se viaja para fiscalizar uma única vereadora em participação de encontros, seminários e deixa de fazer com outros e assim por diante. Tudo isso é importante, claro, mas é pouco diante das faltas éticas que vitimam a sociedade brasileira. Essas “até contam com a colaboração ativa de jornalistas que tomam parte na confecção das imposturas”.

Ética, para Bucci, não são as posturas nem as generalidades superficiais dos códigos de ética. É a essência do bom jornalismo ao moldar o caráter dos profissionais, de forma a levá-los sempre a atender a função pública e social de divulgar tudo que é de interesse da sociedade, de forma correta.

Se Aristóteles deixava entender que não existe uma ética coletiva e Cláudio Abramo definia ética como “a ética do cidadão”, Eugênio Bucci ressalta que é para o cidadão que a imprensa deve existir – e só para ele. Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, enfim, os veículos de comunicação que se dedicam ao jornalismo, assim como os sites informativos na internet, nada disso deve existir com a simples finalidade de destruir pessoas e profissionais; de gerar empregos, fortunas e erguer os impérios de mídia; deve existir porque os cidadãos têm o direito à informação.

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