Presidente da CDL, Alfredo Falcão critica política industrial do governo Wagner e a falta de segurança pública em Feira de Santana

Alfredo Marinho Muller Falcão.
Alfredo Marinho Muller Falcão.
Alfredo Falcão tem papel destacado na vida econômica e cultural de Feira de Santana.
Alfredo Falcão tem papel destacado na vida econômica e cultural de Feira de Santana.
Alfredo Marinho Muller Falcão é entrevistado por Carlos Augusto.
Alfredo Marinho Muller Falcão é entrevistado por Carlos Augusto.

Intelectual, mecenas e empresário, Alfredo Marinho Muller Falcão, conta com larga experiência acumulada ao longo de sua vida, tendo contribuído para a implantação e ampliação de diversos serviços e empreendimentos na Cidade de Feira de Santana.

Atualmente ele vem se destacando pela atuação na presidência da CDL de Feira de Santana, setor em que também se projeta pelos relevantes serviços prestados à sociedade feirense, além de ser reconhecido pelo seu empenho em promover e incentivar a cultura em diversos aspectos.
JGB – A Câmara dos Dirigentes Lojista de Feira de Santana (CDL) completou 47 anos, poucas instituições conseguem atingir esta longevidade devido das grandes dificuldades e crises pela qual sempre afeta o Brasil. Foi difícil chegar até aqui?
Alfredo Falcão – Não foi difícil porque a CDL foi muito bem alicerçada no seu nascimento, ela foi implantada por 14 grandes empresários de Feira de Santana. Quando eles criaram a CDL, não foi pensando apenas no seguimento comercial de Feira de Santana, mas eles a criaram como a zeladora de valores.
JGB – Com a crise mundial que afeta a todos nós, onde o cidadão tem perdido empregos em todo mundo, inclusive no Brasil. Qual a análise feita pela CDL e quais os caminhos a ser seguidos para enfrentar estes desafios?
AF – os desafios são sempre enfrentados em maus momentos, aqui nos adotamos sempre aquele provérbio que diz o seguinte: “caminho se faz caminhando, e é caminhando que se faz o caminho”, os maus momentos exigem uma nova engenharia de venda e de gestão. A CDL tem procurado realmente cumprir seu papel e se adequar a realidade vigente.
JGB: A CDL é um órgão que atua em defesa dos interesses da categoria dos empresários de Feira de Santana, mas aqui vivemos uma situação “sui generis” se comparado com Aracaju, onde se conseguiu disciplinar questões concernente ao comércio  do camelô. Enquanto aqui,  os camelôs continuam ocupando os espaços das calçadas, das frentes da loja, ruas e avenidas do Centro. A quem deve ser atribuída esta responsabilidade, ao governo municipal?
AF – A responsabilidade deve ser atribuída ao governo municipal, porque só a ele é dado o direito de adotar medidas que objetivem disciplinar o ordenamento do solo. No caso dos camelôs, esta é uma questão social que tem que ser muito bem avaliada. Eles são país de famílias que estão trabalhando e por isso merecem respeito. Temos que buscar soluções que contemple o ordenamento do Centro Comercial da Cidade, o que no final será bom para todos.
 JGB – A desorganização comercial verificada no centro comercial da cidade tem contribuído para o aumento da marginalidade. Uma vez que com a bagunça instalada as pessoas que circulam pelo local se tornam alvos mais fáceis dos meliantes. A instalação de câmara no local, na sua opinião, tem funcionado a contento?
AF – Não, ele não reduziu os muitos os problemas existentes no local. Continuamos tendo assaltos nas lojas em plena luz do dia. Para evitar este tipo de problema é necessário que além das instalações das câmaras e de seu monitoramento, exista paralelamente o acompanhamento de uma atuação mais efetiva da polícia, no local. O que até o presente não tem acontecido.
JGB – Como empresário você é proprietário do Shopping Jomafa, nos fundos do prédio esta o SAC, e colado a este, atua com desenvoltura e desafiando os poderes constituídos a Feira do Rolo, local onde ocorre todo tipo de transações ilícitas. Enquanto o cidadão para instalar um comércio legal, por menor que seja, tem que atender uma série de exigências e realizar uma verdadeira via-crúcis para se estabelecer. Qual a avaliação que você faz frente a esta absurda realidade?
AF – Este tipo de comércio marginal não pode e nem deve ser tolerado. Este setor precisa ser repensado pelas autoridades constituídas e a polícia deve se fazer mais presente nestes locais.
JGB: – Mas o terreno, onde acontece a Feira do Rolo não é do município?
AF – Este comércio marginal era realizado na praça existente no  Centro de Abastecimento e quando foi reformada, ele migrou para onde hoje é conhecido como Feira do Rolo.
JGB – O senhor não considera que atos permissivos como este cometidos pelo poder público não tem gerado soluções, nem mesmo para as pessoas que necessitam de maior aparo social. Não é hora de se repensar esse modelo?
AF – Eu não defendo este modelo social, a CDL tem compromisso com a cidade, tem compromisso com todo mundo que aqui vive. Alguma coisa precisa mudar- continuar como está é praticamente impossível.
JGB – Em Feira de Santana se adotou um modelo muito singular de praça pública onde são construídas barracas de alvenaria, eu particularmente, que já viajei bastante, nunca presenciei isso em qualquer outra parte do Brasil ou do mundo, este modelo é correto?
AF – Você deve estar se referindo a Praça de Alimentação, construída na Avenida Getulio Vargas. Particularmente estranhei o local, mas devido ao número de pessoas que vem freqüentando e utilizando aquela praça, eu acho que se transformou em um equipamento comunitário importante. A obra importante na cidade, para mim, é aquilo que as pessoas se utilizam. Embora continue achando estranho a construção daqueles quiosques naquele local.
JGB – A Praça da Alimentação, a área em frente ao prédio da prefeitura, a Praça do Centro de Abastecimento, do Fórum, do colégio Gastão Guimarães, nesta são comercializadas bebidas  alcoólicas, entre outros absurdos. Enquanto em outras localidades como Salvador (Campo Grande) e em Aracaju se buscou outras soluções construindo e preservando praças  que nos remetem a idéia de ao encontro social, você acredita que esse modelo está correto?
AF – Acredito que o que está acontecendo é que o mau uso das praças em nossa cidade ocorre em virtude de que pessoa que tem uma concessão e dispõe de uma barraca na localidade, ela deveria ser a guardião da praça, mantendo-a limpa e preservada. Quando não se comportam dessa maneira, acaba agredindo o visual urbanístico.
JGB: – Você foi diretor do Centro Industrial do Subaé e durante a sua gestão você teve a oportunidade de atrair inúmeras empresas para se instalar em Feira de Santana, uma delas talvez, seja uma das mais importantes. Como você avalia o modelo da política industrial traçada pelo governo de Wagner, principalmente em Feira de Santana. Qual a avaliação que você faz da administração exercida pelo governador Wagner e o ex-governador Paulo Souto, para Feira de Santana e a Bahia, por extensão?
AF – Para mim os principais fatores foram os arrochos fiscais e a redução de concessões desses benefícios, eles entenderam que os benefícios fiscais não devia ser concedido da forma que o governo anterior vinha concedendo, resultado nos perdemos boa parte de industrias, grandes partes delas migraram para o Estado de Pernambuco. Estes dois anos da atual administração foram desastrosos para a Bahia.
JGB – Então você avalia hoje, que baianos perdem empregos para pernambucanos porque o governo não é capaz de ofertar uma melhor política industrial?
AF – Com certeza, considero que a política inicial do governo Baiano não está correta.
JGB – Antes de você assumir a presidência do CIS, chegou-se a ter mesmo a cogitar o fechamento do mesmo ou que ele fosse absorvido pela SUDIB (Superintendência e Desenvolvimento Industrial da Bahia), órgão também que é uma autarquia e lidera a Secretaria de Indústria e Comércio. Mas no período em que você dirigiu o CIS, houve justamente o contrário, uma expansão, em que o CIS foi para, São Gonçalo, Birimbau, ampliando a sua área de atuação, como avalia hoje o trabalho desenvolvido pela atual direção do CIS?
AF – Eu não posso emitir uma opinião mais precisa sobre o assunto. Não sei o que esta acontecendo por lá.
JGB: – Já estamos completando 29 meses de governo, o que de concreto o governo Wagner destinou para a  Feira, principalmente na no tocante ao setor  industrial?
AF – Eu não conheço nenhum grande empreendimento, que nesses 29 meses foram canalizados para Feira. Eu acredito que isso se deve mais em decorrência da política desenvolvida pelo Estado que da atuação do CIS.
JGB – Como o senhor avalia os primeiros quatro meses do governo de Tarcizio Pimenta?
AF – Avalio com muita positividade, eu tenho visto no prefeito Tarcizio Pimenta uma capacidade de dialogo e uma vontade de acerto muito grande. Tenho até me surpreendido muito, porque o perfil que eu tinha dele como deputado era aquele cara briguento. Ele é muito bem intencionado, mas esta se saindo muito bem, mesmo vivendo um momento de crise, o município perdeu receita, mas ele continua realmente administrando com muita competência.
JGB – Feira de Santana é um dos municípios que tem umas das mais caras passagens de ônibus do nordeste, qual a avaliação que o senhor faz desta situação?
AF – Os custos são elevados não é porque o prefeito assim deseje, ou ele paga o preço ou as empresas vão embora, ninguém quer trabalhar administrando prejuízo.
JGB – Então é mais caro você ter uma empresa de ônibus em Feira do que em outras cidades do mesmo porte?
AF – Não sei dizer, isso vai depender muito do trajeto que os ônibus trafegam.
JGB – Na condição de empresário você teve à frente de inúmeros empreendimentos em Feira de Santana, setor de Construção Civil, setor de imobiliária, no setor de comunicação com a rádio Princesa, no setor comercial com o Shopping Jomafa. É difícil ser empresário em Feira de Santana?
AF – É igual em qualquer lugar do Brasil e do mundo, não tem dificuldades para mim são as condições macroeconômicas que afeta Feira de Santana ou qualquer outra cidade do país As condições da economia não são determinadas pelo município nem pelo estado, é uma política global de federação, a política econômica do país é determinada pelo Banco Central e pelo presidente da Republica, eles é que vão determinar que tipo de país a gente quer ter, felizmente nos estamos um país bom, Lula soube herdar a herança que teve de Fernando Henrique, o maior presidente que o Brasil já teve.
JGB – Existe outro lado seu, não só de empreendedor como de intelectual, recentemente você lançou os anuários que são instrumentos de pesquisas extraordinárias, que trazem todo perfil socioeconômico de Feira, tem buscado viabilizar peças teatrais com produções locais, a produção Galerias de Arte, é difícil desenvolver atividades intelectuais aqui em Feira?
AF – Dificílimo, a atividade cultural ela é deficiente em qualquer lugar do mundo, só funciona com incentivos, com patrocínios, se você não tiver patrocínios ela não acontece. Em Feira os empresários e as pessoas não tem a menor sensibilidade para patrocinar as atividades culturais no município Os feirense reclamam muito de que a cidade carece de cultura , mas quando há qualquer manifestação neste setor, eles não comparecem para prestigiar o evento.
Sobre Carlos Augusto 9509 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).