Assembleia Legislativa presta homenagem ao cinema da Bahia com sessão especial sobre o cinquentenário do filme ‘Redenção’

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Gravação de cena do filme 'Redenção', obra produzida em 1958 na Bahia.
Gravação de cena do filme 'Redenção', obra produzida em 1958 na Bahia.

A história do cinema baiano foi o foco da sessão especial que a Assembleia Legislativa realizou recentemente por solicitação da deputada Neusa Cadore (PT). O ato comemorou o transcurso do cinquentenário do filme ‘Redenção’, primeiro longa-metragem realizado na Bahia, dirigido pelo cineasta Roberto Pires. Foi maciça a presença dos cineastas baianos, desde os pioneiros, companheiros Pires da época do celuloide, aos expoentes novos da era digital.

Sobre o filme

Os trabalhos de filmagem, iniciados em 1956, somente se concluíram em 1958, para, em seguida, entrar no processo de pós-produção, para ser lançado em noite de gala, de black-tie, como na época se exigia, em abril de 1959, no majestoso cinema Guarany, em Salvador.

Primeiro longa metragem realizado na Bahia, o pioneirismo do Redenção (1958) serviu para alavancar o chamado ciclo baiano de filmes. Filmado com lente anamórfica, fabricada pelo diretor, permitiu uma imagem em cinemascope, formato das grandes produções hollywoodianas da época. O filme se passa na Salvador do final da década de 50, com um enredo cheio de mistério e suspense.

Conforme relato de André Setaro, os créditos de abertura de Redenção, o Conselho de Administração do filme foi constituído por Élio Moreno Lima, Roberto Pires e Oscar Santana. Os recursos para a produção vieram de Élio Moreno Lima, de Ilhéus, que aceitou a empreitada temerária de fazer um filme de longa metragem na Bahia. A empresa produtora, Iglu Filmes, tem esse nome por causa de um bar que existia na Praça da Sé, onde os principais responsáveis se reuniam. O dono do estabelecimento, encantado com as conversas, que a ele pareciam utópicas, fez amizade com o grupo. Hélio Silva, que já tinha iluminado o clássico Rio quarenta graus, de Nelson Pereira dos Santos, semente do Cinema Novo, é o iluminador de Redenção, mas o cameraram, Oscar Santana, que teria, a seguir, uma carreira exitosa, como empresário cinematográfico e cineasta. A partitura musical foi solicitada ao maestro Alexandre Gnatalli – para se ter uma ideia do cuidado com a música funcionando com criação da atmosfera. A maioria dos filmes baianos posteriores é musicado pelo grande Remo Usai. A montagem é de Mario del Rio.

No elenco, Geraldo H. D’El Rey (depois tirou o H), o Manoel Vaqueiro de Deus e o diabo na terra do sol, que Pires e Santana conheceram vendendo camisas e roupas masculinas na loja Milisan do Edifício Sulacap; Braga Neto (que virou produtor de alguns filmes baianos e tem, inacabado, um longa: O rio das almas perdidas); Maria Caldas (que abandonou o cinema); Fred Jr, Milton Gaúcho (ator emblemático do cinema baiano, tendo participado de quase todos os seus filmes, que faz, aqui, o comissário de polícia); Alberto Baretto, Norman F. Moura, Jackson O. Lemos, Raimundo Andrade, José de Matos, Costa Junior, Rodi Luchesi, Jorge Cravo, Orlando Rego (funcionário do Banco do Brasil e apaixonado por cinema, única pessoa que tinha um aparelho de revelação de negativos); Oscar Santana, Leonor de Barros, Elio Moreno Lima, Waldemar Brito, Roberto Pires, Kulaus-Kulaus, Jorge Ernesto. Tempo de projeção: 61 minutos.

Confira filme

Cartaz do filme 'Redenção', obra produzida em 1958 na Bahia.
Cartaz do filme ‘Redenção’, obra produzida em 1958 na Bahia.
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