Afeganistão, guerra e paz | Por Emiliano José

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Emiliano José é jornalista, deputado federal (PT-BA) e membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate.
Emiliano José é jornalista, deputado federal (PT-BA) e membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate.

A eleição de Barack Obama trouxe esperanças de que o mundo pudesse enfrentar a guerra com outros olhos, e quem sabe, com a adoção de novas políticas, pudesse até fazer com que divisássemos a possibilidade da paz. Creio que essas são expectativas bastante ilusórias. O Império continua a promover a guerra. Não sei se podemos afirmar o que Michel Hardt e Antonio Negri dizem em Multidão – Guerra e democracia na era do Império. No livro, eles sustentam que vivemos um arremedo de paz e a realidade de uma guerra permanente – uma espécie de paz imperial, à Roma dos césares.

Independentemente de concordar ou não com os autores de Multidão, não há como desconhecer os movimentos reais do coração do Império. Longe de pretender alcançar a paz no Afeganistão, Obama mandou mais 17 mil jovens para fazer a guerra, consciente de sua natureza imperial. Agora, são 55 mil combatentes naquele país. É a juventude americana sendo mandada a sacrificar-se no altar dos grandes interesses do domínio imperial – não há como fugir dessa conclusão.

Há, na guerra do Afeganistão, e também na do Iraque, uma característica que provavelmente já foi assimilada pelos militares americanos – não há como vencê-las. A rede de insurgência, com características singulares e impossíveis de serem copiadas ou assimiladas, torna a vitória impossível. Os EUA tentam, é verdade, compreender a rede de resistência, adaptando-se para prosseguir guerreando.

Trata-se de diminuir o número de baixas aprimorando a sofisticação tecnológica, evitar o combate direto, recrutar antropólogos civis para tentar entender as culturas locais e desenvolver uma política de cooptação de lideranças são algumas das tentativas americanas de adaptar às guerras que conduzem mundo afora. Por mais que tentem, guerra é guerra. Ser uma espécie de política permanente do mundo tem preço, e nunca é baixo.

No dia 23 de abril deste ano, homens-bomba mataram 78 pessoas e feriram 119 em duas cidades do Iraque. No dia 29 de abril, outro ataque de insurgentes provocou a morte de 41 pessoas em Bagdá. No Afeganistão, a tropa americana observa como pode os movimentos da resistência, sem combater, até porque as regras de combate do exército americano não se adaptam às condições que a rede insurgente tem posto para a guerra. Os EUA sabem, especialistas militares têm dito isso: não há jeito de vencer aquela guerra. As forças militares são um elemento de dissuasão, nunca de chegar a uma vitória.

Não por acaso, há nesse momento um esforço consciente dos EUA de se aproximar dos talebans “menos radicais”. Assim, não é Obama que irá definir uma política voltada para a paz. Ou, ao menos, não é o que ele tem demonstrado ao mandar mais e mais soldados para o Afeganistão. Será preciso, ainda, muita luta da sociedade civil mundial para a conquista da paz, que nunca será uma dádiva do Império. Nas guerras em andamento, o Vietnã manda lembranças. Infelizmente. A democracia e a paz são as únicas saídas a favor da humanidade.

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