ACM Neto: o governo Wagner está imobilizado por ser fraco e não dispor de perfil executivo

Carlos Augusto, deputado ACM Neto e Sérgio Jones, durante entrevista.

Carlos Augusto, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (ACM Neto) e Sérgio Jones.

Durante entrevista, ACM Neto citica governo Wagner e diz que alinhamento com presidente Lula não trouxe nada de concreto.

Durante entrevista, ACM Neto citica governo Wagner e diz que alinhamento com presidente Lula não trouxe nada de concreto.

Dando continuidade e desdobramento da entrevista realizada com o deputado federal Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (ACM Neto, DEM), recentemente, em Salvador. Nesta oportunidade vamos procurar expor, aos nossos leitores, um pouco mais da visão e da abordagem política feita por este conceituado parlamentar baiano.

JGB – O deputado recentemente acusou o governador Wagner de ter cometido improbidade e de estar se utilizando da Petrobras para fins eleitorais. O que o motivou a fazer uma acusação desse porte?
ACM Neto – A minha motivação foi o fato do governador Wagner estar usando a Petrobras para tomar decisões pautadas por critérios políticos ao resolver apoiar determinadas prefeituras no projeto de São João. Na condição de oposicionista tenho o dever e a obrigação de exigir esclarecimentos de seus atos administrativos que possam gerar algum tipo de prejuízo para a sociedade.
JGB – Como o senhor avalia a política industrial adotada pelo governo Wagner na Bahia?
ACM Neto – É um modelo acanhado, modesto e marcado pela pouca mobilidade em suas ações administrativas, principamente no tocante a captação de indústria para o nosso Estado. Em quase 20 anos o nosso grupo político conseguiu fazer com que a Bahia fosse um Estado dotado de uma economia muito diversificada, além de contar com um forte parque industrial. O que constatamos no atual governo é uma forte retração no setor. O que fez com que perdêssemos a liderança no nordeste para o Estado de Pernambuco.
JGB – A crise na economia baiana, por décadas, não é reflexo de políticas públicas equivocadas exercidas no Estado, ao longo de todo este tempo?
ACM Neto – Não temos que temer comparações do que é o governo Wagner e do que era o governo do então PFL, hoje Democratas. Entendo que qualquer comparação neste sentido nos será favorável. Podemos citar como exemplo o setor da educação, embora reconheça ser este um problema histórico que não foi produzido pelo atual governo. Mais durante o nosso governo nunca chegou a uma situação em que o déficit de professores se comparasse ao atual, cerca de 5.500 educadores.
JGB – O governo de Jaques Wagner é um forte aliado político do presidente Lula. Em que esta relação tem sido benéfica para o nosso Estado?
ACM Neto – Infelizmente, não posso apontar nenhuma conquista relevante que possa ser atribuído a esta aliança política, embora esta fosse à grande expectativa do povo baiano. Mas, posso citar como exemplo o senso de oportunismo praticado pelo governador pernambucano Eduardo Campos (PFL), que resultou na atração de muitos investimentos para aquele Estado.
JGB – O que tem impossibilitado o governo Wagner de implementar bons projetos e viabilizá-los na prática em nosso Estado.
ACM Neto – O governo petista não realiza ações e projetos de relevância para o Estado não é por falta de recursos e sim, por dispor de uma equipe fraca e despreparada que não dispõe do perfil executivo. Este tem sido o fator que o impossibilita e cria amarras para que Wagner possa realizar uma administração considerada minimamente aceitável. Isto acontece ao longo de seus 28 meses de governo, e não vai ser diferente no ano eleitoral.
JGB – Como o senhor analisa as obras do PAC e a ação do governo Lula na Bahia e especial em Feira de Santana?
ACM Neto – O governo Lula tem algumas virtudes, na área econômica que deriva mais para o que ele não fez. Esperava-se que Lula implantasse algumas mudanças na economia brasileira, enquanto ele manteve o modelo político que vinha sendo conduzido pelo presidente Fernando Henrique: política do ajuste fiscal, taxas de juros altas, política de câmbio flutuante, entre outras medidas adotadas no setor. O presidente adotou uma atitude conservadora, por isso mesmo não cometeu equívocos. O segundo ponto foi que ele conseguiu dotar muitas famílias de baixa renda, que viviam na miséria,  de um relativo poder aquisitivo, tudo isso por conta da bolsa família e do aumento do salário mínimo. O ponto negativo é que o governo é perdulário ao gastar mal o dinheiro público, deixando de investir na infra-estrutura do país. Além de trabalhar com uma carga tributária das mais elevadas do planeta, o que inviabiliza novos investimentos. Com relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), este é uma jogada de marketing de Lula e Dilma Rousseff.
JGB – Aliados históricos do Democratas estão migrando para outros partidos. Isso significa que está existindo um esvaziamento no partido?
ACM Neto – A pergunte é: quem está certo, quem permanece no partido ou quem o abandona? Os que ficaram são coerentes pelo fato de ter respeitado a vontade das urnas, a vontade soberana do povo nos conduziu em 2006, para sermos oposição. Por isso estou fazendo oposição. Os que deixaram o partido estão desrespeitando a vontade popular. O Democratas é um partido que tem idéias e posições bastante definidas e é justamente isto que a política brasileira mais precisa.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).