Bahia um estado d´alma na Bienal do Livro

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Para comemorar os 460 anos de fundação da cidade de Salvador, o jornalista e pesquisador Gutemberg Cruz lançou no dia 26 de março, o livro “Bahia, um estado d´alma”. O livro vai estar na 9a Bienal do Livro 17 a 26 de abril de 2009 no Centro de Convenções da Bahia, além de estar à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 e Cinema Glauber Rocha) e Pérola Negra (Canela). Segundo o autor, a cidade guarda de forma mais intensa a variada escala de cheiros e sabores. Em cada esquina, um aroma diferenciado que sintetiza e expõe os altos e baixos da Bahia de São Salvador. A experiência olfativa em Salvador – terra de todos os cheiros – pode ter como ponto de partida o Pelourinho com seu aroma do azeite de dendê exalado de fumejante tachos das baianas de onde saem suculentos acarajés. Ou a água de cheiro da procissão de Iemanjá e a alfazema do afoxé Filhos de Gandhi ou da Lavagem do Bonfim.

Salvador tem um cheiro gótico, odor de profanação indefinida, de misturas memoriais. É um perfume doce, forte, suave, libidinoso. A cidade deixa escapar um cheiro de saudade da tarde que escurece e a brisa cresce. E o cheiro muda da Barra para Itapuã, de frutas exóticas e peixes saltitantes. Do Mercado Modelo o cheiro de caranguejo, da Baixa dos Sapateiros, o cheiro de limão e do Centro Histórico o cheiro do amor, de velas acesas para Nosso Senhor. Cheiro de orvalho, como gotas de música misturado ao cheiro de urina, cheiro de menina. Cheiro de terra molhada, folha amassada, verdinhas e atraentes. De espuma de uma rua, cheiros sutis de umbus suculentos, mangabas grudentas, abacaxis atraentes, jacas deliciosas e cajus refrescantes. Pode ser na Feira de São Joaquim, Sete Portas ou Mercado de Itapoã, roteiros de devoção.

COMENTARISTA – Para a professora Nilzete Alves, Gutemberg Cruz não assume a postura do especialista ao escrever Bahia, um estado d´alma, ao contrário, procura o ângulo do comentarista que vive o local. Louva quem bem merece, deixando o ruim de lado, como bem aconselha Gilberto Gil. Seu texto se lê fluentemente esvaziado de pretensões de um rigor científico de análise que, muitas vezes, nem se aplica a uma realidade fugidia como a “terra da felicidade”. Em seu arsenal de informações, com experiências que vivenciou profundamente, o humor e sutileza se articulou entre as letras de músicas onde as alternâncias entre repouso (classicismo) e movimento (barroco), claro e escuro convivem no mesmo espaço, com rigor (ou técnica) e emoção.

A Bahia dos becos escuros, com seus mistérios, sons e cheiros; a Bahia da costa clara, banhada por um mar amigo que inspira suas canções. O seu povo, plural na sua etnia e singular nas suas manifestações. Salvador é singular porque é plural. Emoções, sensações e imagens. A Bahia é plural na sua diversidade de religiões e singular na tolerância da coexistência das mesmas respeitando a opção dos indivíduos que as praticam. É muito comum na Bahia ser católico e adepto da umbanda ao mesmo tempo, independente de sua cor ou classe social. As próprias festas católicas têm também sua versão profana.

O sociólogo Gilberto Freire definiu Salvador como uma cidade talássica, isto é, uma cidade que ia desenvolvendo, em todos os sentidos e direções, o gosto e os hábitos das coisas do mar. Como diria o escritor João Ubaldo Ribeiro, festeira e barulhenta, a cidade entrega-se com facilidade ao visitante, mas quase nunca abre aos seus mistérios.

QUADRINHOS – Gutemberg Cruz criou, em 1968, juntamente com alguns estudantes, o Centro de Pesquisa de Comunicação de Massa (o antigo Clube da Editora Juvenil), órgão que estudou os quadrinhos, cartuns, caricaturas, grafismo em geral. Na época eles lançaram o fanzine Na Era dos Quadrinhos. De 1970 a 1972 escreveu no jornal A Tarde a coluna semanal Os Quadrinhos em Foco. De 1977 a 78 assinou a coluna Os Quadrinhos em Estudo n`A Tarde. Em 190 publicou a coluna diária, Cronologia das HQs no Correio da Bahia.

Depois de publicar diversos artigos sobre artes gráficas, música, cinema, literatura e potencialidades dos municípios baianos no Jornal de Salvador, Notícias da Bahia, Diário Oficial, revista Quatro Cantos, Revista da Bahia, Revista Estados & Municípios, entre outras, passa a escrever a coluna Quadrinhos na Tribuna da Bahia de 1989 a 1991. De 1993 a 95 escreve a coluna semanal Quadrinhos no jornal Bahia Hoje.

PRÊMIOS – Além de jornais, produziu programas nas rádios Educadora, Piatã, Bandeirantes e na TV Itapoan. Ganhou o prêmio Parker de Jornalismo Estudantil (1975), foi citado no livro Comics-The Art of the Comics Strip, da Graphis Press (Zurich, 1972), recebeu os troféus Crítico do Ano no 4º Encontro Nacional de HQ, setembro de 1991, na cidade de Araxá, MG e HQ MIX – considerado o mais importante do mercado brasileiro de quadrinhos – em São Paulo, pelo livro O Traço dos Mestres, em 1996.

Em 1997 recebeu outro HQ Mix de melhor livro de humor, em São Paulo por Feras do Humor Baiano. Além desses dois livros publicou Gente da Bahia (Editora P&A. 1997) e Gente da Bahia 2. (1998) e O Que Nós Falamos Sobre Municípios (2000). Desde 2005 é colunista semanal do jornal Agora (Itabuna) e editor do blog diário Blog do Gutemberg (blogdogutemberg.blogspot.com), além de escrever sobre municipalismo no Diário Oficial dos Municípios.

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