Ao protestar contra o aumento da passagem de ônibus, estudantes são agredidos

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.


Um dia funesto para história

Um dia funesto para história democrática da Bahia. Estudantes de Feira de Santana, oriundos do ensino superior, médio e fundamental, são detidos com violência pela Guarda Municipal de Feira de Santana e pela Polícia Militar da Bahia (Pelotão Tático e Asa Branca). Alguns estudantes de forma arbitrária foram selecionados pela polícia que os conduziu ao CP (Complexo Polícia). Por mais incrível que pareça, o gesto de maior violência perpetrado pelos estudantes foi o de lançar tomates na sede do SINCOL (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Feira de Santana).

Maria José Andrade Souza, 22 anos, estudante da UEFS, representante do DCE (Diretório Central de Estudantes), explica que o protesto contra o aumento abusivo do valor da passagem, contava com 300 pessoas, e teve inicio em frente à Praça do Colégio Gastão Guimarães. “Ao aproximarem da sede do SINCOL, alguns mais exaltados jogaram tomates, em um gesto de protesto juvenil. Membros do sindicato solicitaram apoio polícial, que reprimiu com violência e prendeu estudantes”.

A ação policial ocorreu, quando os alunos se encontravam em frente ao terminal de ônibus da Getúlio Vagas, “estranhamente, os ônibus desviavam do terminal, sem que houvesse de nossa parte, qualquer ato de violência”, e segue acusando o Conselho Municipal de Transporte de não ter avaliado corretamente os custos apresentados na planilha, “receberam a planilha na véspera e votaram no dia seguinte, o aumento da tarifa, obedecendo interesses dos empresários”.

Com afirmações do tipo “não existe estado”, “o povo tem que ir às ruas e se manifestar”, “o papel da polícia foi bem claro, não o de manter a ordem nem os interesses do povo, e sim, dos empresários”, “é um conselho municipal vendido”, “a Prefeitura de Feira não responde aos interesses populares”. Jovens estudantes tentavam extravasar com indignação o sentimento de desespero e desrespeito com que foram tratados.

Tarifa de R$ 2, é a segunda mais alta do Nordeste

Os alunos levavam uma pauta de reivindicações e estudaram o tema. Citavam como exemplo a tarifa cobrada em Fortaleza, capital do Ceará, município que atende uma população de 2,2 milhões de habitantes. “Em fortaleza o valor da tarifa é de R$ 1,60, aos domingos o transporte público é gratuito e ela não é reajustada há quatro anos”.

Outro pleito apresentado pelos alunos solicita uma reformulação do Conselho Municipal de Transporte, órgão responsável pela avaliação de custos e fixação de valores. Na opinião dos estudantes, o órgão não esta sintonizado com a realidade social da população. Por último, reivindicam a gratuidade para os estudantes, “queremos o passe livre de ônus. Possibilitar acesso ao estudo é um dever do estado”, concluí Giliardson de Souza, 23 anos.

Nota Pública emitida pelo SINCOL

Feira de Santana, 28 de abril de 2009

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Feira de Santana, Sincol, diante do fato ocorrido em nosso município na manhã do dia 28 de abril de 2009, deseja expressar a sua preocupação com o exercício da cidadania e com interpretação da garantia dos direitos humanos.

O Sincol apóia qualquer espécie de expressão pública de opiniões ou sentimentos coletivos, desde que a mesma não venha ferir a dignidade do ser – humano, garantida por lei pela nossa Constituição, independente de raça, cor, idade ou profissão. O ato de manifestar-se é um direito constitucional, mas deve ocorrer de forma pacífica, de maneira que as ações de protesto não causem violação aos direitos humanos.

Infelizmente, estes princípios básicos de cidadania não foram levados em consideração pelos manifestantes que protestaram em frente à sede da instituição na manhã do dia 28 de abril, quando um grupo de jovens munidos de tomates e ovos atingiu usuários do sistema que eram atendidos no interior da instituição. A ação dos manifestantes gerou um verdadeiro tumulto, chegando a envolver idosos. A instituição teve a fachada da sede pinchada e equipamentos, como cerca elétrica, danificados.

O SINCOL entende que o aumento das passagens do transporte público urbano de Feira de Santana é visto, por muitos, como um inconveniente. É um direito do cidadão, indignar-se com certos fatos e buscar transformações ou melhorias através de manifestações, desde que sejam pacíficas e pautadas no diálogo e no debate, sem jamais usurpar ou desrespeitar o direito do próximo.

Diante deste lamentável episódio, o Sincol, preocupado em manter a ordem e a até mesmo a integridade dos usuários que freqüentam a sede da instituição, tomou as medidas judiciais cabíveis. Ademais, desejamos que fatos como este não mais ocorram, e informamos que o sindicato está sempre disponível para ouvir a população feirense.

Atenciosamente,

Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Feira de Santana

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Redação do Jornal Grande Bahia
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