A situação do escritor brasileiro | Por Luis Amorim

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Ainda que muito esporadicamente, são realizados eventos, pelo Brasil afora, para discutir os rumos da cultura de um modo geral, englobando todos os tipos de arte, ou mais específicos, como para discutir a situação do escritor.

Já participei, desde que comecei a escrever – e isso faz muito tempo – de vários seminários, fóruns, encontros e congressos nacionais para discutir e encontrar soluções para os problemas dos escritores, mas apesar de enumerados os problemas e de sugeridas e prometidas as soluções, nunca se resolveu, na verdade, nada. O que se aproveita, mesmo, é a confraternização da classe.

Parece exagero, mas é verdade. Nesses eventos, sempre se constatam, se detectam os mesmos problemas: há falta de espaços para a literatura na imprensa, há uma dificuldade cada vez maior em se publicar um livro, principalmente para o escritor novo: as editoras não investem no novo, para não arriscar o seu capital, preferindo publicar nomes consagrados ou títulos importados. E bancar a edição do próprio livro é impossível, pois o autor não tem recursos para tal, uma vez que o custo é considerável. Sem mencionar que a edição própria fatalmente vai se restringir ao regionalismo, pois o autor não terá um distribuição eficiente para vender a sua obra e ele mesmo terá que colocar o livro debaixo do braço e sair a oferecê-lo.

Constata-se que, apesar da dificuldade de se publicar livros, o número de escritores aumenta cada vez mais, ainda que a qualidade de uma grande parte seja discutível. Mas esse é um outro assunto.

Quanto à função social, cogita-se que o escritor não conseguirá mudar ou transformar a sociedade através do instrumento de denúncia que é a literatura – não sou eu a dizer isto, estou colhendo esses itens em cartas resultantes de encontros e congressos – justamente porque não chega até o leitor – porque o livro ainda é o suporte mais eficaz da literatura, apesar de existir, hoje a internet. E também porque a obra literária pode ser perigosa para o poder – e conseqüentemente para o escritor – como agente denunciador, num confronto cultura/estado, tolhendo a liberdade do autor.

Outros pontos importantes são levantados nos tais encontros, seminários, congressos e afins, que ficam muito bonitos e interessantes no papel, mas que dele, infelizmente, raramente saem: assegurar a continuidade da produção cultural, ampliação das liberdades democráticas e direitos essenciais; garantir empregos para todos, para que todos tenham acesso à cultura; reformulação do sistema do ensino; reivindicar uma política cultural que contemple a preservação do patrimônio cultural, seja ele constituído de bens espirituais ou expresso nas criações eruditas e populares e a inclusão, nesse acervo, dos bens produzidos pelo atual estágio da civilização brasileira, pois o patrimônio cultural de um país não é uma realidade acabada, mas um contínuo processo de criação; reconhecer que o escritor tem compromissos sociais indeclináveis e liberdade de criação artística, não subordinadas a padrões extra-literários de qualquer natureza; reclamar a urgência de legislação que disponha sobre o exercício da profissão de escritor e desenvolver estudos e pesquisas relativas ao direito autoral; recomendar que no contexto geral da reforma do ensino se instituam estruturas mais dinâmicas e claras para o ensino da cultura e da literatura, de modo que esse ensino e aprendizado envolvam a reflexão crítica e o estímulo à criatividade e proporcionem a reação direta do aluno diante do texto literário.
Então, infelizmente, depois de décadas de discussões, levantamentos e estudos sobre todos esses aspectos, a situação do escritor continua a mesma: as editoras não publicam seu livro, se quiser publicar tem de arcar com o custo e se conseguir uma edição própria não há distribuição para vender a obra. O que resulta em uma regionalização cada vez mais restrita.

A única mudança no cenário literário brasileiro é a utilização do espaço virtual que a Internet dá, a baixo custo. A grande rede fica apinhada de textos – e nem todos são lidos – mas pelo menos é um espaço democrático e está aí ao alcance de todos.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 112671 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]