Meu Cinquentenário: Parte 2 | Por Juarez Duarte Bomfim

Juarez Duarte Bomfim.
Juarez Duarte Bomfim.

Neste 23 de março, quando o sol se faz presente na casa de Áries, completo o meu Cinqüentenário. Confesso que não esperava tanto…

Quando muito jovem, pensei que seriam breves os meus dias aqui na Terra. Viveria no máximo 36 anos. Não me perguntem por que essa idade referência, é totalmente aleatória e arbitrária, fruto de uma falsa intuição.

Todavia, Deus me deu mais tempo de vida aqui no plano terrenal, neste vale de lágrimas, lugar de dor e sofrimento, onde o filho chora e a mãe não ouve. Deve haver um sentido para se prolongarem os meus dias aqui na Terra. Um propósito.

Não será um propósito grandioso, que afetaria meia humanidade, como costumam ser as escolhas e decisões tomadas por estadistas e líderes políticos. Não. Talvez alcance só a mim mesmo. A mim e a minha pequena família nuclear.

Dúvida filosófica: Qual o sentido da existência?

Buscar a felicidade. Responderíamos.

E… que é a felicidade?

Quando eu era menino, pensava como menino. A felicidade para mim se traduzia em um apetitoso e caudaloso pudim de leite moça, o qual avidamente degustaria até o saciamento; logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Os gostos e os prazeres foram mudando… e já na juventude felicidade para mim se apresentava como um idealizado e inesquecível sexo com a parceira desejada.

Na fase da vida adulta, onde o antigo e mundano homem vulgar morre para renascer como místico cristão, felicidade se realiza em amar a Deus sobre todas as coisas. Este é o caminho.

Essas três fases da vida humana correspondem a outras três, que correm paralelas e complementares.

São três ciclos, que apresentam uma linha de progressão: o primeiro, sustentado pela filosofia da práxis, visa mudar o mundo. O que impulsiona o jovem a aderir e participar de movimentos políticos e comportamentais ditos revolucionários. O desencanto com este ilusório caminho coletivo de libertação leva ao segundo ciclo, o da procura hedonista em si. A busca do prazer sensorial.

Aí então, o objetivo a alcançar são os prazeres da carne: um bom sexo, uma boa comida, um bom vinho. A “sabedoria” está centrada na gastronomia, enologia e no erotismo.

Muitos se bastam neste segundo ciclo, e nele estacionam. Porém, os verdadeiros buscadores saltam para o terceiro: então se revela o caminho da espiritualidade e autoconhecimento. Libido mística? Ou despertar da kundalini?

Chego aos cinqüenta anos em melhor condição física que aos quarenta – apesar de mais velho. É que na última década me livrei de hábitos prejudiciais à saúde, e com isso fui presenteado com a graça da cura de oito enfermidades. Ter-me tornado abstêmio de álcool, tabaco e qualquer adicção me livrou, ao mesmo tempo, da obesidade, hipertensão, apnéia, encefalia, gota e, obviamente, das adicções.

Uma sensível mudança física foi o declínio da libido (virilidade, tesão). Nada grave por hora. Ou que provoque protesto da minha senhora. Nada que não possa ser resolvido, quando mister, pelo viagra e seus similares, para uma batalha mais dura e longa.

De fato, nos dias de hoje, a disfunção erétil, ou o risco dela, é algo solucionável. Quer seja por viagreiras substâncias milagrosas, quer seja pela possibilidade de uma providencial prótese peniana, quando necessário. O caminho a seguir depende das escolhas que sejam feitas.

Há dois caminhos: o paulino, do celibato, da abstinência sexual, da castidade – neste caso a disfunção erétil seria um falso problema. E há o caminho do maithuna – a retenção orgástica na prática sexual.

A pergunta é: que fazer com a libido? Com a energia sexual?

A energia sexual corresponde a nossa energia vital. A sábia natureza estimulou o interesse pela procriação concedendo-nos o prazer no ato sexual.

No seu primeiro impulso ela, a energia vital, seduz o homem com o prazer, para garantir a perpetuação da espécie. E aí está o grande desafio, pois o ser humano pode, então, se tornar escravo desta energia e passar a ter um comportamento libertino e promíscuo.

Já outros homens, por devoção ou crença, abstêm-se do uso dessa energia. E isso pode irromper um dia e produzir estragos, perversões; ou faz adormecer essa energia, secando seu leito em prejuízo dele mesmo.

“Alguns poucos, em vez de fazer diques ou amortecer essa energia, remontam à fonte vital. Procuram saber de onde nasce essa energia que é capaz de fazer nascerem os seres. E por reconhecer que ela nasce do próprio Eterno, desviam-na do leito do prazer mundano, que proporciona a perpetuação da espécie, e dirigem-na para a espiritualização do individuo, proporcionando a perpetuação da alma. Baseados nisso, usam toda a energia que os sustenta no sentido de possibilitar que renasça o novo homem, como cidadão cósmico, não mais interessado nos prazeres egoístas, mas na glória da manifestação de Deus no homem e em todos seus filhos”.

A transmutação da energia sexual – que leva ao despertar da Kundalini através de práticas esotéricas sagradas – objetiva o despertar espiritual.

Essas reflexões acima são coisas de um cinqüentão para o qual a questão da sexualidade é central na existência terrena e também a chave para a transmutação energética no sentido ascensional, de retorno à casa do Pai.

Qualquer que seja o caminho escolhido a meta deve ser a busca da iluminação, quando – se alcançada – o espírito emancipado não estará mais obrigado a participar do ciclo reencarnatório, de nascimento e morte. Prometeu-nos Cristo Jesus: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá”.

O caminho da iluminação é o Nosso Senhor Jesus Cristo, pois a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.

Amém Jesus, Maria e José.

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 742 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]