Feira de Santana: artista plástico Luiz Gomes expõe obras com temas rupestres

Luiz Eduardo Barreto Gomes.
Luiz Eduardo Barreto Gomes.
Luiz Gomes finaliza uma das obras com o tema rupestres.
Luiz Gomes finaliza uma das obras com o tema rupestres.
Obra da série rupestres, de autoria de Luiz Gomes.
Obra da série rupestres, de autoria de Luiz Gomes.
Detalhe da série de obras com o tema rupestres, de autoria de Luiz Gomes.
Detalhe da série de obras com o tema rupestres, de autoria de Luiz Gomes.

O artista plástico feirense Luiz Eduardo Barreto Gomes (Luiz Gomes) recebe convidados para vernissage RUPESTRES, hoje à noite (26/03) na Galeria de Arte Maria da Luz (Av. Getúlio Vargas | Feira de Santana | Loja da Luz a Forma). As pinturas utilizam a técnica do óleo sobre tela, cujo como tema principal é a arte rupestre e tem por objetivo realizar uma releitura dos desenhos e gravações dos primeiros habitantes do planeta. A exposição estará aberta ao público do dia 27 de março até 30 de Abril de 2009.

Rupestres

Confira o texto Rupestres’, elaborado pelo Professor da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), Cledson Ponce Morais, sobre a obra de Luiz Gomes e a temática utilizada.

Rupestre, segundo HOUAISS, é tudo “que cresce nos rochedos; gravado na rocha: inscrições rupestres; arte rupestre: desenhos e pinturas das cavernas pré-históricas”.

Há milhares de anos, a arte se fez inerente ao homem e o homem passou a fazer de cada ato seu uma manifestação de arte. In illo tempore, quando o homem praticamente só grunhia e gesticulava para fazer-se entender pelo grupo, também objetivava a comunicação. A arte partiria de sua necessidade de comunicar-se e ganharia forma através de suas mãos. Ainda que nem falasse e só apresentasse rudimentos que viriam a formar sons, fonemas e sílabas próprios de futuras línguas, o homem buscou expressar seu pensamento aos demais: estendeu suas idéias, usou suas mãos, começou a desenhar, a dizer a gerações vindouras que ele passara por ali.

O que mais dizem os desenhos? Várias são as classificações e várias as suposições de ciências que tentam interpretá-las. Aos olhos da Arte, tais desenhos, monocromáticos ou não, expressam idéias, visões de mundo e realidades vivenciadas por povos pregressos que registraram seus quotidianos e leis da natureza que os inquietavam, sem se darem conta de que faziam arte. Embora não a conceituassem, executavam-na com noções de estética.

Milhares de anos depois, ainda suscitam fascínio, tanto que na arte rupestre o próprio Pablo Picasso buscou inspiração, Joan Miró brincou de ser rupestre e Luiz Gomes redescobriu a ESCOLA RUPESTRE: “Releituras”, segundo suas próprias palavras. Mas Luiz Gomes sabe que as releituras são necessárias à humanidade, embora a humanidade esteja sempre em mutação, e cuja História se repete sempre, porém revestida de novas visões estéticas, que se manifestam em várias formas de arte.

A fase que Luiz Gomes ora inicia foge totalmente do geométrico bem elaborado que o caracterizaram por tanto tempo. Ele recorre à história de antes da História para trazer do passado os poemas que um dia foram rupestremente gravados na rocha. No presente, brinda-nos a nós, fruidores, com uma arte “ingênua”, “despretensiosa”, “descompromissada”, mas agradável aos olhos por ser agrestemente bela. Suas composições em tons terrosos identificam uma nova fase: salmons, laranjas, castanhos e ocres criam uma base de fundo que elucida tons sertanejos; cisões, ranhuras, pinceladas e texturas que parecem saltar das telas em forma de superfícies rochosas. Seus temas, animais sagrados, animais-alimento, animais na natureza.

Sua geografia são paisagens da Patagônia, da África e de uma Bahia Chapadadiamantinense. Cores, formas, temas: do lagarto à lhama, do “avestruz patagônico a figuras que lembram escaravelhos egípcios, homens caçando, homens dançando, homens-pássaro, mulheres-pássaro; evocações ao divino sol africano, evocações a Inti e a Pacha-Mama dos povos andinos, filhos do divino sol sul-americano. Sóis de inspiração afro-baiana, espiralados, Sóis raiados, ora em branco, ora em vermelho ou mostarda, sempre o Sol.

Luiz resgata no passado a palavra que não foi dita e o pensamento não revelado, recria ambiências olvidadas e manifestações de comunicações pretéritas que denotam nesta nova fase a sua versatilidade como artista contemporâneo e sua sensibilidade como ser humano. Entre tintas e pincéis, saúda a seus antepassados e coloca-os novamente entre nós, evidencia-os, ressuscita-os da História e traz-los de volta, sem dizer palavra ou seqüências de. À arte rupestre não são necessárias palavras.

CLEDSON JOSÉ PONCE MORAIS

Professor de História da Arte/DLET-UEFS

Mestre em Literatura e Diversidade Cultural/UEFS

Historiador no MAC – Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira – Feira de Santana.

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