Livros e Apostilas | Por Luis Amorim

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Início de ano letivo. Quem tem filhos na escola, começa a maratona de pesquisa de preços para a compra de material escolar, livros e apostilas.

Os livros, como sabemos, são caros, mesmo os didáticos – principalmente, talvez, porque precisamos comprá-los. Então, em alguma época de um passado não muito distante, alguém descobriu a apostila: ela reuniria toda a matéria a ser estudada, de várias disciplinas, em um único volume, para baratear o preço final para o aluno.

A finalidade da idéia era fazer com que o estudante, ao invés de comprar vários livros, tivesse as suas necessidades supridas com a apostila. Infelizmente, o propósito inicial desvirtuou-se, porque a apostila tornou-se popular e prática e – ironia do destino – acabou transformando-se no pesadelo de pais e alunos. Sim, porque apesar de ser feita com material “condensado” de outros livros, está muito cara e nem sempre tem bom conteúdo.

Uma apostila de um conhecido curso, para segundo grau, adotada por várias escolas, reunindo todas as disciplinas correspondentes à série estudada, mas dividida em volumes por bimestre, custa mais do que qualquer dos livros que precisariam ser comprados. Se fizermos as contas, todos os livros de todas as matérias que a apostila substituiria poderiam custar menos.

E isso sem contar que nem sempre há crédito, nas ditas apostilas, uma bibliografia que indique de onde foram “condensados” os textos publicados ali. Quer dizer: o conteúdo pode ter sido copiado aqui e acolá e é publicado sem pagar direitos autorais a ninguém.

É, realmente, muito “prático” catar conteúdo – eu diria “chupar” – em várias fontes e publicar, simplesmente, sem dar nenhum crédito a quem quer que seja. Mas é ilegal. Isso é plágio, é pirataria.

Onde estariam as autoridades competentes que ainda não viram isso? O propósito da famigerada apostila, que era facilitar ao aluno a aquisição do material didático para estudar, diluiu-se na ganância de cursos e editoras que o transformaram numa maneira fácil de ganhar dinheiro.

O Ministério da Educação gasta milhões de reais na compra de livros das grandes editoras brasileiras para os estudantes das escolas públicas. Talvez pague mais do que deveria, mas o material de estudo das nossas crianças é responsabilidade do estado, que o compra com o dinheiro dos impostos que pagamos. Aliás, deve gastar mais neste e nos próximos anos, já que todos os livros terão que ser reimpressos, em decorrência da vigência da Nova Ortografia da Língua portuguesa neste ano. Talvez devesse fiscalizar ou normatizar as “apostilas” que proliferam por aí.

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