Salvador: Gutemberg Cruz lança ‘Bahia, um estado d’Alma’

Gutemberg Cruz lança 'Bahia, um estado d'Alma'.
Gutemberg Cruz lança 'Bahia, um estado d'Alma'.
Gutemberg Cruz lança 'Bahia, um estado d'Alma'.
Gutemberg Cruz lança ‘Bahia, um estado d’Alma’.

Para comemorar os 460 anos de fundação da cidade de Salvador, o jornalista e pesquisador Gutemberg Cruz lança nesta quinta feira (26/03/2009), no Espaço Cultural Unibanco (Galeria do Livro) Cinema Glauber Rocha (Praça Castro Alves) a partir das 18h30min o livro “Bahia, um estado d´alma”. Capa e contra capa com ilustração do artista gráfico Wilton Bernardo. O livro está à venda nas livrarias: LDM (Livraria Multicampi, Piedade), Galeria do Livro (Espaço Cultural Unibanco na Praça Castro Alves e Boulevard 161, Itaigara) e Pérola Negra (Canela). A jornalista Cathyanne Rodriguez no prefácio informa: “A Bahia é um estado d’alma. (…). Não faz diferença que o baiano more em Paris ou Grécia, num casarão vitoriano ou num apartamento modernista, a Bahia o habita. Assim, a Bahia é onipresente. Cada um a carrega vida afora à sua maneira. Cada um tem a sua Bahia.. É assim que Gutemberg Cruz inicia sua obra: com emoção e simplicidade. E isso é recorrente ao longo de cada capítulo. Mesmo aquele que nunca foi a Bahia, sente-se caminhando por entre as descrições sensoriais do autor. Mais do que puro e simplesmente ler um livro, passeia-se pelo barroco, pelos becos escuros, pelos mistérios, encantos, sons, cheiros, imagens, sensações e emoções da Bahia”.

“Além de conhecer a Bahia, o autor presenteia o leitor ainda com o desvendamento de mitos, lendas e curiosidades desta terra. Uma das lendas que corre mundo afora é de que Salvador possui 365 igrejas, uma para cada dia do ano. O autor, sabiamente não desmitifica isso dando o número exato de igrejas, ele faz melhor: elucida a razão pela qual a capital baiana ostenta tantas basílicas e templos religiosos. Segundo ele, a disposição dos baianos para a festa, as transgressões e o caráter lascivo foram motivos suficientes para que nossos colonizadores erguessem tantas igrejas: para que as pessoas confessassem seus pecados. E tome igreja em cada esquina!”

Abençoada

“A Bahia é, de fato, uma terra abençoada. O capricho da natureza é evidente no seu litoral de praias tranqüilas recheadas de coqueiros. Salvador carrega a fama de possuir 365 igrejas, uma para cada dia do ano, no puro estilo barroco. Símbolos da cidade como o Elevador Lacerda, o Farol da Barra e o Pelourinho encantam os visitantes. Aqui foi o berço onde se proliferaram movimentos que modificaram padrões estéticos de alguns segmentos da arte produzida no Brasil. A Bahia impulsionou o surgimento de notáveis escritores, músicos, políticos, juristas e educadores”.

“A fusão dos sons dos atabaques dos candomblés e o ritmo do samba-reggae, que costumam invadir as noites, transformam a capital da Bahia numa cidade diferente. Mais do que encantadora malemolência e jingado do povo baiano, chamam a atenção dos visitantes o sincretismo religioso e a beleza da cidade velha, que reúne um dos principais acervos culturais do país. São obras e monumentos do período renascentista, sacro, barroco, rococó e neo-clássico, distribuídos em pelo menos 166 igrejas e dezenas de museus. As estreitas ruas das íngremes ladeiras do Centro Histórico de Salvador, onde está localizado o Pelourinho, faz as pessoas retornarem ao passado. Casarões se perfilam por quarteirões inteiros, relatando, séculos depois, o fausto de uma época marcada pela riqueza e o rigor no trato com a população negra. Hoje os moradores do Pelourinho se destacam pela busca de uma cidadania outrora negada, e entidades como o Olodum se fortalecem dia a dia”.

Pluralidade

“A formação geográfica de Salvador, de forma triangular e cercada pelo mar em dois lados, concede condições privilegiadas para se aproveitar o sol, enquanto uma breve brisa sopra constantemente, tornando o clima muito agradável. Capital da pluralidade misturando novo e antigo na alegria de uma gente que soube guardar herança cultural de três raças e mescla-las numa só, criando esta identidade tão peculiar, que distingue o baiano de todos os outros povos dopais continente Brasil. Durante debate sobre conceito de Nação com teóricos do Partido Comunista da União Soviética, em Moscou, o dirigente comunista baiano Armênio Guedes, solicitado a dar sua opinião sobre o Brasil, respondeu, segundo Jorge Amado em “Navegação de Cabotagem”: “Se o Brasil é uma nação eu não sei. Conheço pouco de Brasil. Mas que a Bahia é uma nação, é, sem a menor dúvida”.

“A cidade mais antiga do Brasil, que completa 460 anos de vida, reúne praias belíssimas como a de Itapuã e a de São Tomé de Paripe, e parques de beleza natural como de Pituaçu, Abaeté e São Bartolomeu. O cidadão de Salvador nunca perde de vista a identidade. No simples sorriso que recepciona os visitantes ou na amistosa saudação aos íntimos (“diga aí, meu rei!”), no mergulho na Baía de Todos os Santos ou na subida da Colina Sagrada e na ritualística celebração, de bermuda e camiseta na Fonte Nova em dia de Ba Vi este povo exala o charme maior da cidade. O soteropolitano que recebe os turistas com um largo sorriso sabe que sua cidade é de Oxum, deus das águas doces, da malemolência, do dengo e dos mistérios. Assim é a Bahia, “terra da felicidade”, “cidade mãe” porque é acolhedora, cidade do sol, sempre sorrindo, do samba de roda, do som saliente, sabores sortidos e suculentos, e rica em tradições. Uma terra ao mesmo tempo singular e plural”.

No passeio pela Bahia, Gutemberg mostra a identidade visual de muitos municípios como Porto Seguro, a cidade monumento, Caravelas e o Arquipélago de Abrolhos, Ilhéus a terra dos romances de Amado, Itacaré ótima para o surf, Canavieiras a capital do caranguejo, Valença terra do camarão, Mucugê e o cemitério bizantino, Abaíra e sua boa cachaça, Iraquara cidade das grutas, Lençóis a capital do diamante, Paulo Afonso a terra dos esportes radicais, Juazeiro a capital da irrigação, Tucano e suas águas minerais, Monte Santo a terra dos peregrinos, Barreiras a capital da soja e Bom Jesus da Lapa a cidade santuário, da fé.

Redação do Jornal Grande Bahia
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