Florianópolis: 283 anos | Por Luis Carlos Amorim

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Florianópolis está de aniversário, neste 23 de março. Independentemente das comemorações oficiais, fico pensando se há, na verdade, muito a comemorar. E chego a conclusão que há, mas também há o que lamentar, infelizmente. E as duas coisas são intrínsecas, porque justamente por ser um dos melhores lugares do mundo para se viver, está se tornando muito perigoso viver na capital.

Devemos comemorar e agradecer pelas belezas naturais que Florianópolis descortina diante de nossos olhos, para quase todos os lados que olhamos.
A capital catarinense tem dezenas de praias belíssimas: praias de águas mansas ou de mar agitado, de acesso fácil ou por meio de trilhas, com infra-estrutura ou semidesertas. Tem a Lagoa da Conceição: “Num pedacinho de terra / beleza em par! / Jamais a natureza / reuniu tanta beleza / jamais alguma poeta / teve tanto pra cantar!”, como já dizia Zininho, em seu “Rancho de Amor à Ilha”, hino oficial de Florianópolis. Tem também a Ponte Hercílio Luz, ponte pêncil das maiores que existem, cartão postal da cidade, conhecida no mundo todo. Foi tombada como patrimônio histórico e artístico.

Tem as rendeiras, tradicionais, algumas ainda fazendo, como há tantos anos, a renda de bilros, criando peças belíssimas. Tem a velha figueira, centenária, na Praça XV, outro cartão postal. Tem os manezinhos, nativos da ilha, gente acolhedora e alegre.

E justamente o fato de ser um lugar bom de se viver, fez com que a propaganda trouxesse para cá gente que não deveria vir, que trouxe consigo a violência e a insegurança. Os diversos meios de comunicação de âmbito nacional tem veiculado, repetidas vezes, e não é de agora, que Florianópolis é o lugar que tem a melhor condição de vida, que é o melhor lugar para se viver, que é o lugar mais belo que há. Em decorrência disso, muitas pessoas migram para cá. E algumas não vêm para admirar das belezas da capital, mas sim para usufruir da propriedade alheia.

Então é muito triste constatar a violência crescendo na nossa capital: assassinatos quase todos os dias, assaltos, seqüestros, tráfico de drogas. Eu pretendia apenas cantar as belezas da nossa querida Florianópolis. Mas é impossível fechar os olhos para as transformações que o nosso paraíso tem sofrido, lamentavelmente.

Parabéns, Florianópolis, por mais um aniversário. Beijo o teu chão e desejo, veementemente, que a tua beleza maculada com a violência e a ganância, com desamor e desprezo pelo ser humano deixe de ser refém de criaturas indignas e de todos aqueles que a ferem, para que, num futuro próximo, possamos comemorar com mais alegria o seu aniversário.

Redação do Jornal Grande Bahia
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