Discutindo o prêmio Cruz e Souza | Por Luiz Carlos Amorim

O retorno do Prêmio Cruz e Sousa está provocando discussões, e isto é bom. O concurso dá alguns dos maiores prêmios do país: são cento e sessenta mil reais – já foi maior -, divididos entre os três primeiros colocados nas categorias nacional e catarinense.

A discussão quer surge entre escritores do Estado é a possibilidade de, ao invés do Cruz e Sousa dar prêmios apenas para livros acabados, dar também bolsas para projetos de romances. Isto é: o prêmio, pago em parcelas por determinado número de meses, serviria para custear a dedicação integral do escritor na construção da sua obra. É claro que haveria algum controle nesta produção, tipo não pagar a parcela do próximo mês se o cronograma da obra não estiver cumprido e assim por diante.

Isto já existe, inclusive no Brasil, e é uma grande idéia subsidiar a produção do escritor, que com uma bolsa não teria de se preocupar com outras atividades para garantir a sobrevivência.

A Bolsa Virtuose de Literatura é um exemplo. Ela é concedida a escritores que já tenham livros publicados e que queiram fazer um curso de aprofundamento em sua área. A bolsa cobre os custos do curso e dá uma ajuda de custo mensal para o participante no período de duração da mesma. Outro exemplo é Bolsa Vitae de Literatura, concedida para conclusão de obra e destinada a escritores com livros publicados. A bolsa duraria de 6 a 12 meses. Há, também, o concurso Prêmio Governo de Minas Gerais. Uma das categorias do concurso, que dá mais de duzentos e trinta mil reais em prêmios, é Jovem Escritor Mineiro e oferece quarenta e dois mil reais parcelados em seis meses, destinado à pesquisa e elaboração da obra. E há ainda o Prêmio Literário da Petrobrás, para obra de ficção e/ou poesia. Para ser apresentado, o Projeto já deve ter sido iniciado pelo autor.

A idéia não é nova, mas é muito boa. É claro que a qualidade da obra contemplada com a bolsa, depois de acabada, poderia não ser a que mereceria o prêmio. Não há como haver garantia. Mas por que não? Um projeto assim poderia ser inscrito no Edital Elizabete Anderle?

E, falando em projetos culturais, volto a bater na tecla Lei Grando. Ela existe há quase vinte anos e determina a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses, livros esses que seriam selecionados pela Comissão Catarinense do Livro. Só que não vinha sendo cumprida. Eu mencionei, em crônica anterior, que a bendita lei não havia saído do papel e então recebi um e-mail de Paulo Arenhart, ex-diretor da FCC, alertando-me que a lei foi colocada em prática na gestão dele. Ele garante que funcionou “como um relógio” durante três anos. Eu não sabia e não conheço ninguém que sabia. Mas se foi assim, está ótimo.

A boa notícia, na verdade, é que a presidente da FCC me confirmou a primeira reunião que “formatará e fará a seleção das obras para fazer cumprir a Lei Grando” para o dia 4 de março. O que surpreendeu foi a “seleção das obras” já na primeira reunião. Deve existir muitas obras inscritas. Será que os membros da Cocali já leram todos os livros?

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