O amanhã não será perene | Por João Renato Weigert

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Desde o tempo de D. Pedro II, já se falava em transpor as águas do Rio São Francisco, com a alegação de que esta seria a única solução para a seca nordestina.
Os governantes sucederam-se e sempre houve projetos para dar início às obras. Mas, foi no atual governo que as complexas discussões tornaram-se mais reais.

A transposição do rio, basicamente, constitui-se em conduzir suas águas na extensão de setecentos quilômetros através de dois canais (norte e leste) aos açudes, abastecendo rios intermitentes e assim beneficiar a população mais carente.

O projeto apresenta muitos estudos e visões diferentes em relação aos impactos sócio-ambientais, pois depende do interesse de cada segmento da sociedade envolvida na questão, tanto que várias ações contra a realização dessas obras tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Entre tantos aspectos apresentados, a maioria são impactos negativos que a obra ocasionará ao meio ambiente, como: alteração da biodiversidade de peixes, perda de área com vegetação nativa, aumento da evaporação das águas, diminuição do volume de água do rio e extinção de espécies da fauna.

Uma das preocupações na análise desses impactos refere-se à possibilidade de haver uma maior concentração de pessoas próximas aos açudes e estas fazendo o uso da água sem os devidos cuidados acabar poluindo estes locais.

Outras dúvidas que surgem: Até quando o rio suportará as perdas do volume de suas águas? O benefício maior poderá acabar favorecendo o latifúndio nordestino? Com as escavações, qual a proporção dos danos aos sítios arqueológicos? A piracema continuará a existir? Existe ainda, a temeridade de violação das leis e normas aplicadas ao uso de recursos hídricos.

Os conflitos em terras indígenas não poderão ser evitados. A circulação dos trabalhadores durante a realização das obras será constante e indesejável, visto que os índios não aceitarão a utilização de seus recursos naturais nessas áreas.

Muitos estudiosos já se pronunciaram sobre a viável alternativa de explorar as águas subterrâneas, nessa situação a vontade política deveria falar mais alto, sempre aliado aos estudos técnicos.

Num passado recente, o chamado ¨Rio dos Currais¨ foi importante para as atividades da pecuária. Hoje, o Velho Chico, ¨encurralado¨ pelo destino, poderá colaborar para a prejudicial transformação de suas características naturais e a extinção de espécies da flora e da fauna nas áreas atingidas.

Conhecemos outra história parecida, a faraônica obra da Transamazônica, e, que até hoje apresenta graves problemas. Vamos assistir a mais uma dessas aberrações, pois a Transágua está chegando.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.