O Acordo Ortográfico em vigor | Por Luiz Carlos Amorim

E o Acordo Ortográfico entrou em vigor. Proposto em 1990, o acordo ficou esperando quase vinte anos que todos os países que tem como língua oficial o português aderissem e ninguém, ao que parece, foi estudá-lo a fundo para esmiuçá-lo e dirimir as dúvidas que, com certeza, apareceriam. E apareceram, confundindo a todos que querem se adequar. Algumas regras são um tanto quanto genéricas e em alguns casos, evasivas. Como em um dos casos do hífen: “O hífen deixa de ser usado quando se perdeu a noção de que a palavra é composta”.

Quais são todas as palavras que perderam a noção de compostas? As atualizações publicadas pelos grandes dicionários, como Aurélio, Michaelis e outros, citam quase sempre as mesmas palavras, provavelmente as citadas no acordo original. Mas e o resto? Uma palavra composta pode parecer ter perdido a noção de composta para uns, mas para outros não. Sem contar que há casos em que mais de uma regra se aplica ao mesmo caso.

Então esperamos a padronização, a reforma tratada de forma clara e detalhada, que será publicada pela Academia Brasileira de Letras, que deverá sair até final de janeiro. Eu acho que já deveria ter saído no final do ano passado, mas vamos esperar para ver se teremos todas as inconsistências deste acordo ortográfico que teve tanto tempo para ser estudado e não foi.

Não sei até que ponto essa reforma era necessária, pois não muda a pronúncia de nenhuma palavra e a forma de escrevê-las, com hífen ou sem hífen, com acento ou sem acento, não muda a compreensão de nenhuma delas. A leitura dos textos de um país em outro onde o português é a língua oficial também continua como sempre foi. A compreensão só apresentará dificuldade nos casos de palavras que são usadas exclusivamente em um ou outro dos países e de palavras com sentido diferente em um e outro país. O que já acontecia e continuará acontecendo. Mas como essa é mais uma decisão política do que cultural, vamos tentar nos adequar.

Quem vai ser onerado, não só no Brasil, é o poder público, que terá de pagar a reimpressão (vai hífen aí ou não? Este caso é um que têm tido interpretações diferentes dos dicionaristas) de todos os livros didáticos da escola pública. E quando digo poder público, lembro que me refiro a nós, cidadãos, que pagamos impostos. O que significa que quem está pagando a conta somos nós.

Essa reforma trará benefícios para alguém, além das grandes editoras e gráficas? Duvido que os livros publicados em qualquer país dos envolvidos na reforma serão mais vendidos, agora, em quaisquer outros daqueles países.

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