Nada de Novo no Front! Cuba Libre?! | Por Christina Thedim

O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.O Jornal Grande Bahia (JGB) é um site de notícias com publicações que abrangem as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador, dirigido e editado pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto.

Hoje, dia 1 de janeiro de 2009, faz exatos cinqüenta anos que Fidel Castro, filho do imigrante espanhol Angel Castro Y Argi, aportou com o seu time de “barbudos”, vindo de um exílio forçado em Tuxpan, no México, na paradisíaca ilha de Cuba, levando o então ditador Fulgencio Batista a abandonar seu posto sob a proteção da CIA e consequentemente do governo americano. Dois anos depois, em janeiro de 1961, os Estados Unidos da América rompem relações com o governo cubano por nacionalizar todas as suas empresas estabelecidas neste país.

No dia 16 de abril do mesmo ano, exilados cubanos sob a orientação e treinamento da CIA invadem a ilha na esperança de recuperar o poder pelo flanco da Baía dos porcos sem sucesso. E no dia 7 de fevereiro Cuba sofre oficialmente um embargo econômico pelos EUA que perdura até os dias de hoje.

Em outubro do ano seguinte, 1962, por muito pouco não foi declarada uma guerra entre a Rússia e os EUA, após terem sido descobertos os mísseis nucleares que os russos haviam instalado na ilha, apontados estrategicamente para importantes centros americanos. Felizmente o conflito foi resolvido com a retirada dos mísseis e a promessa da Casa Branca de não invadir mais a ilha. Sem alarde os americanos retiram da Turquia seus mísseis instalados para responder a um possível ataque nuclear dos russos. Ufa! Escapamos dessa pelo menos!

Treze anos depois Fidel Castro, através do seu apelo socialista, convoca seu povo a combater a favor do governo esquerdista de Angola, contra os rebeldes apoiados pela África do Sul. Foram 15 anos de luta onde 300.000 cubanos se expuseram numa guerra insana, como são todas a s guerras!

Entre abril e outubro de 1980 o governo cubano autoriza que 125 mil pessoas deixem a ilha rumo aos Estados Unidos pelo Porto de Mariel. Em dezembro de 1991 Cuba perde seu maior aliado devido a uma grave crise financeira que levou os russos e também os cubanos a uma longa e persistente crise social e econômica. Três anos mais e 35 mil pessoas abandonariam a ilha, arriscando suas vidas precários barcos rumo aos EUA.

No dia 31 de julho de 2006, Fidel Castro abandona provisoriamente o posto de ditador cubano para se submeter a uma cirurgia de emergência no intestino. Após dois anos sob especulação sobre sua real condição de saúde, seu irmão Raul Castro assumiu no dia 24 de fevereiro o comando socialista na ilha, após ser eleito por um conselho da Assembléia Nacional.

Durante todo esse tempo um nome foi permanentemente citado como uma das figuras mais importantes e míticas da revolução cubana, Che Guevara, o médico e guerrilheiro de origem argentina, proveniente de uma família classe média da cidade de Rosário. Também considerado uma belo exemplo da espécie humana de machos, Che tomou conta dos sonhos proibidos de mulheres de todas as partes do planeta e sua figura em close com a famosa boina com estrela é das mais divulgadas pela mídia pró e contra revolucionária.

Porém, na opinião de Jacobo Machover, que saiu há 45 anos atrás de Cuba com a família, após seu pai, que trabalhava como tradutor para Che, perceber os verdadeiros ventos que sopravam sobre a ilha e os futuros rumos e problemas que enfrentariam se permanecessem por lá. Foram para a França e se estabeleceram. Hoje é um ativo detrator do regime castrista e um respeitado intelectual entre os exilados cubanos no exterior. Para ele, Che era um homem que não se negava a matar pela revolução e comandou vários assassinatos. Também não acredita que haverá mudança alguma em Cuba, pois a maioria da população ainda se acha sob o domínio mental de tantos anos de ditadura. As prisões arbitrárias continuam e também as torturas e as mortes para quem se opõe ao sistema.

Concordo com ele. Não acho que uma mudança se faça num passe de mágica, nem em Cuba, nem aqui, nem na China e em outros países ainda sob o jugo de um patriarcado falido e inoperante. Só a verdadeira democracia, onde os direitos básicos de cidadania são respeitados e vivenciados, será a base para se desenvolver uma consciência popular capaz de verdadeiras transformações. Educação, saúde e, mais que tudo, liberdade de expressão, são os ingredientes necessários para que a revolução seja uma conseqüência feliz e proveitosa para qualquer nação que resolva se desenvolver com integridade moral.

Por isso, penso que não há o que comemorar nesses 50 anos de suposta revolução em Cuba. Falta a esse povo o essencial, além da educação e da saúde, que é a liberdade de se expressarem como cidadãos. O mundo capitalista está lá, mesmo que os comandantes castristas digam que não! Uma grande parcela do povo cubano vive uma vida paralela, onde os dólares compram o que a moeda cubana não compra. Existe prostituição, pobreza e muitas dificuldades no dia a dia que só com um punhado de dólares se reverte. E isso é verdade! Logo, sem qualquer apologia ao capitalismo cruel, digo que não se fazem homens com excesso de proteção e assistencialismo barato. Temos que entrar na dança para aprender a dançar e, caso não aceitemos a parceria, ter coragem e embasamento para realizar as mudanças e fazer o que é certo e justo.

O tempo será o único senhor do futuro que a esse país se reserva. Torço por eles, como povo e como nação. Para que um dia se recuperem e possam pensar por si próprios a fim de criarem uma nova ordem, mais justa e feliz!

Quando tento imaginar um mundo melhor só consigo realizá-lo se houver uma ordem naturalmente equilibrada e compartilhada, baseada no respeito e na negação total dos preconceitos, sendo portanto, desnecessários os governos e suas manipulações sociais. Considero-me uma anarquista, no melhor sentido da palavra, sem desordem e com muita paz!

“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar essa questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.

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