Feitio de oração

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

Disse Deus: Haja Luz. E houve luz. Assim começa a origem do mundo e das espécies, apesar de toda intolerância dos darwinistas para com as interpretações do mistério da criação feita pelos religiosos, místicos e esotéricos.

No início era o Verbo, palavra que ao ser encarnada formou o homem e o mundo. Com esta metáfora bíblica se manifesta o poder criador da palavra.

Nos ensinamentos védicos, a potencialidade infinita do som deriva do Verbo Criador “Om”, o poder cósmico vibratório por trás de toda a energia atômica.

Os poderes do som e da voz humana reverberam em todo o universo, e tem três manifestações: criação, preservação e destruição. Sempre que uma pessoa pronuncia uma palavra, aciona uma dessas três qualidades de “Om”.

A Cabala, ciência mística judaica, é a ciência do poder das palavras, e confirma os Vedantas. Os sábios cabalistas afirmavam, com total propriedade, que a palavra criou os mundos e são seus sustentáculos – o Fiat Lux – pois reafirma que o mundo se fez pelo poder e pela intermediação das palavras.

A criação advém por um ato da fala, e ao nomear as coisas Deus lhes confere a sua existência: “E Deus chamou à luz Dia e às trevas Noite. E chamou Deus ao firmamento Céu”, assevera o Gênesis.

A criação do mundo tem como suporte a palavra. E só é real, existente, aquilo que tem nome. Este é um paradigma definitivo. O som das palavras está estreitamente unido não só ao significado das mesmas, mas também está estreitamente ligado à coisa em si. É o que os psicanalistas, na melhor tradição lingüística, chamam de significado e significante.

Ao nos criar através da palavra, Deus nos fez também criadores, nos concedendo o poder da palavra. Porém, a palavra deve ser usada com responsabilidade, pois não olvidemos que ela é, ao mesmo tempo, criadora, mantenedora ou destruidora.

É por isso que em todas as Escrituras, se recomenda a pessoa falar a verdade, pois as conseqüências advindas seguirão uma ordem justa, não maléfica.

O poder vibratório da palavra se revela nas orações dos devotos de todas as crenças e religiões. Repetir uma oração ou mantra como prática de atenção é meditativo. A prática de orações diárias, mesmo em momentos de pouca fé, tem efeitos curativos do estresse, de ansiedades e também tem resultados relaxantes.

O segredo para a transpessoalidade, transcendência e arrebatamento extático reside em introduzir um “crescendo” na freqüência vibratória da mente, em oração. Pode proporcionar experiência de significado profundo ao praticante.

Orar significa pedir, rogar. Por isso a oração é também um exercício de humildade. “Um homem que não se inclina perante coisa alguma jamais pode suportar a carga de si mesmo”, afirma Dostoievski.

Oremos.

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About the Author

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]