O IAF e Suas Matérias Venais

Foi com grande surpresa que li uma reportagem do Bahia Notícias – que me foi repassada por e-mail – assinada por, não sei se jornalista ou repórter, Anna Terra, onde dizia que na sessão especial da Assembléia Legislativa, que aconteceu em 24 de novembro de 2008, ocorreu um fato inusitado. E disse a… acho que jornalista: “de um lado os auditores fiscais engravatados e com a postura sisuda, do tipo indignado com a proposta do governo do estado, e do outro, os agentes de tributos estaduais, com suas camisetas coloridas, estilo campanha política e calça jeans, portando quentinhas e garrafas d’água, transformando a casa dos políticos (não concordo que seja a casa do povo), em um autêntica quadra de pagode. Quando a sessão começou, a diferenciação entre as carreiras ficou ainda mais evidente, enquanto os auditores fiscais, munidos com modernos laptops, faziam uma apresentação, ora excessivamente técnica, ora com pompa e retórica jurídica, os agentes falavam uma linguagem popular, do tipo estudante cara pintada, mas que sabem muito bem o que querem”.

A nobre jornalista – acho que jornalista – deveria lembrar-se que há pouco mais de 2000 anos, um jovem com seus cabelos longos e mal penteados, barba crescida, trajando roupas simples e com sandálias de couro rústico, revolucionou o mundo e mostrou para a humanidade que o verdadeiro caráter das pessoas não está na aparência física, nem em suas vestes, mas sim em seu conteúdo, seus atos e, principalmente, em sua dignidade. Os “auditores Iafianos”, bem vestidos, com laptops sofisticadíssimos, não significam muito. Hitler também usava terno e gravata, confeccionados pela alta costura européia.

Claro que os auditores – sem generalizar, os Iafianos que exerceram cargos de confiança no governo Carlista – com seus salários estratosféricos, de verdadeiros marajás – ganham tão bem que às vezes é necessário estornar uma parte para o erário porque em 19.01.1999, o Estado da Bahia adotou um novo teto salarial, isto é, o subsidio mensal, em espécie, dos Desembargadores. A partir desta data, nenhum servidor público baiano, inclusive Procuradores e “Auditores Fiscais”, poderiam ganhar mais do que um Desembargador poderia perceber. Esta determinação foi implantada por Emenda à Constituição do Estado da Bahia, a ECE Nº 07 – escondem, através de suas riquíssimas vestes, na realidade quem são. Infelizmente, boa parte dos que compõem o grupo dos Iafianos, são aqueles que não se conformam em ter perdido o status que ostentavam. A maioria já teve o poder e hoje, por tê-lo perdido, não se acostumam com a atual realidade.

Na verdade, este salário estratosférico acendeu a fogueira das vaidades dos auditores Iafianos – alguns não possuem formação acadêmica – e resolveram “inventar uma matéria jornalística” com a simples finalidade de jogar a opinião pública contra o Secretário Doutor Carlos Martins e o Governo Wagner. O que eu acho é que a senhora Ana Terra – não sei se jornalista, estilista, crítica de música, técnica tributária ou de informática; na realidade um personagem criado por Érico Veríssimo – fez um gol contra ao escrever sobre o contraste dos pomposos blazeres dos Iafianos e das vestes humildes dos ATEs, dos ricos laptops dos que compõem o Iaf, do pagode dos ATEs contra a música clássica deles e até das garrafas de água. Os ATEs não ganham suficientemente bem para, como os Iafianos, tomarem o mais legitimo Escocês 12 anos, por isso bebem água.

Dona Anna Terra, se os ATEs auferissem salários de R$ 10.000,00 – deslavada mentira – como foi noticiado na matéria do Bahia Noticias, pela senhora, talvez pudessem trajar-se como os marajás Iafianos que ultrapassam até salários dos Desembargadores. A senhora, dona Anna Terra, perdeu o trem da moralidade e da ética, porque não tem coragem de assinar a matéria que escreveu com seu verdadeiro nome – como eu assino – se escondendo atrás de um codinome, para não ser alcançada pelo código de ética. Deveria ter escolhido um codinome mais adequado para ela, tipo: Léo Terra. Quem sabe até se elegesse vereadora, também. Senhora Léo Terra, você perdeu uma boa oportunidade de ficar calada. Volte para o anonimato de onde a senhora nunca deveria ter saído.

Alberto Peixoto
www.albertopeixoto.com.br
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About the Author

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.